domingo, 21 de abril de 2013

MEDO DE OLHAR PRA SI MESMO - Leo Cavalcanti

Pare de sofrer de antemão
- não se julgue um cão -
Saiba que é difícil, sempre no início dá muito medo de olhar
pra si mesmo
Saiba que o ego é ilusão
- é um falso chão -
O verdadeiro ofício é se livrar do vicio
de se por um titulo e viver a esmo
Pra que se machucar com tão inútil contradição
Esse jogo insaciável de apego e aversão
Se desvalorizar é o mesmo que se super-amar
Ambos querem excluir o resto do mundo
Enquanto o seu tesouro fica preso lá no fundo






quarta-feira, 10 de abril de 2013

A Disputa pela Presidência em 2014


Briga entre peçonhentas: a bancada evangélica percebeu que tem força política e base econômica suficientes para disputar a presidência do Brasil.

(não acredito que estou tendo que escrever isso!!)

Como em toda disputa pelo poder na democracia imunda de modelo norte americano, uma dança de jorros venenosos tem inicio. A pornografia só não vai ser pior agora porque a dita bancada sabe que só tem força se permanecer unida, então as cobras peçonhentas como esses homens sem escrúpulos que temos visto se apoderando da fama política, vão ter que brigar entre si mantendo sorrisos.

Claro que a falta de escrúpulos é uma tendência na política brasileira independente de credo, mas a bancada evangélica se supera no fundamentalismo religioso dando "valor" a essa inescrupulosidade.

Evangélico brasileiro já está sendo comparado a fundamentalista talibã,
sem exageros.

Só depois de mais poder consolidado é que veremos a verdadeira face dessa onda (que de buena não tem nada) quando os assassinatos, corrupções, golpes e estupros começarem a pular feito telecine pipoca!!!!

Quem tem lido, como a idiota aqui, a imprensa gospel e anti-gospel especializada já assiste a disputa pela representação dessa bancada. Malafaia candidato natural está sendo ameaçado pela súbita fama de Feliciano patrocinada por nós, os anti-anti. O jogo de dossiês é que vai decidir que nome será lançado (como é de praxe no país) com a diferença que nessa disputa veremos um show de retórica (especialidade evangélica) na qual Feliciano saiu em disparada.

Qualquer pessoa que teve um mínimo ímpeto esquerdista
ou humanitário
se arrepia com os discursos infantis e perigosos felicianeses
de quinta categoria lógica.
E se entristece na alma com o empobrecimento humano
inspirado por esses comandos
e reverberados numerosamente
feito funk carioca.

E nesse sistema de democracia burra seremos obrigados a nos "coligar" entre os que sobram pra não afundar o Brasil do futuro na idade média revisitada. Que perspectiva temos de coligação se a promessa de renovação (simbolizada por Marina Silva e sua Rede) já é encabeçada por uma frequentadora do encontro anual da Assembleia de Deus???????????? Que promete separar seu credo da conduta religiosa como se a opção de fé não fosse já uma atitude politica perante a vida??

Não é a Dilma que está sendo engessada, somos nós diversidades desarticuladas.

Como diz o ditado: o ruim sempre pode piorar, mas tenho fé (não em deus mas em Espinoza) que a Natureza encontra sempre um caminho para se auto-regular e TUDO que excede se esgota. À custa da dor, mas se esgota.

Portanto essa corja um dia vai encontrar seu fim (até que outra floresça), mas nosso problema é: o quanto vamos pagar até esse dia chegar!!!
Como um bom sábio chinês não resistir seria a melhor conduta para que se destruam sozinhos, mas haja bambu pra envergar vendo e ouvindo tanta barbaridade!!!

Boa fortuna pra todos!!!





quarta-feira, 27 de março de 2013

A REAL DEMOCRACIA VIRTUAL


Quem acredita que a “vida real” é APENAS aquela que acontece fora do computador perdeu a noção de realidade!!! Quem entende que uma rede social como o Facebook é APENAS um painel de compartilhamento de fofurices não saiu do mundo infantil. A internet transformou todos os conceitos que existiam antes de sua chegada. Eu disse todos. Nossas relações afetivas, econômicas, culturais, geográficas, linguísticas, psicológicas, extratosféricas, todas foram redimensionadas a partir da internet. E quanto mais ela cresce mais transformações somos obrigados a fazer. OBRIGADOS.

A internet não é somente um novo meio de comunicação, tipo um telefone expandido. Ela é um novo meio de comunicação que modificou nossa percepção da realidade.

