terça-feira, 8 de outubro de 2013

Discurso de Luiz Ruffato na Feira do Livro de Frankfurt

"O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século XXI, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.

O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro – é a alteridade que nos confere o sentido de existir –, o outro é também aquele que pode nos aniquilar... E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença.

Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones. Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas – ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos.

Até meados do século XIX, cinco milhões de africanos negros foram aprisionados e levados à força para o Brasil. Quando, em 1888, foi abolida a escravatura, não houve qualquer esforço no sentido de possibilitar condições dignas aos ex-cativos. Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, jornalistas, artistas plásticos, cineastas, escritores.

Invisível, acuada por baixos salários e destituída das prerrogativas primárias da cidadania – moradia, transporte, lazer, educação e saúde de qualidade –, a maior parte dos brasileiros sempre foi peça descartável na engrenagem que movimenta a economia: 75% de toda a riqueza encontra-se nas mãos de 10% da população branca e apenas 46 mil pessoas possuem metade das terras do país. Historicamente habituados a termos apenas deveres, nunca direitos, sucumbimos numa estranha sensação de não-pertencimento: no Brasil, o que é de todos não é de ninguém...


Convivendo com uma terrível sensação de impunidade, já que a cadeia só funciona para quem não tem dinheiro para pagar bons advogados, a intolerância emerge. Aquele que, no desamparo de uma vida à margem, não tem o estatuto de ser humano reconhecido pela sociedade, reage com relação ao outro recusando-lhe também esse estatuto. Como não enxergamos o outro, o outro não nos vê. E assim acumulamos nossos ódios – o semelhante torna-se o inimigo.

A taxa de homicídios no Brasil chega a 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, número três vezes maior que a média mundial. E quem mais está exposto à violência não são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.

Machistas, ocupamos o vergonhoso sétimo lugar entre os países com maior número de vítimas de violência doméstica, com um saldo, na última década, de 45 mil mulheres assassinadas. Covardes, em 2012 acumulamos mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. E é sabido que, tanto em relação às mulheres quanto às crianças e adolescentes, esses números são sempre subestimados.

Hipócritas, os casos de intolerância em relação à orientação sexual revelam, exemplarmente, a nossa natureza. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.

E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução.

O sistema de ensino vem sendo ao longo da história um dos mecanismos mais eficazes de manutenção do abismo entre ricos e pobres. Ocupamos os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo: cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais – ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.

A perpetuação da ignorância como instrumento de dominação, marca registrada da elite que permaneceu no poder até muito recentemente, pode ser mensurada. O mercado editorial brasileiro movimenta anualmente em torno de 2,2 bilhões de dólares, sendo que 35% deste total representam compras pelo governo federal, destinadas a alimentar bibliotecas públicas e escolares. No entanto, continuamos lendo pouco, em média menos de quatro títulos por ano, e no país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes, ainda assim concentradas nas capitais e grandes cidades do interior.

Mas, temos avançado.

A maior vitória da minha geração foi o restabelecimento da democracia – são 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil. Com a estabilidade política e econômica, vimos acumulando conquistas sociais desde o fim da ditadura militar, sendo a mais significativa, sem dúvida alguma, a expressiva diminuição da miséria: um número impressionante de 42 milhões de pessoas ascenderam socialmente na última década. Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.

Infelizmente, no entanto, apesar de todos os esforços, é imenso o peso do nosso legado de 500 anos de desmandos. Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, mas privilégios de alguns. Em que a faculdade de ir e vir, a qualquer tempo e a qualquer hora, não pode ser exercida, porque faltam condições de segurança pública. Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. Em que o respeito ao meio-ambiente inexiste. Em que nos acostumamos todos a burlar as leis.

Nós somos um país paradoxal.

Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo – amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão-de-obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.

Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos...

Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?

Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro – seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual – como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora."

Luiz Ruffato

discurso proferido na abertura da Feira do Livro de Frankfurt

De Olho nos Ruralistas

ESSE TEMA É ESSENCIAL PARA NOSSO PRESENTE E ESCOLHAS DE FUTURO PELA IMPORTÂNCIA POLITICA, CULTURAL E ECONÔMICA. NASCE UM NOVO PROGRAMA DE OBSERVAÇÃO E REFLEXÃO SOBRE ESSE PODER QUE VEM DETERMINANDO OS CAMINHOS DO BRASIL. 

