segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A PESTE BRANCA

Nessa era globalizada e com a crescente rede de informações, é inaceitável que pessoas continuem chafurdadas na ignorância. E por ignorância eu quero dizer o conhecimento PARCIAL de fatos e reflexões. Torna-se ignorante aquele que, mesmo tendo conhecimento profundo sobre uma matéria, conhece-a apenas a partir do mesmo ponto de vista!

Todos nós temos obrigação social de conhecer detalhadamente a história da humanidade.

E por história não estou me referindo às mentiras ou verdades parciais contadas nos livros didáticos, replicadas nas escolas formadoras de pessoas preconceituosas e desinformadas sobre a horrorosa história que vimos construindo nesse planeta.

De todas as mentiras repetidas há séculos, vamos tratar das construções criadas, por diversos poderes, sobre as diferenças raciais.

Embora o racismo entre povos seja antigo, no período das grandes navegações, invasões e conquistas de novas terras, o racismo atingiu seu ápice em horror e tragédia.

O mundo eurocêntrico, com seu pensamento mercantilista, dotado de força armamentista crescente, tecnologia e com doentia ambição pelo máximo controle sobre outros povos, invadiu centenas de terras estrangeiras e exterminou milhares de pessoas. Eu não disse guerreou, eu disse exterminou.

Seus vetores destrutivos tinham por um lado a vontade de exterminar todas as culturas que não estivessem submetidas ao padrão civilizatório por ele mesmo estabelecido e por outro a vontade de submeter seres humanos aos seus interesses.

O pensamento eurocêntrico, egocêntrico, entendia (e ainda entende) que sua forma de vida e civilização era a melhor e única forma decente, avançada e coerente a ser experimentada por todos os seres humanos. Ainda há quem concorde!!

Todas as culturas, tecnologias, sabedorias, práticas religiosas, culinárias, expressões artísticas, organizações sociais que não tivessem origem no pensamento eurocêntrico foram consideradas atrasadas, demonizadas, primitivas, selvagens e até animalescas.

O objetivo na desmoralização dessas outras culturas era escravizar seres humanos.

A escravatura não é apenas uma expressão da maldade humana, um exercício de crueldade desinteressado, é também uma eficiente forma de enriquecer sem fazer esforço. Estou falando de riqueza material obviamente, já que é um empobrecimento espiritual sem precedentes.

Os povos eurocêntricos, que a partir de agora vou chamar de “brancos”, fizeram uma varredura genocida por todos os pedaços de terra que conseguiram alcançar.

Isso não é suposição, não é julgamento, é apenas realidade histórica.

Só na época mercantilista, os brancos exterminaram, direta ou indiretamente, mais gente que em todas as guerras em todos os tempos. Civilizações inteiras foram minuciosamente eliminadas.

(Se estiver achando exagero, releia o primeiro parágrafo.)

Documentos históricos e pesquisas modernas nos revelam que toda a história moderna foi escrita e contada a partir de um único ponto de vista: o do branco.

Todas as outras experiências de vida, relatos, provas, filosofias foram eliminados ou obscurecidos, desde a Idade Antiga, com o intuito de fazer prevalecer uma única perspectiva histórica.

Para efetivar essa empreitada de demolição das verdadeiras histórias vivenciadas pelos seres humanos, para fazer valer esse projeto de poder, vários setores do conhecimento humano se uniram no mesmo objetivo.

O papel da Igreja Católica foi dar a principal base filosófica para esse projeto, chegando a afirmar que os povos não brancos eram destituídos de alma, embora outras linhas da filosofia também acrescentassem a essa vertente racista.

Toda uma narrativa mítica e um vocabulário foram sendo formatados para distinguir qualidades humanas e criar o mais pernicioso instrumento de dominação entre povos: o preconceito. Embora essa construção já viesse sendo elaborada desde o nascimento do mundo ocidental, na Grécia, foi a Igreja Católica que conseguiu consolidar popularmente os cânones do que seria o homem bom e mal, sadio e doentio, superior e inferior.

Outro importante consolidador dos instrumentos de dominação foi a Ciência.

Desde a Idade Média até os tempos de hoje, a Ciência, supostamente atestadora da realidade indiscutível, detentora da verdade comprovada, criou todas as bases para o que hoje conhecemos como racismo.

Diversos estudos e postulados foram desenvolvidos para comprovar o que Deus, ou a Natureza, não criou: as raças.

O termo raça foi cunhado por Lineu no século XVII e referia-se à classificação de diferentes populações de uma mesma espécie biológica. Até então as distinções entre grupos humanos davam-se em torno de conceitos etnocêntricos, pois eram pautados em questões culturais, e não de “raça”.
No século XIX, o Conde de Gobineau escreveu o “Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas”, trazendo à tona a ideia das diferenças e hierarquização raciais. Ideia que, apesar de obtusa, difundiu-se. Alguns apoiaram-se equivocadamente em Darwin e sua teoria da evolução das espécies para consolidar o racismo.