Para quem insiste que a internet não é vida real e que a vida propriamente dita é a que acontece na rua, exclusivamente, vamos a exemplos.

1.  A mocinha tunisiana, Amina, expôs os seios no seu perfil de facebook, não na rua, nem numa mesquita, nem na festinha de aniversário do primo; apenas no facebook. No momento está foragida, escondida para não ser morta, e por morta quero dizer a perda das funções vitais do seu corpo físico e não a perda do seu perfil no facebook (isso já fizeram os hackers que se sentiram agredidos por suas fotos);

2.  A partir desse evento, ao invés de discutir o assuntos com minhas amigas na balada de sábado, eu passei a discutir o assunto diretamente, a qualquer momento,  com pessoas de todo o mundo: pude refletir sobre argumentos de mulheres e homens muçulmanos contrários a atitude da mocinha, que conversaram comigo, assim como dialogar com pessoas em outras línguas (árabe, basco, italiano, francês e inglês) sobre nossas semelhanças. Ampliei meu espectro de compartilhamento de reflexões do meu bairro pro mundo todo!!! Fui chamada de irmã por uma mulher que nem conheço, que usa véus, fala em árabe mas que traz no seu coração algo muito semelhante ao que trago no meu. Somos a Humanidade;

3.  A escolha do deputado Feliciano para a CDHM antes da internet teria sido uma noticia de jornal. Em casa ficaríamos revoltados com o absurdo, reclamaríamos nas rodas de amigos ou no trabalho. Qualquer movimentação conjunta de protesto dependeria da liderança de uma Ong, um diretório universitário ou um sindicato de qualquer coisa. Decidida a passeata a divulgação seria feita por folhetos impressos a serem distribuídos pessoa a pessoa, e obviamente só meia dúzia ficaria sabendo do evento e muitos dias depois. Pela internet a informação chega na mesma hora em que acontece e em dois dias uma passeata para 2 mil pessoas estava montada em São Paulo e outras tantas em várias capitais.  Essas passeatas deram força popular para que deputados (nossos representantes) gerassem uma frente parlamentar que sem o respaldo social seria uma piada. Essa movimentação pela rede social tornou o assunto internacional trazendo o apoio tanto de entidades ligadas ao tema quanto de cidadãos de outras nacionalidades, brasileiros residentes em outros países e etc. Teve resultado político? Alguns vão dizer que não porque o tal deputado eleito continua no cargo, mas essa visão é imediatista. O resultado é assustador, pois a manutenção do cidadão no cargo tornou-se uma afronta contra a vontade popular, ou seja, anti-democrática, e também ajustou a saia vermelha da Presidência da República; além disso mostrou para o cidadão como é fácil e proveitoso reinvindicar algum direito que antes parecia tão trabalhoso e que, aos poucos, vai ser comum em nossas vidas;

4.  Outro caso marcante foi o movimento em prol da proteção dos índios Guarani-Kaiowás. Índios são mortos e exterminados a pelo menos 500 anos. Todos os governos até então fizeram muito pouco, ou nada, para modificar esse quadro de extermínio. Por causa da internet, os próprios índios tornaram sua causa internacional e passaram a conseguir algum apoio de ONGs especializadas e estrangeiras. No evento em que alguns poucos índios ficaram isolados e ameaçados de morte em defesa de sua terra, uma explosão de manifestações tomou conta do facebook. Nesse caso a passeata de rua nem teve a mesma importância do que a manifestação online pelas próprias características do evento. O mundo olhou para aquele pequeno alqueire de terra e prestou atenção ao que estava acontecendo ali. O mundo se questionou sobre qual é a relação entre o índio e a civilização atual, pois as informações dos livros de historia estavam desatualizadas. O Brasil pode conhecer em que condições os proprietários de terra vem crescendo seu patrimônio; descobrimos de quem são as terras do Brasil e o quanto dezenas de deputados vem investindo nessas terras colaborando para esse extermínio;

5.  Através da internet passamos a ter acesso (ou a possibilidade de) a todas as informações que antes ficavam escondidas do conhecimento público: quanto ganham e o que ganham nossos deputados, como é distribuída a renda do país, enfim todo o esquema que sustenta a sociedade de consumo, a política econômica e social, falcatruas, mensalões,  subornos de políticos e juízes, etc, etc, etc, todas essas informações são distribuídas como rastilho de pólvora entre cidadãos. Tornamo-nos jornalistas (assim como nos tornamos cantores, modelos, atores, produtores musicais, advogados, políticos...);