Foi realizada na noite de ontem (07/10) a primeira edição do Observatório dos Ruralistas, programa de TV pela internet idealizado durante o Ciclo de Debates Partido da Terra. É uma iniciativa do autor do livro em parceria com o Movimento Brasil pelas Florestas.

Com apresentação de Castilho, o programa discutiu assuntos políticos e econômicos dos últimos dias, com perspectiva social e ambiental. Daniel Pierri, antropólogo, e Beloyanis Monteiro, do SOS Mata Atlântica, formaram o que foi chamado de Bancada Socioambiental.

O tema de destaque foi a Mobilização Nacional Indígena, na semana passada. Entre os temas econômicos esteve o uso de agrotóxicos. O noticiário de política foi dividido entre ações do poder público e o cenário eleitoral, seja em relação à Presidência, seja a movimentação nos estados.

O primeiro programa foi considerado piloto pelos organizadores. E durou mais do que o previsto: quase uma hora e meia. O próximo será no dia 21 de agosto, às 20 horas.





Aqui ótima ilustração sobre a relação entre o agro negocio e nossa vida cotidiana, social e politica.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Indíos dão nova cor ao monumento dos bandeirantes


 Não vejo a obra de arte como um objeto estático, pra ser preservado. Está aí pra dialogar com a realidade e a atitude é simbólica e pertinente. Eu prefiro destruir todas as obras de arte e ficar com os índios, se isso fosse uma escolha.Não acho nem certo nem errado. Mas não entendo como vandalismo e sim como diálogo. Aliás com esse sanguinho essa obra fica mais realista!!!!!! Errado e muito está o desprezo pela causa indígena e o sanguinho dos índios derramado pelo Brasil à fora há séculos. Danem-se as obras de arte se os seres humanos não tiverem o valor merecido!!! Atos simbólicos não resolvem causas, são atos simbólicos!!! Oportunista é o agronegócio brasileiro, oportunista e inoportuno. Os valores das coisas se modificam conforme as realidades em que se inserem. Não destruiram a obra, dialogaram com ela.!!!




terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mujica ensina a mujicar sem bombas

VAMOS "mujicar".
Vamos INVERTER nossos pensamentos e ações
para direções mais eficientes
e com EFICÁCIA sobre nossos problemas mundiais;
problemas humanos.

Com a frase encantadora que o Presidente (com P maiúsculo) uruguaio declarou
para a nova Terceira Guerra Mundial que foi:
"O único bombardeio admissível à Síria seria de leite em pó, bolachas e comida"
de José Mujica.

E ele pensou nas bolachas!! Que doce.

Inverteu completamente nossa atual imagem de bombardeio de sofrimento.
Mujica nos lembrou que podemos bombardear o mundo com amor
e seremos VITORIOSOS
de todos os lados.

Vamos BRIGAR pelo bombardeio do leite, bolacha e comida.
Vamos nos solidarizar com a população que está de joguete nas mãos dos donos do mundo.
NÓS TAMBÉM SOMOS POPULAÇÃO,
e seremos joguetes (já somos) amanhã quando um Brasil decidir
entrar "nas guerras"
que o mundo propõe a todo instante.

Vamos imaginar a PAZ
pois nosso futuro está sendo pensado e construído no que imaginamos hoje.

NOSSA IMAGINAÇÃO É ATIVA!!!!

Somos imaginação de nós mesmos.
Nos criamos e recriamos a todo instante,
como está fazendo o universo.
O princípio é a todo instante;
e é fim também. 

Vamos mujicar e imaginar outras possibilidades para nossas ações.
VAMOS SER FELIZES. TODOS JUNTOS.
Porque enquanto um de nós estiver sofrendo,
todos estaremos.
Sejam eles pessoas
ou
não-pessoas.

Somos o mesmo organismo pulsante.
Unos na pluralidade. Uno nas pluralidades.

Vamos mujicar em nossas vidas
e na imagem que fazemos de nós mesmos.

Vamos nos bombardear com delicadezas,
com solidariedade,
com respeito por cada um.

VAMOS COMPARTILHAR.

Compartilhar o que temos,
mas principalmente o que SOMOS.
Tornando-se mais transparente.

Vamos mujicar sugerindo para o mundo outra ÉTICA humana.
Nós somos a ética humana
e se ela está ameaçada,
desaparecida, esquecida....
Vamos praticá-la.
Sugerí-la.

