terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Genocídio dos Guarani Kaiowás


É A LUTA DOS GUARANI-KAIOWÁ UMA GUERRA PERDIDA?




A questão da distribuição de terras (propriedades) no país é um emaranhado bem difícil de desembaraçar, e não só no Brasil, pois é uma crise óbvia na pós-modernidade capitalista (nome bonito hein!!).

De um lado um país no seu momento top, que passou de devedor para exportador; agora é o Brasil com pinta de super potência vendendo caninha pra americano ver, quem diria....

Não éramos o país do futuro? Pois o futuro chegou!!! Somos a galinha dos ovos de ouro!!! Teremos Copa, Olimpíadas, todo mundo quer vir pra cá, todo mundo quer investir aqui, o paraíso dos recursos naturais e de coração (e pernas) aberto!!! Um povo simpático que vive em festa, música de primeira....... axé!!!

Seria uma bela historia se nela não houvesse uma rede exploratória da terra, completamente atrelada ao poder político, com direito até a mecanismos de lavagem de dinheiro, e todas as maracutaias que nosso cérebro tupiniquim (que de tupi não tem mais nada!!) é capaz de inventar, porque brasileiro é um povo beeeeem criativo mesmo!!! Já vinham, os estrangeiros, nos explorando desde sempre: tem planta encontrada na Amazônia que foi catalogada por japonês como descoberta medicinal deles.....

Ao invés de nos libertamos dessa exploração das nossas riquezas e distribuir entre nós nossos ganhos, resolvemos nos auto explorar; os que estão no poder, é claro.

O livro “O partido da Terra”, de Alceu Castilho nos entristece com tanta verdade; chega a ser um catálogo de falta de caráter pior que o enlouquecedor “Privataria Tucana”. Na nossa ingenuidade pós ditadura nos fizeram acreditar que a causa da nossa desgraça era a superpotência americana, que já superamos; depois nos ensinaram a ter raiva dos industriais exploradores de mão de obra e recursos naturais, poluidores, devastadores, exploradores.... mas de fato, atualmente, os exploradores, poluidores e devastadores do nosso país são também os próprios brasileiros; mais do que isso: nossos politicos!!! São nossos legisladores que criam as leis que protegem seus próprios bens, nossos governos criando incentivos para suas próprias produções agrícolas. Agora podemos entender que o governo de oposição que tanto prometeu a reforma agrária, deixou de fazê-la não para tentar soluções menos radicais na sua governança, mas porque não é de seu interesse uma vez que é dono de boa parte das terras.... dá pra entender agora toda a questão da Petrobrás.... toda dificuldade do governo em resolver o Código Florestal, Belo Monte, etc....

Tá dominado, tá tudo dominado!!!

E do outro lado dessa corda estão etnias perdidas na pós-modernidade: querem manter a cultura, mas já estão "desculturalizados", conversam com árvores e com celulares, usam cocares com calça jeans... não deve ser nada fácil preservar aspectos arcaicos e sagrados nos fins dos tempos..... tantos se perderam nesses limites que os jovens, sim os jovens, vem se matando, o que seria compreensível entre os mais antigos; não é o medo de perder a cultura, mas é a dificuldade de vislumbrar o futuro.....

Todos precisamos repensar essa convivência.

O que é um índio em 2012???

Temos visto, na imensa diversidade indígena do nosso país, diferentes soluções para essa reestruturação que a cultura da terra deve passar nesses tempos de agora. Alguns não se esquivaram em adquirir bens de consumo, com carros, celulares, computadores, roupas, cobram pedágios nas estradas que cortam suas reservas, consomem drogas, comidas e bebidas de branco. Bobagem dizer que o alcoolismo está afetando nossos índios agora pois nos relatos do tempo do Império já se debatia essa questão. O índio sempre demonstrou curiosidade no conhecimento de nossa cultura, o que revela inteligência. Lidam com tecnologia sem maiores problemas.

Jogados em reservas inadequadas para sua sobrevivência, são obrigados a ganhar dinheiro para pagar a comida: viram pedreiros, pintores, ou escravos do plantio. Subempregos que perfazem a mesma trajetória dos negros quando foram libertos. Libertos do que, se jogados na miséria? Velha discussão, porém atual situação.

Talvez alguns consigam vislumbrar uma hibridização cultural que não destrua elementos essenciais da sua cosmologia, da sua “estrutura psicoafetiva”, talvez. Mas vários estão embaralhados nesse processo e muito por causa da violência com que a civilização se impõe a eles.