Antes do século XIX, considera-se que predominava uma visão etnocentrista e não racial.

Hoje, com os estudos da nova física, conseguimos compreender que nem mesmo um cientista está isento de sua moralidade para observar a realidade. Se antes se entendia que esse profissional era o único capaz de observar a realidade com isenção, sem interesses e total objetividade, hoje se sabe que essa capacidade é impossível. Não existe uma realidade totalmente objetiva apreensível pelo ser humano.

Sendo assim, embora as descobertas científicas tenham melhorado significativamente nossa vida no planeta, inúmeros estudos dessa natureza serviram apenas para fortalecer o poder do branco sobre todos os não brancos.

Todas as bases do racismo sobre diversos povos, ao cúmulo da formulação do pensamento eugênico, foram formuladas pela ciência.

Essas duas frentes de construção da realidade foram terrível e sabidamente aproveitadas, financiadas e incentivadas pelo poder político e econômico.

O antigo mercantilismo e o nascente capitalismo aproveitaram essa formatação mental e afetiva que veio sendo lapidada.

A introjeção seja de postulados religiosos ou de postulados científicos insuflou a pior forma de subjugação entre seres humanos: o racismo.

E este projeto de poder foi tão bem executado que, mesmo hoje tendo sido destruída a teoria das raças, e sendo questionada a teoria das etnias, há uma imensa população que perpetua esses conceitos e suas consequentes atrocidades.

O problema é de tamanha profundidade que seres humanos são capazes de torturas físicas, emocionais e psicológicas contra outros seres humanos, baseadas em teses falaciosas, conflitos esses eficientemente aproveitados pelo poder econômico e político.

Muitos povos foram chamados de “negros” ao longo da história, sempre de forma pejorativa contra os grupos dominados e para sustentar essa dominação, mesmo quando não haviam brancos no poder estabelecido.

Porém, com a consolidação do poder eurocêntrico e a instituição do conceito de raça branca, negra e amarela, foram os povos do continente africano que receberam esse título, e toda sua carga conceitual, e até hoje são assim designados. Conhecidos como “negros”, termo supostamente justificado pela cor escura da pele, os povos afrodescendentes são o grupo humano que permaneceu escravizado por mais tempo, e em maior número, na história da humanidade.

Enquanto os amarelos foram deixados de lado pelos interesses de dominação, brancos impuseram aos negros, agora exclusivamente afrodescendentes, um rompimento histórico e definitivo.

Apesar das mais recentes pesquisas apontarem o nascimento da humanidade no continente africano, não só genética, mas culturalmente, o preconceito de brancos contra negros não diminui e se perpetua. Esse preconceito levou o nome de racismo.

Repetindo: racismo é o todo o processo histórico de dominação, extermínio e subjugação do branco sobre o negro (existem outras formas de racismo na história, mas sempre apoiadas nesse mesmo processo de dominação. Qualquer forma de discriminação, por exemplo, de negros contra brancos não é chamada de racismo porque não está baseada num processo histórico de dominação, sendo chamada de preconceito. Ou seja, preconceito é uma discriminação pontual e racismo é uma discriminação processual, histórica).

Teorias antigas e absurdas, como a que indicava que negros eram descendentes do cruzamento entre mulheres brancas e macacos (não fui eu quem inventou essa aberração teórica), continuam como base central do racismo em pleno século 21, que impõe outras formas de escravagismo, menos explícitas.

 (Pausa para refletir sobre há quanto tempo essa tortura se perpetua.)

Felizmente e com o custo de muito sangue, os negros vieram traçando um caminho de recuperação de sua identidade cultural. Essa luta sofrida, hoje chamada de empoderamento, colaborou e colabora (junto a outras minorias) na construção dos atuais entendimentos de democracia. A democracia não é uma estrutura criada pelo poder, mas sim uma forma de organização social conquistada pela luta de minorias, sendo a população negra muito importante no amadurecimento desse projeto de organização humana.

Conquistas civis, legais e sociais vêm sendo ampliadas a muito custo, já que o racismo ainda é violentamente presente no comportamento humano.

Finalmente, chegamos ao objetivo desse texto: fazer entender a importância de eliminar o branco, entendido como o vetor de opressão racial.

O que estou sugerindo é o extermínio da população eurodescendente? Obviamente não.

Muitas foram as teses acerca da inferioridade dos negros, dos índios, dos aborígenes, enfim, dos não brancos.

E quais são as teses sobre a inferioridade branca?

Já temos estatísticas suficientes para concluir que há uma doença no gene da branquitude, uma deficiência, ou não?

Enquanto os brancos chamavam os negros de animais, eram eles que assim se comportavam, no pior sentido da expressão. Das focas mortas a pauladas para vender bibelôs de madame, ao estudante negro e homossexual morto à paulada no campus da sua universidade, principalmente o branco heteronormativo vem matando feito um anômalo. Para ele, fora ele, o resto é bicho.