Sejamos JUNTOS. Só juntos é que seremos DEUS.



segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Pacto de Dilma

Parece que Dilmão matou a cobra e mostrou... a que veio? Sinceramente observando ainda não tivemos nenhum presidente que tivesse feito as propostas que a amarelada fez hoje, inclusive incluindo plebiscito, ou seja, a gente.

Tenho a impressão que a estrutura dos poderes deve ser tão viciada e emaranhada em comportamentos que começam na falta de ética e terminam na roubalheira descarada, comportamentos estes que devem estar tão estabelecidos por décadas de inescrupulosidade e impunidade, que achar as pontas do enorme novelo não deve ser fácil.

Assim como fomos (eu não) às ruas pedir participação nesse barraco, parece que nossa presidenta também está se apoiando no tal "gigante desperto" para tentar fazer faxina. Quer se respaldar nessa força popular que manifesta insatisfação generalizada. 

A reforma política é uma das iniciativas mais difíceis de serem sustentadas pois nosso legislativo e judiciário estão sentados na sombra com água de coco faz tempo. E são eles que comandam, num país democrático, ao ponto da presidenta ficar pedindo repetidamente o dinheiro do petróleo pra educação e a droga do Congresso não dar.

De boa? Tô achando que essa brincadeira tá ficando bem legal. Nossa história está mudando dia-a-dia a olhos vistos. Cada dia nesse Brasil tá sendo um novo dia. Estamos todos despertos, refletindo, discutindo e a Presidente do Brasil parece que topou subir na prancha pra surfar nessa onda que levantamos.

Agora que a Dilma propôs esse pacto ela encurralou todo mundo e as máscaras vão despencar que nem figo podre......... Chamei a fofa de covarde ontem, hoje vou acreditar que o amarelo da pessoa possa ser da luz solar, meio beje, só que menos petista e mais brasileira. É, pode ser.




quarta-feira, 19 de junho de 2013

Ato Médico

Agora é decidir contra o que vamos lutar..... acho importante distinguir que não vamos conseguir tudo o que queremos indo caminhar na Paulista todos os dias. O movimento contra o reajuste era unânime. A causa contra a Cura Gay está longe de ser. E no momento apesar da ridícula aprovação na CDHM ainda tem chão até virar Lei. Já o ATO MÉDICO foi sancionado e só falta a assinatura da Dona Dirluma. E pouquissima gente sabe do que se trata e a quem serve. Na verdade só os diretamente e profissionalmente afetados é que entraram nessa luta que já dura 10 anos. Mas de fato é uma importantíssima conquista da classe médica no sentido de FORTALECER SEU MONOPÓLIO SOBRE O SISTEMA DE SAÚDE BRASILEIRO. Todos nós que utilizamos serviços de medicinas alternativas, a começar pela ACUPUNTURA, entramos pelo buraco: a aplicação e manipulação de agulhas são de competência exclusiva de pessoas formadas em medicina no Brasil, ou seja, seu acupunturista formado na china não pode usar agulhas, seu tatuador não pode, a clinica de estética onde vc faz seu botox ou seca suas veias, etc. Assim como só os fofoletos vão poder dar diagnóstico de qualquer coisa.... sua dor nas costas que vc tratava no quiroprata, ou na massoterapeuta, ou na fisioterapeuta, ou no pilates, não pode mais ser diagnosticada por estes profissionais, SÓ MÉDICOS podem fazer diagnósticos mesmo não sendo especializados no seu problema e só eles podem receitar tratamentos, que a gente já sabem que são kilos de remédios. Já não vivêssemos amordaçados numa máfia inescrupulosa chamada classe médica, agora eles estão sustentados legalmente em seu monopólio. Isso é de uma gravidade que acho que poucas pessoas se dão conta....... 70% dos atendimentos em hospitais públicos hoje são de sintomas de baixa gravidade que poderiam ser facilmente resolvidos por diversas medicinas alternativas, melhorando a saúde da população e diminuindo a dificuldade nos atendimentos. Mas com isso quantos remédios deixariam de ser vendidos e quantas consultas inúteis deixariam de ser pagas. E a máfia dos seguros de saúde que está por detrás disso tudo????? É uma pena que essa luta não tenha sido suficientemente organizada.....