O processo civilizatório é devastador em qualquer ser humano: o que passa um índio nessa adaptação é o que cada branco vive ao nascer, obrigado a formatação de comportamentos contra sua natureza humana. E daí todas as nossas neuroses, doenças físicas, psíquicas e espirituais. Já sabemos disso. Mas alguns povos, nessa gama gigantesca que é a humanidade, escolheram por preservar a relação essencial com a natureza, manter sua psique num estágio mais simbólico (se posso reduzir nessa palavra), preservar culturas contrárias à devastação causada pela racionalidade e pela civilização. Escolhas.

Escolhas?

Nosso capitalismo não se restringe à parte, ele quer o todo. Ele pretende submeter não só todos os povos do planeta, mas todos os povos dos sistemas (talvez por isso ET não dá as caras por aqui!!!). Nossa total incapacidade de lidar com a potência que somos, com a infinitude que sentimos, nossa grandeza divina, nos leva a processos megalomaníacos: sentimos nossa potência e nos iludimos com nosso poder!!!

O ser humano é um só. Seja índio ou branco, civilizado ou não, estamos todos perdidos. Não sabemos mais onde estão os limites, vivemos em guerra o tempo todo, com tudo. Ou porque tem Deus ou porque não tem, ou porque tem terra ou porque não tem, ou porque pensa ou porque não pensa... Apenas MEDO. Medo de reconhecer sua força de brilhar e ser livre.

Os episódios da guerra contra os índios, que há anos são lamentáveis, com criminosos nunca responsabilizados, devem ser combatidos com toda a força que a nação puder concentrar. Lutar pelos direitos desses índios é lutar por nossa democracia, é lutar pelos direitos humanos, por nossa constituição, é lutar por cada um de nós.

Muitos não percebem a relação entre a causa indígena e suas vidas civilizadas e, pelo contrário, acham que os índios são um estorvo, são vagabundos, porque não produzem, não pagam impostos. Muitas pessoas, cidadãos sem cargos de poder, e que lutam todos os dias para sustentar suas vidas simples, veem nos índios uma afronta à sua batalha diária, ao seu esforço para sobreviver. É compreensível porque estas pessoas estão em condições ainda piores que os índios, pois além de serem igualmente exploradas, estão ainda desacreditadas da sua própria natureza interna, perderam a capacidade de sentir essa integração entre todos os seres da terra e perceber que a violência contra um é a violência contra todos.

Não são apenas os índios guarani-kaiowá que estão sofrendo no nosso país, as mesmas violências e desumanidades. Não, não são. Todos os que sofrem preconceitos raciais e sociais vivem situações basicamente semelhantes. Mas esses 170 índios que gritaram por suas vidas, que manifestaram extrema força na sua fragilidade máxima, inspiraram uma corrente de vitalidade que há muito não unia tantas pessoas pelo Brasil. A vontade de que sobrevivam nesse fim do mundo, que sejam salvos, que recebam o que merecem, que tenham paz e dignidade, que sejam ouvidos... são todas vontades que temos sobre nossas próprias vidas esvaziadas, esfomeadas, desterradas..... precisamos salvar esses índios, e todos os índios, e os humilhados e excluídos, para que tenhamos um mínimo de motivos para buscar o que perdemos a muito tempo: O AMOR PRÓPRIO!!! 




PARTICIPE DOS MOVIMENTOS NO FACEBOOK:

EVENTO "Sobre os nossos parentes guarani kaiowás": 

GRUPO DE DISCUSSÃO-ATO NACIONAL EM APOIO AOS GUARANI KAIOWÁS:


Em quase todos os Estados e em muitas cidades do país estão sendo organizadas passeatas em apoio à causa: informe-se pelo facebook a data, horário e ponto de encontro decididos em sua cidade. E caso ainda não tenha uma passeata programada, dê inicio à programação de uma pois esse movimento é nacional mas descentralizado e espontâneo.



EM SÃO PAULO:
 DIA 09 DE NOVEMBRO
ÀS 17 HORAS
EM FRENTE AO MASP
NA AV. PAULISTA



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O Julgamento do Mensalão: a dança dos xerifes

Quem foi que distinguiu justiça de política? Platão???

Não sei, deve ter sido algum maluco da história e que já foi corrigido na modernidade com certeza. Mas parece que não adiantou nada..... desde quando algum juíz, humano, consegue ser apolítico??? Não existe essa possibilidade, ela é suposta apenas para o Supremo, não o Tribunal Federal, o Supremo mesmo, aquele no trono celeste.

Por favor!!!!!