6.  Pelas redes sociais temos servido eficazmente para encontrar pessoas desaparecidas, animais desaparecidos, encontrar criminosos de vários tipos, a ponto de que todos os sistemas de investigação e policiamento já estarem presentes e atuantes nas redes. Se antes podíamos ler o caso do rapaz que saiu de casa para ir ao cursinho e desapareceu, nos jornais e lamentarmos em casa, hoje colaboramos na procura e, como nesse caso que terminou com o falecimento do menino, pudemos ir diretamente dar nossos pêsames à família. O irmão do rapaz (assim como tantos outros casos) deu um belíssimo depoimento no seu perfil de facebook dizendo o quanto estava sofrendo com a perda do seu irmão, mas o quanto a presença de tantos desconhecidos tinha sido reconfortante para sua dor: “perdi um pedaço de mim, mas ganhei muito amigos”.

Poderia lista centenas de fatos que vem acontecendo desde em proporções tão particulares como em extensões políticas como greves gerais ou rebeliões civis em outros países.

E para citar talvez o mais significativo exemplo do quanto a internet É A VIDA REAL, hoje se sabe que acontece (há décadas) uma guerra fria entre países, de proporções catastróficas. Se vivemos o século passado sob a ameaça das bombas atômicas, hoje elas estão obsoletas; a indústria bélica é menos uma necessidade bélica e mais um sistema econômico. A guerra mesmo, com alcances sem precedentes, é pela internet. Os principais países do mundo estão investindo trilhões no desenvolvimento de tecnologias de proteção e ataque informatizado. O poder de entrar em todo sistema informatizado de um país inimigo possibilita o desligamento (por exemplo) de equipamentos de vários setores que colocariam um pais num caos autodestrutivo. Toda nossa vida real está associada a maquinas, a softwares, que se hackeados conseguem causar autodestruição em minutos, sem afetar o país vizinho. É só refletir sobre tudo que está associado à tecnologia, a começar pela eletricidade!!! Os prejuízos financeiros e físicos são inestimáveis.

Pierre Levy há 20 anos demonstrou a importância e alcance da internet nos mostrando que a revolução provocada por esse evento não tem precedentes na historia humana e nem retorno. Contudo, mostrou também que é a internet que traz para a humanidade a possibilidade de conhecer a REAL democracia. A internet vai eliminando representantes e intermediários. Hoje não precisamos de sindicatos para promover passeatas, não precisamos de jornais para receber informações e aos poucos iremos eliminar outras mediações podendo expressar nossas opiniões diretamente como prevê a democracia. Levy imagina um momento em que possamos votar leis diretamente prescindindo do poder legislativo e gerando uma gestão mais participativa da comunidade toda. Eliminaremos empregos que podem ser substituídos por softwares e teremos mais tempo para passear nos parques sem precisar cumprir jornadas tão extensas de trabalho. O teórico entende que o desenvolvimento tecnológico não causa dependência, mas liberdade (que causa a dependência e escravidão é a ambição); a distribuição democrática da informação e do poder de decisão vai tornar nossa organização social mais igualitária e libertária. E mesmo que os donos do mundo, donos do poder atual não queiram e resistam fortemente como estão fazendo, a velocidade com que a informação está circulando e modificando mentes e comportamentos, está fora do controle de qualquer estrutura. Estamos pensando e agindo cada vez mais democraticamente, com uma visão globalizada e humana do mundo. Não tem volta.






quinta-feira, 14 de março de 2013

de PEIXES para o AQUÁRIO


Antes estávamos peixes. Agora seremos O aquário. Menos focados no que somos e mais onde estamos contidos. Mais Meio Ambiente. Menos focados NA PARTE, como se fosse à parte do todo; o todo se torna visível: a era da transparência.  Do ponto para a onda. Sem centro, plural. Do apreensível para o "experenciável". Menos controle e mais fluidez. Não mais a multiplicação dos peixes, a luta pela sobrevivência; e sim a multiplicação das consciências, sem luta, apenas fluência. Se peixes, ficamos presos às redes.... Quando aquários, oceanos, somos livres ainda que interligados. Quando não existe fundo sem superfície nem superfície sem fundo. Entre peixes importa o forte e o fraco; no oceano isso não faz diferença. Peixe fora d'água é peixe morto, portanto a convivência é obrigatória e a responsabilidade está distribuída: uma casa só para todos. Compartilhar é sinônimo de existir. Agora o foco é no conjunto. Com e junto. Antes peixes, remar contra a maré fazia sentido quando era individual o sentido do coletivo; agora aquários o sentido está NA maré e quem rema contra se perde do coletivo; impede o coletivo. Sempre cada um por si porque somos afinal peixes, mas visto agora a partir do aquário. O fluído transmuta a ação, trans forma, constante e infinito. Agora é sendo.