CURA GAY

Não pense você meu caro ingênuo amigo, que a Cura Gay tão veementemente proposta pelos evangélicos e correlatos, é uma iniciativa do pensamento conservador que tenta preservar os “bons costumes”; ou uma tentativa de salvaguardar os desígnios divinos de preservar o casal perfeito; ou ainda uma vontade do Feliciânus de demonstrar seu poder impondo a mais surrealista proposta dos últimos tempos. Não, meu amigo você não tá entendendo.

A proposta da Cura Gay nada mais é do que uma nova versão da antiga tática tão desenvolvida pela Indústria Médica e Farmacêutica: cria-se a doença para depois enriquecer vendendo a cura.

Se instituída a Cura Gay fica estabelecido que a homoafetividade É uma doença curável e sendo assim um novo nicho mercadológico vai explodir, principalmente nas igrejas evangélicas e afins. Aliás, parece que essas igrejas dedicam mais tempo criando novos produtos comercializáveis do que orando. Se até o cheiro de Cristo é negociável, que dirá a tua opção sexual. Os feliciânus da vida buscam postos de poder justamente para implantar as facilidades para seu enriquecimento financeiro.

Isso é fichinha perto da megalomaníaca criação que a indústria farmacêutica faz do câncer, que ainda não cria tumores na alma para não contradizer a própria medicina, mas já vendendo tumores futuros; ou a industria alimentícia que incentiva a gente comer plástico achando gostoso pra depois passar o resto da vida tratando o coitado do estomago que não produziu enzimas pra dissolver o que nem a natureza-mãe consegue....

Mas essa tática de criar o problema pra lucrar com a solução foi profundamente, ardilosamente e eficazmente desenvolvida pela Igreja Católica e afins: criou-se o diabo para vender o exorcismo, seja ele com passes ou oração.

Na versão política cria-se o inimigo terrorista pra vender a guerra.

E assim caminha a humanidade. Para trás.



segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Chão do Brasil vai tremer.

Linda movimentação pelo Brasil todo. Não me emociona mas acho legal, acho importante que a gente sinta o quanto de coisa é possível ser feita em grupo.

O que mais acho legal é como essa onda se estruturou pela internet, pelas ruas, pelas vontades. É assim a democracia: da gente pra gente. Com a soma de tantos corpinhos no espaço das ruas amanhã vamos acordar mais confiantes. E essa confiança é fundamental pra tomar decisões.

20 centavos foram suficientes pra provocar essa união; 20 centavos e muitas balas de borracha foram o estopim contra uma presidenta MUDA, que se movimenta sorrateira e nunca assume publicamente nada. Começamos gritando por nossos índios que continuam abandonados, depois pelos direitos humanos fora das mãos dos reacionários que vem fazendo a festa na política, Belo Monte, Copa do Mundo, e nossa paciência muito esgotada. A turma do oba oba no Congresso, gente condenada assumindo cargos, a ÉTICA no lixo. E a presidenta não fez nada. Ah, fez sim, foi torrar dinheiro público em viagens pessoais. Isso só pra falar dela e não gastar o teclado listando do topo ao chão o bando de políticos inúteis enriquecendo.

Agora estão aí os brasileiros nas ruas como há muito não se via. A política brasileira hoje vai ter pesadelos porque essa onda não termina agora. É uma tsunami que está se formando e o país do futuro está despertando. A kundalini do planeta está debaixo da America Latina e nosso chão vai tremer. Sem guerras.

Amanhã seremos um país diferente. NOVO BRASIL.


sábado, 15 de junho de 2013

Onde está nosso poder?

Tá, a movimentação é extremamente importante.

Importante como exercício de uma democracia, em verdade, nunca experimentada.

Importante sair às ruas e gritar protestando contra todos os abusos, e contra cada um deles.

Importante arrancar à força os véus da hipocrisia democrática e revelar que nossa liberdade termina na esquina de onde surge o pelotão de fuzilamento dos nossos sonhos.

Um protesto é muito, mas não é nada.

Pode-se quebrar uma turquia inteira e não se tira o poder do poder!!

Protestos de rua, marchas e catazes tem validade se forem entendidos como expressão, mas não são poder. O que causa mudanças não é gritar na rua, isso é expressão e sintoma; tá aí o Feliciano no cargo e continuam matando indios e gays!!!

O que causa mudanças não é abaixo-assinado, e nem votar nas eleiçōes já que as opçōes nos são "oferecidas"!!