Apenas por vontade de imposição de seus desejos mesquinhos, os brancos europeus aniquilaram culturas, etnias, tecnologias e pessoas aos milhões. Sem exageros, foram mortas milhões de pessoas.
As expedições colonialistas traçaram caminhos de destruição que modificariam a história do planeta para sempre. Mudaram nosso futuro.

Como estaríamos vivendo se todos os povos que foram dizimados não o tivessem sido? Como estaríamos vivendo se não tivesse havido uma violenta imposição da civilização eurocêntrica e sim um compartilhamento de sabedorias entre as diversas culturas?

É muito provável que não estivéssemos a um passo de nossa autodestruição, da destruição da única raça que realmente existe: a raça humana.

Algo, na chamada raça branca, funcionou como uma doença obsessiva, A PESTE BRANCA, e intensificou no ser humano o que ele tem de pior.

Os brancos ficaram cegos, surdos e obsessivos pelo controle do Universo.

De que cor mesmo é o deus cristão?

Branco.

(Jesus, ao longo dos anos, passou pelo mesmo processo que Michael Jackson para clareamento de pele… até ficar branco de olhos azuis, coisa que Michael não conseguiu!)

Por mais que os brancos se esforcem para colocar no negro a imagem de bandido mau-caráter, é a história que está dando cor branca aos piores humanos em todos os tempos.

É estruturado nesse racismo construído que o capitalismo floresce e perpetua suas condutas em novas vestes.

Acho que já passou da hora de estudarmos essa PESTE BRANCA em vez de ficarmos gastando tempo tentando provar que os não brancos não são inferiores.

Se por um lado os negros vão e devem continuar lutando por um sistema de igualdade e respeito, luta essa que deve ser integralmente apoiada por brancos, por outro lado há muito o que fazer para desconstruir o racismo.

A desconstrução do racismo não é uma atitude dos negros (a eles cabe o empoderamento da sua cultura), mas dos brancos, pois é neles que se perpetua essa doença contagiosa.

Não basta apoiar a “causa negra”, que é o mínimo que qualquer ser humano decente deve fazer, mas é imprescindível lutar contra o racismo dentro de si mesmo e no ambiente.

E quando falo de lutar contra o racismo insisto que não basta defender um negro que esteja sendo violentado (faça isso sempre), apoiar políticos e políticas de direitos para negros (sem dar pitaco!), mas reconhecer os privilégios raciais impregnados no cotidiano do branco.

O racismo só vai acabar (tenho fé que consigamos chegar a esse objetivo) quando o branco deixar de ser branco.

Portanto, o que pretendo é me dirigir ao branco, que vive privilégios raciais, para que enfrente a si mesmo e que lute por essa ideia: VAMOS ACABAR COM A PESTE BRANCA que se perpetua em nós!!!


(texto originalmente escrito para a revista virtual LINGUA DE TRAPO : publicação original)


terça-feira, 12 de julho de 2016

VC FOI MODIDO POR UM ZUMBI, JÁ ERA

O que mais estamos nos dando conta é de que não adianta trocar as pessoas que estão no poder, ele sempre será O Poder.
Pior, estamos percebendo que mesmo que eliminássemos o Poder, nossos sofrimentos permaneceriam.
Quais?
Os piores.
Somos nós que estamos nos matando.
Não é o Estado, nem esse ou aquele político, que até incentiva comportamentos violentos, que está saindo pelas ruas matando lgbts, atirando em negros, estuprando crianças, torturando mulheres.
Somos nós.
Não se exima dizendo que são loucos aqueles capazes de atirar uma pedra gigante no crânio de alguém que eles detestam. Não são loucos. Pelo menos não nos termos oficiais dos manuais científicos da loucura.
Mas estão enlouquecidos.
Estamos.
Do que vc é capaz por causa de uma idéia? Vc seria capaz de matar alguém para salvar o mundo?
É isso que essas pessoas estão fazendo: tentando salvar os seus mundos.
Quando a ciência e a religião unem forças para dizer que a homossexualidade ou a transgeneridade são aberrações da natureza, elas criam "um mundo" para milhares de pessoas, no caso, um mundo onde não devem existir aberrações.
Fica difícil desintrojetar essa falsa verdade.
Agora não adianta Papa vir disputar público redimindo os gays!!! A melhor forma que a Igreja Católica poderia redimir a desgraça que causou seria prender TODOS os padres e bispos pedófilos da face da terra!!! Quando todos eles estiverem presos e for desassociada a imagem do homossexual à do pedófilo, podemos começar alguma conversa.
Tipo: nunca.
Os conceitos de mundo que estão permitindo que homens matem lgbts, mulheres e estuprem crianças, atirem em negros, em pobres, foram justificados pela Igreja e Ciência durante séculos.
Quem se importa que negros, lgbts, mulheres estejam sendo exterminados ou violentados, escravizados? Só os negros, lgbts e algumas poucas mulheres.
Os donos do poder não tem poder nenhum se não realizarmos seus intentos. Nós é que fazemos a democracia com nossos comportamentos e não com os 3 Poderes!!!
Se vc se importa mais com o que está acontecendo no Mercado Financeiro do que nos extermínio de pessoas aos seu redor, então preciso te dizer uma coisa: vc foi mordido por um zumbi, já era.


terça-feira, 5 de julho de 2016

RACISMO E EUGENIA


Esse documentário, produzido pela BBC, faz uma retrospectiva do nascimento do racismo durante a colonização do Império Britânico sobre o mundo nos idos de 1800.