quinta-feira, 7 de março de 2013

Peça é proibida em São Paulo

Sobre a proibição do espetáculo LONDON, do grupo Satyros em São Paulo, devido a um pedido feito pela mãe da menina Isabella Nardoni, após várias manifestações que já publiquei no meu facebook, venho destacar essa; o texto abaixo é uma resposta a publicação de Paulo Santoro em seu blog onde coloca que toda questão é uma discussão juridica entre os direitos das partes.


Arte não se enquadra em "liberdade de expressão", a não ser para os juristas claro.

O direito à liberdade de expressão é aquele que qualquer cidadão tem de se manifestar, de manifestar suas opiniões. O que o artista faz numa obra não se limita a isso!!!

Não estamos apenas reclamando o direito de um se defender contra o do outro de se expressar, como querem os advogados, que seria um problema juridico, como se pretende apontar.

Não. A arte não se enquadra no âmbito juridico da livre expressão, por favor!!!! Isso a gente gritava no tempo da ditadura quando dizer "merda" já era uma conquista.

Não se pode relacionar juridicamente um direito pessoal (como o tem a mãe da Isabella, e isso ninguém nega) contra o âmbito da criatividade na qual a arte se insere.

Não podemos normatizar a criatividade sem consequências desastrosas para sociedade.

Sentados na platéia do teatro ninguém pode gritar "fogo" se o teatro não estiver se incendiando (como argumenta em seu blog Paulo Santoro justificando os limites da liberdade de expressão, ao qual estou respondendo com este texto).

NO PALCO PODE!!!!!! Dentro do mesmo teatro onde a sociedade tem que restringir sua "liberdade de expressão" em prol da coletividade, no palco o artista pode gritar fogo desesperadamente e se descabelar. Pode esfaquear uma bonequinha chamada Isabella sem ir pro sanatório, pode ter uma personagem que diga que a raça negra é imunda, sem ir preso por dar esse texto. OU NÃO????? qual é a diferença entre a arte e a liberdade de expressão de um cidadão???? Vamos normatizar as obras??? A partir de quais conceitos??? DAS LEIS???? Essa diferença fundamental muitas pessoas estão negando!! É o fim do conceito de arte!!!!








SE ISSO NÃO É CENSURA ENTÃO TEATRO TAMBÉM MUDOU DE NOME!!!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Alcoolismo: a dose certa de manipulação

O alcoolismo é uma vivência triste e incentivada por nossa sociedade. A maioria confunde diversão com ingestão alcoolica, liberdade de expressão com ingestão alcoolica, fuga do tédio, desinibição sexual , etc.... Quem bebe sente que está sendo rebelde e livre de amarras. Até refrescância corporal é confundida com ingestão alcoolica!!! E na verdade o incentivo ao alcoolismo, lucrativíssimo, é à base de fortunas!!! Boteco é o primeiro comércio a abrir e muita gente começa o dia virando uma!! Mas as consequencias do alcoolismo na vida, ninguem atenta; o mito do alcoolatra jogado na rua é uma ilusão construída para ninguém perceber o quanto já está aprisionado à bebida. Comportamentos como mentira recorrente, falta de respeito e atenção aos relacionamentos afetivos, baixa auto estima, medos profissionais, agressividade, intolerância, etc, são caracteristicos do consumidor de alcool, em maior ou menor grau. Comportamentos não exclusivos desses consumidores mas que são agravados e descontrolados proporcionalmente ao consumo.

E se o consumo é altamente incentivado na tv, jovens ingerem bebida muito cedo, sendo pratica comum no Brasil, dar golinhos de alcool para os filhos menores de 10 anos; há quem se divirta colocando em mamadeira, até para adormecer os bebes!!! Esse é um dos problemas mais graves e cronicos de saude publica que temos no Paísl!! E é assim no mundo todo.

Se o comportamento individual é alterado, imagine o comportamento coletivo o quanto não está sendo manipulado com o excesso de incentivo e consumo!

Não beber é um ato de protesto!!!

A frase correta é: se beber não dirige (a própria vida)!!!!