Não somos livres. Como disse mestre Mujica: somos comandados pelo proprio sistema que criamos.

Reclamar na rua, apesar da importância didádica, é a prova de que aceitamos nossa condição de comandados. Nosso poder não é do grito, do voto, nem da paralizaçao completa; isto tudo está previsto na democracia liberalista consumista protofascista!!!! Achar que o berro muda alguma coisa sobre as estruturas do poder é santa a ingenuidade!!! Expressão não é ação eficaz.

Poder se enfrenta com poder!!!

A passeata é uma herança do sistema paternalista em que ainda estamos afundados. Somos adolescentes reclamando pros papais que não gostamos das regras e pedimos mudanças. Pedimos? Exigimos?? rs. Isso é assim aqui e no mundo. De fato nosso senso de coletividade mundial é imaturo.

As mudanças vem das mudanças de comportamentos; nosso poder é o economico, o poder de consumo. As bocas vão gritar e tomar pedrada até emudecer e nada vai mudar nada se continuarmos alimentando o poder com o dinheiro e a força do nosso trabalho, da nossa potencia. Quer gritar na rua? Grita, ajuda a provocar questionamentos e TALVEZ provoque mudança de comportamento.

Mas sem assumir as rédeas da propria vida conseguindo controlar seus vicios, suas dependencias, suas violencias, sem isso estaremos alimentando o poder desses que decidem os 20 centavos que estamos devendo!!! O dia que conseguirmos que duas mil, cem mil ou 3 milhōes de pessoas (como numa passeata gay) deixem de consumir um produto ou um serviço, ai sim os ratos sentados em tronos vão começar a se mexer!! Mexe no bolso deles. Não dos politicos porque são uns abobados, mas dos donos da nossa vida que não se incomodam nem um pouquinho com kilos de pessoas carregando cartazes!!!

Não, não acho que estamos mudando nada além de assunto no facebook.

Tomemos o poder mas não à moda da Revolução Francesa por favor!!! Trocar quem senta no trono?? Rsrs.

Vamos nos tornar adultos nos responsabilizando por nossas açōes individuais, porque é como individuos unicos que nos tornamos coletivos. Em grupo nas ruas somos massa e coletividade é bem diferente disso.

Haddad vai quebrar as pernas do movimento dando voz a ele, já que o Alckimim burro fez ele crescer com a repressão. Mas de fato nada vai mudar, nem nós mesmos. Estamos na ditadura ainda, não só pela reação policial mas pela nossa postura inocente que fortalece o paternalismo o tempo todo. 

Não é para os governantes nossos gritos e cartazes, tem que ser pra nós mesmos, ou a passeata é uma palhaçada infantil.

Não queria estragar a brincadeira mas o buraco é bem mais embaixo. Sair nas ruas é fácil, e não me venha com esse papinho de vamos tirar a bunda da cadeira. Tirar a bunda da cadeira não é sair do facebook pra av paulista. É sair da zona de conforto criada para alimentar o sistema. Zona de conforto mental, comporta-mental!!

Vamos entender ONDE está nosso poder e aí sim conseguimos dominar o mundo!! 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

INDIOS BRASILEIROS E A DEFESA DA CULTURA


Quem dá sua vida pra preservar sua Cultura sabe o valor de existir!!! Quem vende sua cultura pra sustentar sua vida não conhece o sentido da sua existência!! Na sociedade de consumo nossa cultura vira produto, e como tal é submetida às regras do mercado; já não é mais cultura, é entretenimento, palhaçada, picaretagem, qualquer outra coisa menos Cultura. Na sociedade de consumo ficamos paralisados, estamos mortos, porque um povo que não pode expressar sua cultura não existe. É disso que os indios estão falando, é contra isso que estão lutando. Podem se adaptar, claro que podem. Mas não podem se desculturalizar, ou percebem que vão morrer. Não estão brigando por "terra" no sentido de propriedade econômica como a vemos hoje. Estão brigando por terra no sentido de propriedade cultural. Os índios brasileiros são hoje a mais contemporânea manifestação social dos conflitos éticos ( e não apenas etnicos) a que a sociedade de consumo chegou!!! Conseguir INCLUIR esses povos nessa sociedade confusa e desorientada em que vivemos é nosso grande desafio. Estar surdos aos seus reclames é infertilizar nosso futuro. PRECISAMOS PERCEBER A GRAVIDADE DO CONFLITO PORQUE NOS AFETA A TODOS DIRETAMENTE. E, PIOR, PRECISAMOS ENFRENTAR NÃO APENAS O AGRO-NEGÓCIO E O GOVERNO MAS O PRECONCEITO CONSERVADOR QUE ESTÁ INFILTRADO ENTRE NÓS. ESCLARECIMENTO É A MELHOR ARMA CONTRA O PRECONCEITO.