Campos de extermínio, de fome, de escravidão, eram os recursos já utilizados pelo ingleses e depois aperfeiçoados por alemães, até à chegada aos campos nazistas.

O preconceito, o racismo, foram construídos com fins de dominação, poder e extermínio.






quinta-feira, 18 de junho de 2015

Um Eduardo Cunha reina dentro de você

É o pior Congresso nacional de todos os tempos! O mais fascista! Essas frases pipocam na rede. Mas, qual é o real problema? Será que todo mundo sabe a extensão do poder legislativo? Acho que não. Nossa vontade de paternalismo acha que o presidente da república é nosso salvador (e destruidor). Para um projeto de lei ser aprovado pelos deputados precisa de maioria. Depois precisa de outra maioria entre senadores. Beleza, digamos que algum projeto-desgraça, tipo redução da maioridade penal, passe por todo o legislativo. Aí a gente fica publicando #vetadilma, na maior esperança que tudo acabe bem. Supunhetemos que o executivo vete o projeto. Esse veto volta para Camara para ser votado. Sim, o voto do presidente é votado na Camara. Se perder, a lei é promulgada. Aí a gente pensa: mas, se ja teve maioria no Congresso pra propor o projeto, obviamente o Congresso vai repetir seu voto e derrubar o veto presidencial. Então, a gente descobre que "politica" não é lógica e muito menos bom senso. É aí que entram termos como mensalão, governabilidade, oferecimento de cargos (rabos), muuuuuito dinheiro e coisas afins. O projeto em si (qualquer projeto), que tem graves consequencias na sociedade, é apenas uma oportunidade para exercer essa "politica". Parece até que os legisladores inventam projetos bem cabeludos para essa máquina de fabricar moedas funcionar. Quanto mais o projeto for contrário ao governo, mais acordos vão rolar, mais promessas serão feitas, mais dinheiro vai circular, para efetivar ou não a proposta. "Bancadas evangélicas" por exemplo, são máquinas de fazer dinheiro através de projetos de moralidade radical!!!!!! Nosso conceito de "política" tem sido esse. Uma espécie de arranjo criado pós ditadura para manter privilégios. Quando a oposição chegou ao poder esse jogo se formalizou definitivamente, a polarização instituiu o processo, pois ou a esquerda fugia aos princípios democráticos ou........ Ou? Essa é a resposta que não conseguimos dar ainda. Uns dizem que não deveria ter entrado na dança; outros acham que é tudo farinha do mesmo saco; há quem pense que o poder corrompe; e, ainda, alguns defendem que viver é aprender a jogar. O que eu acho realmente importante, sempre, é a gente perceber que essa "política" não está lá no parlamento, e nós aqui alheios a essa conduta. Não. Barganhamos conquistas com nossos filhos, pagamos, penalizamos, com nossos parceiros afetivos, colegas de trabalho, funcionarios e inimigos..... Onde houver uma relação de poder surgirá essa dificuldade de estabelecer igualdade de forças em prol de um bem comum. Ficamos fascinados pela disputa pois temos necessidade de discórdia, impotentes que somos, e não de resolver as questões objetivamente. Afinal, o que importa é competir na meritocracia. Aprendendo a olhar para nosso microcosmo politico podemos atuar de outra forma na politica social. Óbvio que esse Congresso é o pior da história já que reflete o momento mais passivo que a sociedade já viveu. Dizemos amém pra tudo (bebemos refrigerante cancerigeno e comenos comida transgênica!!!), sim, nosso congresso nos representa. Aumentamos nossa consciência mas diminuimos nossa intervenção. Por que? Porque precisamos reinventar nossa participação. Voto e passeata não dão mais conta. Não funcionam. Precisamos descobrir ONDE está o NOSSO poder. Esse papo de que o poder está no voto é conversa manipulada. O voto é consequencia da ação e não a ação. Passeata até coxinha faz. Não. Temos um outro poder, claro e óbvio, mas que só não vemos porque ainda pensamos como oprimidos, como gado. E para enxergar, ou criar, as soluções precisamos parar de pensar/sentir/agir como gado falante proto-pensante. Desconstruir nosso papel de oprimido no âmbito coletivo, mas também de opressor no âmbito individual. Uma coisa depende da outra, porque uma coisa sustenta a outra. Quanto mais oprimida é sua potência pelo social, mais opressor vc se torna no individual (seja com os outros seja consigo que é um outro de si). Precisamos sair dessa visão de mundo, e não achar outras formas de atuar nela!! É diferente. Resumindo, colega, tem um Eduardo Cunha reinando dentro de vc!!! Mata, por favor?!?!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

UMOJA, uma comunidade sem homens.