Vc pensa que é livre quando bebe, mas está sendo manipulado e amortecido. Talvez sem bebida vc se tornasse um homem criativo e um contestador social. Mas enredaram vc no alcoolismo!!! Agora vc é só mais um homem fraco que se deixa manipular estragando a propria vida e enchendo o cu deles de dinheiro!!! Que pena hein!!!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

MELANCOLIA DE UMA DEMOCRACIA ROUBADA


O Canalheiros ganhou. Aliás nem disputou né: tinha um outro candidatozinho ali só pra gente achar que o processo é democrático.... Esses legisladores a quem delegamos NOSSO poder fazem a festa!!! Usam um poder que não lhes pertence, porque é nosso. Mas estamos tão acostumados a delegar nossa potência às instituições, que ficamos assim chupando o dedo enquanto eles só trocam as siglas dos partidos, os nomes das religiões, as embalagens dos iogurtes. Deus manda no destino, o presidente manda no país, as leis mandam no meu discernimento, a ciência manda na minha saúde, as normas mandam no meu prazer, as indústrias mandam no meu gosto..... todo mundo lucrando sobre minha incapacidade de assumir minha própria Vontade, sobre meu medo de encarar minha própria Potência. Delego pra todo lado minha grandeza e fico como uma mendiga vazia de esperança, vazia de paz, doente, carente, descrente.

Não vou me encher de culpa porque esse é o jogo deles: me paralisar me diminuindo. A cada dia, na simplicidade do meu coração, vou desconstruindo meus hábitos que sustentam essa realidade. Todo dia limpando a casa e a minha consciência jogando no lixo esses simulacros de vida que me venderam. Apontada em direção à alegria, recuperando um diálogo com a natureza de quem aprendi a me proteger ao invés de saborear, aos poucos vou sentindo mais espaço interno diminuindo a opressão. Quanto mais criatividade percebo na relação com o que me acontece, mais liberdade sinto. Tento não assumir os papéis que me conferem, não voto, não rezo, ainda compro; mas compro menos. Faço cada vez mais questão de abraçar as pessoas, com braços ou palavras, arrancar sorrisos. Faço cada vez mais questão de compartilhar o que percebo, e de exigir respeito ao que sou. Eu não sei que vida existe fora desse jogo, mas estou percebendo que pegando de volta o que é meu, minha autonomia, vou saindo desse papel de escrava que venho cumprindo. Só sei que apesar do caminho ser completamente individual, o exercício é coletivo...... 






sábado, 26 de janeiro de 2013

Que "cara" o Brasil quer ter? ou A Indústria da Religião


Cada um de nós cria aos olhos dos outros uma “cara”, uma personalidade, na forma como nos vestimos mostramos nossas escolhas de comportamento; nas nossas atitudes revelam-se como pensamos o mundo. E assim, que nos vê e se relaciona conosco adquire uma imagem de nós, a partir da qual vai se relacionar. Mais ou menos assim.

Uma nação, também tem sua “cara”: há um conjunto de características que diferencia o povo americano do povo alemão. E para além do “povo” existe uma “entidade” que é o próprio país: a partir daquilo que produz, planta, comercializa, etc, ele estabelece um perfil de si mesmo. Essa resposta não é nada simples e envolve as muitas facetas que formam o perfil de uma nação.

O Brasil vem se dedicando à venda da imagem de “paraíso tropical” mais do que nunca; nem tanto pelas bananeiras e praias maravilhosas, que vão sempre atrair turismo (já mais caro para brasileiros do que viajar até Paris), mas por se mostrar o “mundo das oportunidades”. Aqui pode tudo!!! E, para o Capitalismo, paraíso é sinônimo de oportunidade. A faceta liberal, principalmente no quesito econômico, só falta atrair os magnatas de Dubai com seus castelos de ouro.

Aparentemente essa abertura foi excelente alavancando nossa economia; agora já aponta que para toda ação do presente há uma responsabilidade futura.

A indústria automobilística é o exemplo mais característico dessa liberalidade que rende muitos frutos para cofres atuais, construindo a olhos vistos um futuro catastrófico em médio prazo.

Quem vai estabelecer os limites para nossa vida?
Quem vai escolher até onde vale à pena
sofrer determinadas consequências
para adquirir certos lucros?

Já tem país por aí em que as pessoas usam máscaras, tamanha a poluição em que vivem, e com taxas elevadas de mortes decorrentes dessa poluição. Vale à pena? Quem faz essa escolha? E se no certo país conseguem viver assim, então nós que não usamos máscara (ainda) podemos continuar com a desenfreada venda de automóveis, certo? Puf. Essa problemática que envolve a indústria automobilística é tão ridícula e conhecida que nem merece desenvolvimento, se não, comprar máscaras antes que subam os preços....