domingo, 21 de abril de 2013

HIPÓCRATES

QUE TEU ALIMENTO SEJA TEU REMÉDIO,
QUE TEU REMÉDIO SEJA TEU ALIMENTO.



MEDO DE OLHAR PRA SI MESMO - Leo Cavalcanti

Pare de sofrer de antemão
- não se julgue um cão -
Saiba que é difícil, sempre no início dá muito medo de olhar
pra si mesmo
Saiba que o ego é ilusão
- é um falso chão -
O verdadeiro ofício é se livrar do vicio
de se por um titulo e viver a esmo
Pra que se machucar com tão inútil contradição
Esse jogo insaciável de apego e aversão
Se desvalorizar é o mesmo que se super-amar
Ambos querem excluir o resto do mundo
Enquanto o seu tesouro fica preso lá no fundo






quarta-feira, 10 de abril de 2013

A Disputa pela Presidência em 2014


Briga entre peçonhentas: a bancada evangélica percebeu que tem força política e base econômica suficientes para disputar a presidência do Brasil.

(não acredito que estou tendo que escrever isso!!)

Como em toda disputa pelo poder na democracia imunda de modelo norte americano, uma dança de jorros venenosos tem inicio. A pornografia só não vai ser pior agora porque a dita bancada sabe que só tem força se permanecer unida, então as cobras peçonhentas como esses homens sem escrúpulos que temos visto se apoderando da fama política, vão ter que brigar entre si mantendo sorrisos.

Claro que a falta de escrúpulos é uma tendência na política brasileira independente de credo, mas a bancada evangélica se supera no fundamentalismo religioso dando "valor" a essa inescrupulosidade.

Evangélico brasileiro já está sendo comparado a fundamentalista talibã,
sem exageros.

Só depois de mais poder consolidado é que veremos a verdadeira face dessa onda (que de buena não tem nada) quando os assassinatos, corrupções, golpes e estupros começarem a pular feito telecine pipoca!!!!

Quem tem lido, como a idiota aqui, a imprensa gospel e anti-gospel especializada já assiste a disputa pela representação dessa bancada. Malafaia candidato natural está sendo ameaçado pela súbita fama de Feliciano patrocinada por nós, os anti-anti. O jogo de dossiês é que vai decidir que nome será lançado (como é de praxe no país) com a diferença que nessa disputa veremos um show de retórica (especialidade evangélica) na qual Feliciano saiu em disparada.

Qualquer pessoa que teve um mínimo ímpeto esquerdista
ou humanitário
se arrepia com os discursos infantis e perigosos felicianeses
de quinta categoria lógica.
E se entristece na alma com o empobrecimento humano
inspirado por esses comandos
e reverberados numerosamente
feito funk carioca.

E nesse sistema de democracia burra seremos obrigados a nos "coligar" entre os que sobram pra não afundar o Brasil do futuro na idade média revisitada. Que perspectiva temos de coligação se a promessa de renovação (simbolizada por Marina Silva e sua Rede) já é encabeçada por uma frequentadora do encontro anual da Assembleia de Deus???????????? Que promete separar seu credo da conduta religiosa como se a opção de fé não fosse já uma atitude politica perante a vida??

Não é a Dilma que está sendo engessada, somos nós diversidades desarticuladas.

Como diz o ditado: o ruim sempre pode piorar, mas tenho fé (não em deus mas em Espinoza) que a Natureza encontra sempre um caminho para se auto-regular e TUDO que excede se esgota. À custa da dor, mas se esgota.

Portanto essa corja um dia vai encontrar seu fim (até que outra floresça), mas nosso problema é: o quanto vamos pagar até esse dia chegar!!!
Como um bom sábio chinês não resistir seria a melhor conduta para que se destruam sozinhos, mas haja bambu pra envergar vendo e ouvindo tanta barbaridade!!!