Então, há mais de 20 anos, um grupo de mulheres no Quênia, cansou de ser estuprada, espancada, mutilada e submetida às normas patriarcais da sua comunidade. Fugiram, lideradas por Rebecca Lolosoli, uma das tantas mulheres mal tratadas. Fixaram-se num pedaço de terra desprezado pelas péssimas condições de sobrevivência e sobreviveram.

Criaram Umoja, uma comunidade onde homens são proibidos, a não ser os nascidos ali, e que respeitem as regras da comunidade. Sem hierarquias, apenas sob a liderança de Rebecca, construíram suas casas e um centro cultural onde vendem seu artesanato para sobreviver. Conseguiram replantar naquela terra e enviar seus filhos para escola, o que não era possivel na comunidade de origem.

Hoje lutam por direitos civis e tornaram-se referência para muitas outras mulheres da região e pelo mundo. Publico dois pequenos artigos e um belo video delas cantando. O possível nascendo do impossível.


video

Artigo na Revista Galileu

Artigo de Walter Passos

Dilma lava as mãos mais uma vez

A sra presidenta do Brasil vai acabar com uma doença de pele nas mãos se continuar nessa lavagem constante. Todo mundo sabe que excesso de limpeza tem consequências. Se não botar a mão na lama deixa de ser humano.

E é de humanidade que precisamos falar: mortes humanas. O problema das mortes de mulheres em decorrência de abortos não é um tema de ordem religiosa, não é de ordem criminal, não é um tema de ordem política (pelo menos não deveria ser); é um tema de saúde pública.

Todos sabemos que a maioria da população é contrária a legalização do aborto, porque a maioria da população não diferencia suas crenças religiosas dos interesses civis. Apesar de pretendermos um Estado democrático, onde a opinião da maioria deva ser atendida, estamos ainda no começo da transição entre uma robotização da ditadura e uma democracia de fato, de livre pensar.

O papel do Estado, nesse momento de transição, é mais difícil, delicado e necessário do que em qualquer outra fase. Para atingir a democracia de fato é fundamental dar vozes a todos os seguimentos da sociedade, dar direitos civis, dar condições de saúde, alimentação e educação. Antes disso, toda administração pública fica comprometida.

Filhos da ditadura que somos, a maioria de nós não quer dar vozes a todos os seguimentos da sociedade. Fazemos o que então? Esclarecemos a todos da importância da igualdade de direitos e, no próximo milênio, quando a maioria das mentalidades concordarem, daremos direitos às minorias excluídas? Até lá, continuamos a ver negros, homossexuais, trans e travestis, mulheres, pobres, umbandistas, etc, etc,etc, serem mortos, violentados, desrespeitados, submetidos ao poder normativo estabelecido???

Qual é o papel do Estado nesse momento?

Seria ótima essa discussão de qual é o papel do Estado nesse momento, mas, nesse momento, não estamos nem discutindo o papel do Estado, porque nosso Estado está por demais comprometido para ser um Estado.

Não sou a favor da nenhum tipo de centralização do poder pelo Estado, longe disso. Mas, há uma diferença entre ser um Estado centralizador e ser um Estado executivo. Quero dizer com isso que o Estado executivo não impõe leis ou normas a partir do seu próprio interesse, ou do grupo que o sustenta (como é na ditadura e como temos visto, inclusive). O que estou chamando de Estado executivo é um Estado de princípio democrático. Porém, confunde-se democracia com opinião da maioria. Democracia não é a opinião da maioria. Democracia é a igualdade de direitos, mesmo quando isso significa a opinião de uma minoria. A sra. presidenta sabe disso. A opinião da maioria só é interessante nos objetivos político-eleitoreiros, mesmo quando estes são contrários à democracia.

Uma lógica simples, e de tão simples, revela que a posição assumida por Dilma na seguinte entrevista:

Para Dilma, Estado não deve entrar na questão do aborto.


é um posicionamento bastante demonstrativo da sua total submissão às forças político-econômicas que estão atuando dentro e fora do Congresso. É em calcanhares de aquiles como a defesa da causa indígena ou a defesa do aborto livre que finalmente concluímos que o Governo de Dilma não é um governo que prima pela democracia. Está submetido à ditadura do capital.