Eu como atriz estou triste porque estou ficando desempregada desde que a realidade virou um teatro de melhor qualidade do que qualquer Shakespeare!!! Mas estou aplaudindo essa dramaturgia em que fica revelado que não há distinção entre ato político e julgamento. Em todo o tempo sempre um juíz está baseado em sua ideologia que lhe permite interpretar a Lei.

O julgamento do mensalão está apenas colocando em rede nacional o que é a justiça em qualquer instância; está derrubando essa máscara ancestral de que um juíz detém a capacidade de julgar a verdade, a exemplo do modelo do "Grande Juíz". Nem um conjunto de juízes consegue isso.

O que são provas???? Não é só corrupto que não deixa rastros, vários tipos de criminosos não deixam rastros, principalmente onde houver muito dinheiro (*) para apagá-los; ou os rastros são aceitáveis pela própria sociedade e se tornam "invisíveis".

Houve um tempo (se é que existiu) em que a PALAVRA era prova!!! Hoje nem pegando a pessoa no pulo, no ato, vc consegue garantir uma penalidade, * (principalmente onde houver muito dinheiro....).

Está ficando óbvio que essa distinção é hipócrita e que vai ser inútil votar no executivo e no legislativo, sem acessar democraticamente o judiciário. Nossa historia vem mostrando cada exemplo de juíz vergonhoso, corrupção em massa no judiciário.

Estamos assistindo de camarote o comportamento desses profissionais com a questão indígena, protegendo interesses econômicos....

Ao invés de usar o julgamento para esclarecer a população quanto as dinâmicas envolvidas na política brasileira, ultrapassaram suas instâncias para discutir como atuar politicamente, como deve se comportar um partido????

ARROGÂNCIA comum aos profissionais da Lei, com ambições a xerifes americanos. 

Poupe-me.

Não avançamos em nada na consciência com o balé de péssima qualidade desses egocêntricos de capa preta.

É hora de rever como delegamos poderes a esses profissionais. É hora de dar ao cidadão a possibilidade de escolher seus juízes, ou toda nossa estrutura política vai virar teatro de marionetes.

Quero o direito de votar também no judiciário!!!

E ainda mais reivindico meu direito de profissional do teatro de recuperar meu lugar como artista sendo a única apta a encenar comédias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Por que o Governo Federal não ajuda os Guarani- Kaiowás




ENTENDEU??


A CARTA DO CACIQUE SEATTLE, em 1855

Mais atual do que nunca e em clamor à tragédia que se abate sobre todos os índios brasileiros e nesse momento mais urgentemente à etnia dos guarani-kaiowá no Mato Grosso do Sul, segue esta carta.

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:



"O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.

Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.

Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.

Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."





A seguir o corajoso discurso do Deputado Marcelo Freixo em protesto a falta de iniciativa do Governo Federal na urgência da questão indígena.






Um dos inúmeros filmes-documentários esclarecendo os motivos da guerra no Mato Grosso do Sul.





ESTOU SOLIDÁRIA COM OS GUARANI-KAIOWÁ E TODAS AS ETNIAS MASSACRADAS PELA HIPOCRISIA E PELO PODER ECONÔMICO. SOMOS TODOS UM!!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O que realmente querem os mestres?


Recebi esse texto abaixo que gostei muito.....

ACORRENTADO ÀS CANALIZAÇÕES
Por M Victoria Malvar, publicado em 29/08/2012

Pessoas que estão fazendo uma viagem interior de evolução e que têm conexão à Internet, às vezes estão recebendo em sua caixa de correio um monte de informações que outros canalizam para contar-nos como vai o mundo e onde dar o próximo passo, o que vai acontecer num futuro próximo ou nas proximidades, por que isso aconteceu e quem é o mensageiro que os usa para falar ao mundo.

São os poderosos do mundo espiritual, vestidos amistosamente, com rostos e vozes delicadas, com mensagens aparentemente bonitas, talvez, mas nem sempre com mensagens limpas; mostram uma intenção clara de gerenciar e controlar as massas, à maneira antiga.
Não há diferença entre assistir TV, ler o jornal local e acreditar no que nos dizem esses falsos deuses dos meios de comunicação ou esses outros poderosos das transmissões ou canalizações espirituais. 

Na verdade, em ambos os casos, as pessoas que ouvem, leem e dependem de seus conteúdos, estão desprezando seu poder e se entregando à manipulação do que os outros dizem está acontecendo, enquanto a nossa vida e nossa oportunidade de olhar com nosso sábio e meditativo olhar ainda está adiada para outro dia.

O tempo em que você assumirá o seu poder nunca chegará se você continuar ouvindo “canalizações” ou lendo jornais, e o mundo continuará a perder sua contribuição sagrada e única, porque você ainda está ouvindo o mestre não sei quem que canaliza fulaninho de tal ...