Boa fortuna pra todos!!!





quarta-feira, 27 de março de 2013

A REAL DEMOCRACIA VIRTUAL


Quem acredita que a “vida real” é APENAS aquela que acontece fora do computador perdeu a noção de realidade!!! Quem entende que uma rede social como o Facebook é APENAS um painel de compartilhamento de fofurices não saiu do mundo infantil. A internet transformou todos os conceitos que existiam antes de sua chegada. Eu disse todos. Nossas relações afetivas, econômicas, culturais, geográficas, linguísticas, psicológicas, extratosféricas, todas foram redimensionadas a partir da internet. E quanto mais ela cresce mais transformações somos obrigados a fazer. OBRIGADOS.

A internet não é somente um novo meio de comunicação, tipo um telefone expandido. Ela é um novo meio de comunicação que modificou nossa percepção da realidade.

Para quem insiste que a internet não é vida real e que a vida propriamente dita é a que acontece na rua, exclusivamente, vamos a exemplos.

1.  A mocinha tunisiana, Amina, expôs os seios no seu perfil de facebook, não na rua, nem numa mesquita, nem na festinha de aniversário do primo; apenas no facebook. No momento está foragida, escondida para não ser morta, e por morta quero dizer a perda das funções vitais do seu corpo físico e não a perda do seu perfil no facebook (isso já fizeram os hackers que se sentiram agredidos por suas fotos);

2.  A partir desse evento, ao invés de discutir o assuntos com minhas amigas na balada de sábado, eu passei a discutir o assunto diretamente, a qualquer momento,  com pessoas de todo o mundo: pude refletir sobre argumentos de mulheres e homens muçulmanos contrários a atitude da mocinha, que conversaram comigo, assim como dialogar com pessoas em outras línguas (árabe, basco, italiano, francês e inglês) sobre nossas semelhanças. Ampliei meu espectro de compartilhamento de reflexões do meu bairro pro mundo todo!!! Fui chamada de irmã por uma mulher que nem conheço, que usa véus, fala em árabe mas que traz no seu coração algo muito semelhante ao que trago no meu. Somos a Humanidade;

3.  A escolha do deputado Feliciano para a CDHM antes da internet teria sido uma noticia de jornal. Em casa ficaríamos revoltados com o absurdo, reclamaríamos nas rodas de amigos ou no trabalho. Qualquer movimentação conjunta de protesto dependeria da liderança de uma Ong, um diretório universitário ou um sindicato de qualquer coisa. Decidida a passeata a divulgação seria feita por folhetos impressos a serem distribuídos pessoa a pessoa, e obviamente só meia dúzia ficaria sabendo do evento e muitos dias depois. Pela internet a informação chega na mesma hora em que acontece e em dois dias uma passeata para 2 mil pessoas estava montada em São Paulo e outras tantas em várias capitais.  Essas passeatas deram força popular para que deputados (nossos representantes) gerassem uma frente parlamentar que sem o respaldo social seria uma piada. Essa movimentação pela rede social tornou o assunto internacional trazendo o apoio tanto de entidades ligadas ao tema quanto de cidadãos de outras nacionalidades, brasileiros residentes em outros países e etc. Teve resultado político? Alguns vão dizer que não porque o tal deputado eleito continua no cargo, mas essa visão é imediatista. O resultado é assustador, pois a manutenção do cidadão no cargo tornou-se uma afronta contra a vontade popular, ou seja, anti-democrática, e também ajustou a saia vermelha da Presidência da República; além disso mostrou para o cidadão como é fácil e proveitoso reinvindicar algum direito que antes parecia tão trabalhoso e que, aos poucos, vai ser comum em nossas vidas;

4.  Outro caso marcante foi o movimento em prol da proteção dos índios Guarani-Kaiowás. Índios são mortos e exterminados a pelo menos 500 anos. Todos os governos até então fizeram muito pouco, ou nada, para modificar esse quadro de extermínio. Por causa da internet, os próprios índios tornaram sua causa internacional e passaram a conseguir algum apoio de ONGs especializadas e estrangeiras. No evento em que alguns poucos índios ficaram isolados e ameaçados de morte em defesa de sua terra, uma explosão de manifestações tomou conta do facebook. Nesse caso a passeata de rua nem teve a mesma importância do que a manifestação online pelas próprias características do evento. O mundo olhou para aquele pequeno alqueire de terra e prestou atenção ao que estava acontecendo ali. O mundo se questionou sobre qual é a relação entre o índio e a civilização atual, pois as informações dos livros de historia estavam desatualizadas. O Brasil pode conhecer em que condições os proprietários de terra vem crescendo seu patrimônio; descobrimos de quem são as terras do Brasil e o quanto dezenas de deputados vem investindo nessas terras colaborando para esse extermínio;