Poderíamos argumentar que a tal governabilidade que caracteriza essa ginga sem fim da presidenta, é uma estratégia para atingir sim, um Estado democrático, porém dentro de condições mais propícias que as do momento. Ou seja, ela vai jogando de todos os lados para permanecer no poder e, aos poucos, conseguir estabelecer as mudanças necessárias. Temos que convir que o jogo não está nada fácil: o cenário político brasileiro é caótico, risível, ignorante e politicamente infantil. Temos hoje em cargos representativos anomalias humanas que não serviriam nem pra síndico. Nesse sentido, valorizo muitas conquistas do PT no governo esses anos todos.

Só que a Dilma está nessa fogueira porque está priorizando os grupos que vão derrubá-la. E enquanto tenta se manter no poder, outros poderes estão se consolidando e direcionando as decisões do país.

Que o jogo político é complexo ninguém tem dúvida. Minha dúvida é se as mortes de hoje valem à pena por supostas conquistas no futuro.

Na minha opinião, não. Na minha opinião, o futuro só existe enquanto suposição. Na minha opinião, a defesa de direitos é urgente e prioritária. Na minha opinião, a sra presidenta está sendo omissa e covarde; uma mulher sem peito e sem convicção.

Ou, talvez, eu esteja enganada e a convicção da sra presidenta seja exatamente essa que ela expressa na sua omissão.

De uma coisa eu não tenho dúvida: isentar o Estado dessa decisão quanto a legalização do aborto e jogar o abacaxi para as mãos desse Congresso conservador, que tende a extremar uma posição contrária, vai colocar nossa presidenta contra a parede. Então, no paredão, ou ela erguerá os braços pedindo clemência e baixando a cabeça ao poder vigente, ou ela romperá os botões da sua camisa de força, expondo seu coração valente, enfrentando uma bala contra o peito.

Hahahahahahaha, pena que o tempo do romantismo acabou faz tempo!!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dividir e conquistar: os conflitos e violências da intervenção federal no Tapajós


O que está acontecendo com os índios pelo Brasil é exatamente igual ao que acontece com a gente da cidade, só que com menos evidência porque não resistimos tanto quanto os nativos resistem a serem separados de si mesmos. Nós somos arrancados de nossa própria natureza, enfraquecidos em nossa própria potência todos os dias e o máximo que fazemos é cara feia ou reclamações de facebook. Para povos da terra a perda da cultura é idêntica a perda da vida física, e por isso lutam colocando-se diante da morte. Não veem outra forma de viver. Leia neste texto como é articulada a luta contra nosso índios e me diga se existe alguma diferença do que vivemos diariamente de muitas formas....


Texto urgente de Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu e presidente do Cimi.

Dividir e conquistar: os conflitos e violências da intervenção federal no Tapajós

Atribui-se ao imperador romano Júlio César (+44 a.C.) a expressão “Divide et impera”. O ditado sugere que para um povo perder sua força e seu brio e assim ser mais facilmente dominado, a estratégia é dividir, criar discórdia, jogar uns contra os outros. Provocar a divisão entre os povos e populações locais é uma estratégia histórica e sistematicamente usada pelos governos e grupos econômicos interessados na exploração dos recursos naturais até então de usufruto exclusivo destes povos e populações.

Link: http://goo.gl/MXQhfY


Os governos e grupos econômicos usam esta estratégia da divisão para romper ou enfraquecer a resistência destes povos que, evidentemente, não se conformam e não aceitam o fato de terem suas terras invadidas, sua cultura agredida, seus projetos de vida destruídos.

Os governos e grupos econômicos não hesitam em provocar, favorecer e alimentar fraturas políticas entre potenciais aliados dos povos e populações locais que se opõem aos seus interesses. Usam esta artimanha a fim de colocar em lados opostos pessoas e organizações que poderiam estar articuladas e atuando conjuntamente no apoio e fortalecimento da resistência destes povos e populações.

Os governos e grupos econômicos defendem a tese segundo a qual os povos, populações locais e organizações de apoio seriam os “sujeitos da violência” nesses processos. Por isso, qualquer mobilização que se contraponha aos interesses do governo e dos grupos econômicos é rotulada de “baderna”, “arruaça”, “confusão”, “agitação”, “violência”. É o típico caso de “culpabilização da vítima”. Tentam assim camuflar o fato de que são eles próprios os protagonistas da violência e justificam o uso da força policial do Estado para implementar seus interesses. Invariavelmente aplicam a estratégia da “criminalização” de lideranças a fim de enfraquecer qualquer resistência.

Os governos e grupos econômicos nunca assumem a responsabilidade pelos desequilíbrios e fraturas políticas. Sempre jogam a culpa em alguma organização, alguma pessoa ou grupo de pessoas que atuam nas respectivas regiões.

Essas premissas se aplicam hoje perfeitamente à região do Tapajós, onde o governo pretende construir o chamado “Complexo Hidroelétrico do Tapajós”. Representantes do governo bem treinados e desprovidos de qualquer tipo de senso ético atuam com grande afinco na região, de modo especial junto aos Munduruku, povo que impõe a maior resistência ao projeto governamental.