Isto é evolução pessoal e espiritual ou é sempre o mesmo jogo, de mente, de poder, de vítima, de adiamento?

Eu sempre fui muito relutante em acreditar em qualquer coisa das que contam os jornais ou das que contam os canalizadores, quaisquer que sejam, e tenham a fama que tenham.
O pouco que eu li deste tipo de informação, eu passei por meu filtro, por minha voz interior. 

É verdade que algumas vezes o que eu leio e o que eu mesmo recebo trazem a mesma mensagem.

Em outros muitos casos, eu discordo.

E na grande maioria dessas canalizações, o que eu leio é apenas informação completamente vazia e inútil para mim nesse momento, cheia de uma linguagem repetitiva e enfadonha, de mensagens que são copias mal feitas umas das outras, e também má cópia de si mesma.

Não é o meu trabalho saber se quem canalizou diz ou não a "verdade". Minha tarefa é canalizar para mim mesma minha própria verdade e agir de acordo com ela, sem necessidade de dar nome a essa voz interior que não vem de fora, mas do lado de dentro. 

Assim como é acima, assim é abaixo.

Basta olhar em meu coração e encontrarei todas as respostas que eu preciso para minhas próprias perguntas, eu não preciso perder meu tempo com as perguntas dos outros e com as respostas de outras pessoas que ainda estão procurando fora a aprovação e controle. 

Basta perguntar a mim mesma, seguir minha intuição e já estarei no lugar certo, recebendo o que preciso em cada momento para a minha viagem, compartilhando o que eu tenho em cada momento deste belo trajeto através da vida, livre para expandir meu próprio olhar consciente sobre a realidade em que vivo, aqui e agora, e de convertê-lo em ação livre quando a vida assim exigir.

Livre me quero. Livre te quero.

e quero acrescentar, ou reafirmar o que penso sobre isso e como foi minha experiência nesse sentido.

Percebi que de tudo que eu lia na minha vida, onde buscava respostas para meus interesses, dúvidas, ou para adquirir mesmo novos conhecimentos, tudo isso foi de extrema importância para mim, mas NADA do que li me deu ou trouxe consciência, apenas me provocou. Embora a gente leia reflexões e saberes incríveis que parecem "derrubar fichas" ou traduzir nosso coração, enquanto forem palavras externas a nossa própria experiência, de pouco servirão. E quando digo externa à experiência, a reflexão é também uma experiência, como é o sentimento, como é a ação.

Ficar repetindo regras e leis maravilhosas indicadas pelos grandes sábios faz com que vc formate seus sentimentos em padrões que não são os seus e MESMO QUE VC SE ESFORCE PARA AGIR CONFORME ESSES PADRÕES, não significa que vc adquiriu aquela consciência.

E só o que precisamos "desenvolver" ou aprofundar é nossa consciência.

Se manuais provocassem iluminação era fácil.

Cada vez que vc chega sozinho, pelos próprios caminhos, em algum conhecimento, ele se torna um saber, ai sim, um quantum de luz se soma a vc. Se passar 100 anos em lótus dizendo OM sem que tenha passado pelo SI MESMO, nenhuma miligrama de luz terá se somado à sua.

Desconfie de quem lhe traz soluções, de quem lhe propõe caminhos determinados. Essa pessoa não te quer livre. Desconfie de quem aceita o título de mestre, pois só existe um mestre na sua vida, vc mesmo, dentro de vc. Qualquer outro mestre é um engodo. Claro que podemos chamar de mestres aqueles que nos dão importantes orientações, pois na comunidade humana o trabalho é coletivo e compartilhado, porém individual; sendo assim, nossos mestres são temporários e devemos ter essa perspectiva sobre eles todo o tempo para que não internalizemos as verdades deles. Uma boa orientação é aquela que faz a afirmação mas não a torna verdade, e há uma enorme diferença entre afirmação e verdade. A verdade é individual, absoluta para o SI MESMO, mas relativa para a coletividade.

Esse paradoxo entre individualidade e coletividade é que permite o embaraçamento dos limites e acabamos por tornar coletivo o que é individual e vice versa. E como o PODER parece ser a maior delicia do Diabo (J) os seres humanos tornam coletivo o que é individual e assim criam a chamada “massa de manobra” tão útil.

Com certeza o Outro, que pode ser traduzido por dúvida porque é o não eu, é fundamental para a busca de si mesmo; poderia ser o mundo uma infinidade de montanhas himalaicas e cada um de nós sentados sobre elas, mas não é. Vivemos juntos.