Mas o que pretendo destacar no momento é o crescimento avassalador da “indústria da religião”, que vou nomear “indústria” pela forma como vem se estruturando o setor e pelo alcance econômico que atingiu. A matéria-prima é a fé, ou algo que leva esse nome, e a partir dela são criados um número cada vez maior de produtos; e pela natureza própria o potencial é infinito!!!

Em várias civilizações aparece a comercialização da fé, talvez desde que o comércio foi criado, justamente por ser uma exploração fácil, com um investimento econômico inicial zero e ganhos imediatos, no mínimo. Hoje com o desenvolvimento da complexidade do setor, mega investimentos são feitos com ultra mega lucros garantidos.



Porém, alguns países, coincidentemente de perfil liberalista, estão se destacando no desenvolvimento desse setor econômico, principalmente Brasil e EUA.

De todos os comércios religiosos que são encontrados praticamente em todas as manifestações religiosas, aquele ligado às igrejas ditas evangélicas teve o avassalador crescimento acima referido.

Embora encontremos a exploração comercial da fé desde os tempos primórdios e em diferentes culturas, a relação interna entre os princípios religiosos específicos e o comercio de artefatos ou da própria fé, era, digamos, causal: primeiro se estabelecia o legado religioso, normalmente em torno de uma literatura religiosa original, um livro sagrado e normativo, para posteriormente serem estabelecidas formas de exploração comercial da participação dos fiéis. A Igreja Católica é um dos muitos exemplos, o mais glamouroso, do desenvolvimento estratégico dessa exploração.

Dessa hipocrisia católica cultivada por séculos foi gerada uma cria, ainda cristã, que se converteria na própria derrocada da fonte procriadora. A igreja evangélica aprendeu profundamente as lições de exploração comercial ditadas pela igreja católica, se rebelou contra seus dogmas recriando toda a estratégia de exploração com novas tecnologias.

Há que se observar já passado tantos anos, que a própria rebeldia supostamente ideológica era a melhor estratégia de crescimento da "marca", já que o fiel católico insatisfeito e frustrado pelos antigos dogmas era o campo mais fértil para conversão a uma nova proposta de leitura DA MESMA BÍBLIA, o melhor consumidor.

Uma estratégia inteligente e eficaz, que exigiu pouco esforço além da paciência, desembocou numa das mais promissoras oportunidades econômicas do mercado médio brasileiro atual.

E o Brasil foi excelente terreno para esse crescimento já que possuía as principais facilidades para a atividade: país (apesar de laico) numerosamente católico, liberalidade econômica, inteligência nata para golpes, legislação elástica e justiça punitiva zero.

Assim floresce uma nova relação entre religião e atividade econômica, já não tão causal: hoje a abertura de uma igreja evangélica não é apenas uma iniciativa religiosa e sim vista como uma atividade empresarial competitiva; uma "marca" com direito ao sistema de franquias.

Assim como há algumas décadas víamos cursos para formação de empresários deste ou daquele setor, hoje temos cursos lotados, palestras com 5 mil espectadores à preços “de coaching”, para a “formação” de pastores, os novos empresários da industria da religião.

A figura do líder religioso se fundiu a do empresário do setor. O pastor não precisa ter formação religiosa específica para fundar uma igreja, mas sim formação empresarial especializada no setor para abrir sua empresa evangélica. Os confinamentos prolongados nos seminários católicos e promíscuos foram eliminados e a reflexão profunda e pessoal quanto aos dogmas também são desnecessários: há um discurso já estruturado e repetido por todos aqueles que entrarem nesse tipo de negócio. Assim como se treinava vendedores de bigmac com sorrisos e perguntas formatadas, criam-se agora pastores com cultos completos vendidos em apostilas!!!! E raciocínios tão óbvios e repetitivos que até crianças conseguem repetir em palavras e tonalidades, sequencias completas de pregação, vendidas como bençãos de Jesus.

O fenômeno evangélico é um resultado óbvio do capitalismo que esvazia os conteúdos humanos e transforma em mercadoria até a mãe!!! Apoiado nas tecnologias mais avançadas de marketing a industria do evangelismo nem esconde sua estratégia que apesar de vergonhosamente explícita só cresce. É como o refrigerante coca-cola que todo mundo sabe que é veneno desentupidor de pia, mas continua bebendo cada vez mais e colocando na mamadeira de crianças menores de 1 anos, ou o sanduíche macdonalds que é feito de minhocas plásticas!!!