Preocupados damo-nos conta de que o governo federal e os grupos econômicos têm alcançado relativo sucesso nesta estratégia, especialmente no que tange à provocação de divisões e desequilíbrios entre os Munduruku e potenciais aliados deles na região. A obstinação do governo federal em cumprir o calendário de viabilização do Complexo Hidroelétrico do Tapajós está causando sérios conflitos e violências. A “divisão interna” provocada pela intervenção federal entre os Munduruku e daqueles que lutam em defesa do projeto de vida do povo, contribui para que o governo, as empreiteiras e os grupos econômicos avançam, desdenhando de quem não reza por sua cartilha, na implementação de seu projeto de morte.

O momento exige bom senso, serenidade, ausculta aguçada às necessidades do povo e diálogo entre caciques, guerreiros e demais lideranças Munduruku na busca de consenso sobre as formas de ações que possam efetivamente impedir a construção das hidroelétricas no Tapajós e a consequente desestruturação do povo.

Afirmamos nosso compromisso e disposição de apoio irrestrito à luta dos Munduruku contra os projetos de morte que os ameaçam.




terça-feira, 8 de outubro de 2013

Discurso de Luiz Ruffato na Feira do Livro de Frankfurt

"O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século XXI, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.

O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro – é a alteridade que nos confere o sentido de existir –, o outro é também aquele que pode nos aniquilar... E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença.

Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones. Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas – ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos.

Até meados do século XIX, cinco milhões de africanos negros foram aprisionados e levados à força para o Brasil. Quando, em 1888, foi abolida a escravatura, não houve qualquer esforço no sentido de possibilitar condições dignas aos ex-cativos. Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, jornalistas, artistas plásticos, cineastas, escritores.

Invisível, acuada por baixos salários e destituída das prerrogativas primárias da cidadania – moradia, transporte, lazer, educação e saúde de qualidade –, a maior parte dos brasileiros sempre foi peça descartável na engrenagem que movimenta a economia: 75% de toda a riqueza encontra-se nas mãos de 10% da população branca e apenas 46 mil pessoas possuem metade das terras do país. Historicamente habituados a termos apenas deveres, nunca direitos, sucumbimos numa estranha sensação de não-pertencimento: no Brasil, o que é de todos não é de ninguém...


Convivendo com uma terrível sensação de impunidade, já que a cadeia só funciona para quem não tem dinheiro para pagar bons advogados, a intolerância emerge. Aquele que, no desamparo de uma vida à margem, não tem o estatuto de ser humano reconhecido pela sociedade, reage com relação ao outro recusando-lhe também esse estatuto. Como não enxergamos o outro, o outro não nos vê. E assim acumulamos nossos ódios – o semelhante torna-se o inimigo.

A taxa de homicídios no Brasil chega a 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, número três vezes maior que a média mundial. E quem mais está exposto à violência não são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.

Machistas, ocupamos o vergonhoso sétimo lugar entre os países com maior número de vítimas de violência doméstica, com um saldo, na última década, de 45 mil mulheres assassinadas. Covardes, em 2012 acumulamos mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. E é sabido que, tanto em relação às mulheres quanto às crianças e adolescentes, esses números são sempre subestimados.

Hipócritas, os casos de intolerância em relação à orientação sexual revelam, exemplarmente, a nossa natureza. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.

E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução.

O sistema de ensino vem sendo ao longo da história um dos mecanismos mais eficazes de manutenção do abismo entre ricos e pobres. Ocupamos os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo: cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais – ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.

A perpetuação da ignorância como instrumento de dominação, marca registrada da elite que permaneceu no poder até muito recentemente, pode ser mensurada. O mercado editorial brasileiro movimenta anualmente em torno de 2,2 bilhões de dólares, sendo que 35% deste total representam compras pelo governo federal, destinadas a alimentar bibliotecas públicas e escolares. No entanto, continuamos lendo pouco, em média menos de quatro títulos por ano, e no país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes, ainda assim concentradas nas capitais e grandes cidades do interior.

Mas, temos avançado.

A maior vitória da minha geração foi o restabelecimento da democracia – são 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil. Com a estabilidade política e econômica, vimos acumulando conquistas sociais desde o fim da ditadura militar, sendo a mais significativa, sem dúvida alguma, a expressiva diminuição da miséria: um número impressionante de 42 milhões de pessoas ascenderam socialmente na última década. Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.

Infelizmente, no entanto, apesar de todos os esforços, é imenso o peso do nosso legado de 500 anos de desmandos. Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, mas privilégios de alguns. Em que a faculdade de ir e vir, a qualquer tempo e a qualquer hora, não pode ser exercida, porque faltam condições de segurança pública. Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. Em que o respeito ao meio-ambiente inexiste. Em que nos acostumamos todos a burlar as leis.

Nós somos um país paradoxal.

Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo – amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão-de-obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.

Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos...

Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?

Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro – seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual – como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora."