5.  Através da internet passamos a ter acesso (ou a possibilidade de) a todas as informações que antes ficavam escondidas do conhecimento público: quanto ganham e o que ganham nossos deputados, como é distribuída a renda do país, enfim todo o esquema que sustenta a sociedade de consumo, a política econômica e social, falcatruas, mensalões,  subornos de políticos e juízes, etc, etc, etc, todas essas informações são distribuídas como rastilho de pólvora entre cidadãos. Tornamo-nos jornalistas (assim como nos tornamos cantores, modelos, atores, produtores musicais, advogados, políticos...);

6.  Pelas redes sociais temos servido eficazmente para encontrar pessoas desaparecidas, animais desaparecidos, encontrar criminosos de vários tipos, a ponto de que todos os sistemas de investigação e policiamento já estarem presentes e atuantes nas redes. Se antes podíamos ler o caso do rapaz que saiu de casa para ir ao cursinho e desapareceu, nos jornais e lamentarmos em casa, hoje colaboramos na procura e, como nesse caso que terminou com o falecimento do menino, pudemos ir diretamente dar nossos pêsames à família. O irmão do rapaz (assim como tantos outros casos) deu um belíssimo depoimento no seu perfil de facebook dizendo o quanto estava sofrendo com a perda do seu irmão, mas o quanto a presença de tantos desconhecidos tinha sido reconfortante para sua dor: “perdi um pedaço de mim, mas ganhei muito amigos”.

Poderia lista centenas de fatos que vem acontecendo desde em proporções tão particulares como em extensões políticas como greves gerais ou rebeliões civis em outros países.

E para citar talvez o mais significativo exemplo do quanto a internet É A VIDA REAL, hoje se sabe que acontece (há décadas) uma guerra fria entre países, de proporções catastróficas. Se vivemos o século passado sob a ameaça das bombas atômicas, hoje elas estão obsoletas; a indústria bélica é menos uma necessidade bélica e mais um sistema econômico. A guerra mesmo, com alcances sem precedentes, é pela internet. Os principais países do mundo estão investindo trilhões no desenvolvimento de tecnologias de proteção e ataque informatizado. O poder de entrar em todo sistema informatizado de um país inimigo possibilita o desligamento (por exemplo) de equipamentos de vários setores que colocariam um pais num caos autodestrutivo. Toda nossa vida real está associada a maquinas, a softwares, que se hackeados conseguem causar autodestruição em minutos, sem afetar o país vizinho. É só refletir sobre tudo que está associado à tecnologia, a começar pela eletricidade!!! Os prejuízos financeiros e físicos são inestimáveis.

Pierre Levy há 20 anos demonstrou a importância e alcance da internet nos mostrando que a revolução provocada por esse evento não tem precedentes na historia humana e nem retorno. Contudo, mostrou também que é a internet que traz para a humanidade a possibilidade de conhecer a REAL democracia. A internet vai eliminando representantes e intermediários. Hoje não precisamos de sindicatos para promover passeatas, não precisamos de jornais para receber informações e aos poucos iremos eliminar outras mediações podendo expressar nossas opiniões diretamente como prevê a democracia. Levy imagina um momento em que possamos votar leis diretamente prescindindo do poder legislativo e gerando uma gestão mais participativa da comunidade toda. Eliminaremos empregos que podem ser substituídos por softwares e teremos mais tempo para passear nos parques sem precisar cumprir jornadas tão extensas de trabalho. O teórico entende que o desenvolvimento tecnológico não causa dependência, mas liberdade (que causa a dependência e escravidão é a ambição); a distribuição democrática da informação e do poder de decisão vai tornar nossa organização social mais igualitária e libertária. E mesmo que os donos do mundo, donos do poder atual não queiram e resistam fortemente como estão fazendo, a velocidade com que a informação está circulando e modificando mentes e comportamentos, está fora do controle de qualquer estrutura. Estamos pensando e agindo cada vez mais democraticamente, com uma visão globalizada e humana do mundo. Não tem volta.