Nesse caso o sucesso é ainda mais garantido e a um prazo bem mais longo, indeterminável pois a matéria prima coincide com a própria existência humana. Não existe melhor negócio do que a exploração do imaterial humano. Assim como uma nova economia, chamada criativa, está se projetando a partir da matéria prima imaterial, prometendo novas relações de trabalho, o capitalismo, na desesperada tentativa de sobreviver, apelou pras mesmas bases.

(Alias é o maior segredo esse da sobrevivência do sistema capitalista: ir se adaptando constantemente até se fundindo ao que lhe parece contrário; qualquer iniciativa de fugir à sua estrutura é rapidamente transformada em nova possibilidade estrutural....)

O setor evangélico está conseguindo se transformar e se adaptar rapidamente com extrema agilidade em todos os setores; localiza com perspicácia nas promessas de naufrágio do sistema, sua própria recuperação. A industria fonográfica é ótimo exemplo: destruído o império pela promiscuidade cibernética, essa industria foi salva por Jesus, resgatando significativos lucros, pelo setor da industria evangélica. Como faz para sustentar o sucesso do seu marketing a estratégia evangélica baseia a atividade econômica nos princípios da fé: é pecado piratear música!! Pronto, para louvar seu deus o dia inteiro a industria fonográfica volta a sua bela arrecadação no mercado da música gospel.

Tivesse a pequena e média empresa brasileira o tipo de incentivo fiscal dado a industria religiosa e teríamos um crescimento enorme dessa economia. Assim sendo, por dedução, entende-se que o país está incentivando o crescimento da indústria evangelica. Talvez não ganhe os impostos diretos das aberturas dos templos, mas com a explosão comercial do entorno, deve estar sendo lucrativo para os cofres públicos permitir tal crescimento.

E aqui não pretendo discutir se este ou aquele setor deve crescer mas apenas sublinhar qual setor está sendo incentivado, a partir de qual matéria prima?

Sob a proteção do título "religião" os mais perversos golpes vem sendo aplicados do Oiapoque ao Chuí, com pouquissimas criminalizações. As vergonhosas impunidades aos processos contra Edir Macedo, familia Hernandes, etc, encorajam até estupros cometidos por pastores pelo país todo.

Essa é a cara que o Brasil está construindo:

Deitando e rolando no Congresso Nacional, até cantando música de louvor na tribuna, a industria religiosa está confortável no trânsito dos poderes legislativo e executivo. E para se fortalecer definitivamente como Quarto Poder já deu seu próximo passo: quer reinvindicar "liberdade de expressão" nos cultos, mesmo que se colocando acima das Leis do país. Um projeto que pretende liberar pastores do crime de homofobia durante cultos, está para ser votado. Fingindo defender a expressão de seus dogmas o que realmente pretendem é provar que estão acima até do judiciário e criar suas próprias leis. Já não submeteram o Conselho de Psicologia???

Da porta pra fora do templo a lei é uma, da porta pra dentro é outra. Isso mostra a profunda confusão entre dogmas e leis, entre poder público e religioso em que vivemos. E mostra que nosso país já está sendo subjugado ao poder econômico dessa indústria, ou nem haveria espaço para tal discussão.

Se for aberto esse precedente, quanto tempo vai demorar para sentirem-se livres dentro dos templos, pra queimar pessoas?







O Quarto Poder Brasileiro


As igrejas estão fazendo de tudo para fortalecer o QUARTO PODER.

Este projeto de liberar líderes religiosos dos crimes de homofobia não é uma questão dos direitos LGBT como parece. Pleiteando “liberdade de expressão” nos cultos eles estão sugerindo que haja uma Lei no país que não funciona dentro de suas igrejas: o que é crime da porta pra fora não é crime da porta pra dentro de seus templos. O que estão chamando de respeito a seus dogmas é na verdade imposição de poder onde suas leis estão acima das leis do país!!!!

Feitos de vitimas estão semeando o fortalecimento desse Quarto Poder, que tantos exemplos catastróficos temos na historia humana.

Além da isenção dos impostos financeiros querem agora isenção das responsabilidades legais.

Se esse precedente for aberto quanto tempo vai demorar pra começarem a queimar pessoas dentro dos templos protegidos por essa isenção legal?



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Internação Compulsoria um jogo de marketing da administração pública

Essa palhaçada de internação compulsória não tem nenhuma intenção de ajudar viciados e familiares na sua desgraça. O objetivo é fazer uma faxina do tipo lixo pra debaixo do tapete: vc não vê o lixo e acha que tá limpo.... mas nada que vc joga pra debaixo do tapete fica ali paradinho.