Luiz Ruffato

discurso proferido na abertura da Feira do Livro de Frankfurt

De Olho nos Ruralistas

ESSE TEMA É ESSENCIAL PARA NOSSO PRESENTE E ESCOLHAS DE FUTURO PELA IMPORTÂNCIA POLITICA, CULTURAL E ECONÔMICA. NASCE UM NOVO PROGRAMA DE OBSERVAÇÃO E REFLEXÃO SOBRE ESSE PODER QUE VEM DETERMINANDO OS CAMINHOS DO BRASIL. 

Foi realizada na noite de ontem (07/10) a primeira edição do Observatório dos Ruralistas, programa de TV pela internet idealizado durante o Ciclo de Debates Partido da Terra. É uma iniciativa do autor do livro em parceria com o Movimento Brasil pelas Florestas.

Com apresentação de Castilho, o programa discutiu assuntos políticos e econômicos dos últimos dias, com perspectiva social e ambiental. Daniel Pierri, antropólogo, e Beloyanis Monteiro, do SOS Mata Atlântica, formaram o que foi chamado de Bancada Socioambiental.

O tema de destaque foi a Mobilização Nacional Indígena, na semana passada. Entre os temas econômicos esteve o uso de agrotóxicos. O noticiário de política foi dividido entre ações do poder público e o cenário eleitoral, seja em relação à Presidência, seja a movimentação nos estados.

O primeiro programa foi considerado piloto pelos organizadores. E durou mais do que o previsto: quase uma hora e meia. O próximo será no dia 21 de agosto, às 20 horas.





Aqui ótima ilustração sobre a relação entre o agro negocio e nossa vida cotidiana, social e politica.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Indíos dão nova cor ao monumento dos bandeirantes


 Não vejo a obra de arte como um objeto estático, pra ser preservado. Está aí pra dialogar com a realidade e a atitude é simbólica e pertinente. Eu prefiro destruir todas as obras de arte e ficar com os índios, se isso fosse uma escolha.Não acho nem certo nem errado. Mas não entendo como vandalismo e sim como diálogo. Aliás com esse sanguinho essa obra fica mais realista!!!!!! Errado e muito está o desprezo pela causa indígena e o sanguinho dos índios derramado pelo Brasil à fora há séculos. Danem-se as obras de arte se os seres humanos não tiverem o valor merecido!!! Atos simbólicos não resolvem causas, são atos simbólicos!!! Oportunista é o agronegócio brasileiro, oportunista e inoportuno. Os valores das coisas se modificam conforme as realidades em que se inserem. Não destruiram a obra, dialogaram com ela.!!!




terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mujica ensina a mujicar sem bombas

VAMOS "mujicar".
Vamos INVERTER nossos pensamentos e ações
para direções mais eficientes
e com EFICÁCIA sobre nossos problemas mundiais;
problemas humanos.

Com a frase encantadora que o Presidente (com P maiúsculo) uruguaio declarou
para a nova Terceira Guerra Mundial que foi:
"O único bombardeio admissível à Síria seria de leite em pó, bolachas e comida"
de José Mujica.

E ele pensou nas bolachas!! Que doce.

Inverteu completamente nossa atual imagem de bombardeio de sofrimento.
Mujica nos lembrou que podemos bombardear o mundo com amor
e seremos VITORIOSOS
de todos os lados.

Vamos BRIGAR pelo bombardeio do leite, bolacha e comida.
Vamos nos solidarizar com a população que está de joguete nas mãos dos donos do mundo.
NÓS TAMBÉM SOMOS POPULAÇÃO,
e seremos joguetes (já somos) amanhã quando um Brasil decidir
entrar "nas guerras"
que o mundo propõe a todo instante.

Vamos imaginar a PAZ
pois nosso futuro está sendo pensado e construído no que imaginamos hoje.

NOSSA IMAGINAÇÃO É ATIVA!!!!

Somos imaginação de nós mesmos.
Nos criamos e recriamos a todo instante,
como está fazendo o universo.
O princípio é a todo instante;
e é fim também. 

Vamos mujicar e imaginar outras possibilidades para nossas ações.
VAMOS SER FELIZES. TODOS JUNTOS.
Porque enquanto um de nós estiver sofrendo,
todos estaremos.
Sejam eles pessoas
ou
não-pessoas.

Somos o mesmo organismo pulsante.
Unos na pluralidade. Uno nas pluralidades.

Vamos mujicar em nossas vidas
e na imagem que fazemos de nós mesmos.

Vamos nos bombardear com delicadezas,
com solidariedade,
com respeito por cada um.

VAMOS COMPARTILHAR.

Compartilhar o que temos,
mas principalmente o que SOMOS.
Tornando-se mais transparente.

Vamos mujicar sugerindo para o mundo outra ÉTICA humana.
Nós somos a ética humana
e se ela está ameaçada,
desaparecida, esquecida....
Vamos praticá-la.
Sugerí-la.

Sejamos JUNTOS. Só juntos é que seremos DEUS.