O dinheiro aplicado nesse tipo de projeto é pensado como um gasto de marketing e não uma solução de saúde pública. E a sociedade desinformada, bem intencionada e incomodada com as cracolândias se multiplicando, alimenta a polemica sobre essa iniciativa.

A internação com aceite do paciente já não consegue resolver muito o problema; na marra transforma o problema interno, que é onde interessa, num monstro de mil tentáculos. Fora todas as implicações para executar o projeto: amanhã vão querer me internar contra minha vontade por vício em Facebook!!!!! Apesar da tragédia do crack ser muito maior que a minha ainda assim os princípios de respeito não se diferenciam.

É bem mais demorado e bem mais caro tratar o vicio como se deve, portanto se houvesse real interesse em curar as pessoas tecnicamente prender não seria o caminho.

NÃO HÁ INTERESSE NA CURA!!

A internação compulsória é uma prisão justificada de pessoas que estão incomodando e gerando pequenos e grandes crimes. é um sistema de isolamento social e não de tratamento.

Hipocrisia nunca foi um bom remédio pra nada!!!!!!!!!!!!

sábado, 22 de dezembro de 2012

VOTOS DE FELIZ NATAL

IRMÃO, pra vc que está cansado de dar 10% do seu salário todo mês pra igreja e só ver pastor comprando mansão; pra vc que está cansado de pagar anos e anos de dízimo e ver templos gigantes construídos para Jesus e sua casa continuar com parede rachada; pra vc que está cansado de ver pastor sonegando imposto enquanto vc paga o seu direitinho; pra vc que está cansado de controlar a sexualidade do seu filho neurotizando ele contra a homoafetividade enquanto o padre molesta ele na sacristia desde pequeno; pra vc que está cansado de ser ungido com óleo sagrado e continua afundado em dívidas; pra vc que está cansado de meditar com música, sem música, olhando pra parede, olhando pra vela, em nome de Ganesha, ou Om Mani padme hum e continua ansioso e histerico, fingindo estar zen; pra vc que tá cansado de ouvir música gospel pra encher de grana a industria fonográfica gospel proibido de ouvir outro tipo de música que vc adora; pra vc que está cansado de comprar livros de auto ajuda, ler, montar cartazes sobre seu futuro, pendurar bolinhas de cristal nas portas e depois a vida continuar identicamente banal; pra vc que está cansado de pensar em Jesus na hora que o desejo por outras pessoas fora do seu casamento te atormenta e ter que engolir um parceiro que não ama mais só porque divórcio é do demo; pra vc que está cansado de frequentar os cultos pra se livrar do álcool e encher cada vez mais a cara pra esquecer o discurso do pastor ou do guru; pra vc que está cansado de agradecer a Jesus todos os dias a vida medíocre que tem; pra vc que está cansado de ouvir a palavra AMÉN no final de cada frase todos os dias; pra vc que tá cansado de procurar o diabo em todos os cantos da sua casa e da sua vida; pra vc que está cansado de explicar cada situação da vida com um salmo bíblico e se interessa por outros assuntos do conhecimento humano; pra vc que está cansado das frases afirmativas dos gurus sobre a verdade que te deixam cada vez mais abobado e inativo; pra vc que tá cansado de se fazer de bonzinho enquanto o pastor ou guru conversa maliciosamente com sua filha, esposa, irmã, e até vovozinha; pra vc que continua com a mesma vida de merda de antes só que agora entupida de produtos gospel, estátuas de buda ou cds de mantra, EU TENHO A SOLUÇÃO PRA VC: TERAPIA PARA CURA DA GOSPELIDADE CRÔNICA. Em pouquíssimas sessões curamos vc definitivamente de doenças como: Síndrome do Jesus Obsessivo, Síndrome de Hoponopono Infinita, Sindrome de Zen Charlatanismo Cronico, Sindrome de Espiritualidade de Nova Era, e etc. Depois de curado vc vai poder ouvir a música que quiser, ir aos lugares que quiser, comer o que quiser, conversar e ler sobre os assuntos que quiser, amar e se relacionar com as pessoas que quiser, parar de encher o saco dos seus filhos e vizinhos com regras e dogmas. Com um tratamento mais longo vc conseguirá: rasgar a bíblia, os livros do Osho, quebras as estátuas de buda e os CDs de mantra, aceitar o demônio do seu coração e finalmente TOMAR SUA VIDA EM SUAS MÃOS, tirando das mãos de Jesus que deve ter mais o que fazer, tipo, descansar em paz.