Por outro lado, já que vivemos juntos poderíamos ser todos iguais a ponto de buscarmos a mesma coisa da mesma forma. Mas não somos. Somos tão diferentes quanto são os caminhos para chegar na mesma coisa; mesma coisa essa que é o SI MESMO, que é diferente em cada um.

Portanto essa infinidade de verdades que se distribuem, ao meu ver, invertem a intenção que dizem ter como tão bem indicou Victoria Malvar, gera mais massa de manobra. NÃO QUEREM RESPOSTAS INDIVIDUAIS PORQUE ISSO IMPEDE O CONTROLE DE UM GRUPO GRANDE DE PESSOAS. Se todos dermos as mesmas respostas para as mesmas perguntas, nos tornamos um grupo homogêneo.

Mas não somos um grupo homogêneo  Só que nos fazem crer que somos quando seguimos juntos um único mestre seja ele qual for. Não importa o tema com que se criem as dependências, nem em nome de DEUS!!!

Esse é o segredo milhões de vezes apregoado por Krishnamurti: não queria seguidores porque queria pessoas livres; não queria fazer afirmações porque elas são prisões.

As perguntas nos libertam porque nos proporcionam a individualidade. Os caminhos são essencialmente individuais.

Não repita saberes, crie os seus. 

A Democracia na Islândia


Aconteceu na Islândia!!!

Sabe o que? Não, talvez vc não saiba porque não foi amplamente divulgado. Todos nós vimos e vemos as desgraças na Síria, os abusos dos policiais nas ruas da Espanha, as dificuldades em Portugal e tantos exemplos. Povos lutando por seu direito à vida.

Sobre a Islândia não ouvimos falar e nem sabíamos que algo estaria acontecendo. Imaginamos que se não repercutiu com tanta veemência é porque não tivesse maior importância, pois afinal coisas acontecem em todos os lugares o tempo todo e não dá pra gente ficar sabendo de tudo, claro. Mas nesse caso a mídia não noticoi porque NÃO PODE NOTICIAR, já que está amordaçada e atrelada ao poder econômico.

Nesse caso a ausência de noticia e repercussão não diz respeito a relevância do acontecimento pois ele foi e é de extrema importância.

Vc já ouviu falar em um país que tenha tomado as ruas e sem derramar uma gota de sangue tenha derrubado completamente o governo, pacificamente?

Já ouviu falar em um país em que o povo nacionalizou os bancos (o povo e não uma liderança proletária) e chutou os traseiros dos banqueiros fazendo-os correr fugidos para não irem presos?

Ouviu falar de um povo que provocou novas eleições antecipadamente e colocou no governo uma primeira ministra que além de mulher é homoafetiva declarada??? Um ministério metade de homens e metade de mulheres. E vão refazer toda Constituição???

Que se recusou a pagar a dívida externa prendendo e responsabilizando os poderes que a criaram???

Parece livro do Saramago, não parece?

Foi o que aconteceu na Islândia. Veja esse vídeo curto resumindo essa historia e pense que, apesar da Islândia ser muito pequena e com pouquíssimos habitantes (sorte dela), a democracia depende de uma única coisa: A VONTADE DO POVO!!!





COMPARTILHE ESSAS IMAGENS
pois se a mídia não pode,
nós podemos mostrar o caminho das pedras.





"Desde Óscar Wilde que é sabido que um mapa sem a ilha da Utopia é um mapa que não presta." Artigo de Miguel Angel Sanz Loroño, publicado em dezembro de 2011 e traduzido para o português:





Vamos incentivar processos de democratização real
das nossas politicas e economias.

Vamos estimular os agrupamentos,
fora dos partidos, numa única voz,
que é feita de diversidades,
mas que pretende um mesmo bem,
os valores humanistas acima dos capitalistas.



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Carta de Miruna Genoíno e o futuro dos nossos josés


Eduardo Suplicy faz uma leitura em plenário
da carta que Miruna Genoíno,
filha de José Genoíno,
escreveu sobre seu pai.

Mais do que um depoimento pessoal
é um documento histórico,
como é histórica a leitura desse documento
por este homem inusitadamente sensível,
disfarçado de político.




Pobres dos nossos Josés!!!

A luta pela igualdade social não tem fim e quem nasce por uma causa, vive por ela e por ela pode morrer.

Nossos guerreiros, outrora guerrilheiros, deram o sangue e viram a anistia chegar, a tortura cessar, a democracia começar a nascer. Compraram seus ternos para assumir os cargos porque ao invés de arrancar o poder numa luta sangrenta, escolheram o caminho do diálogo.

Dialogaram com a sociedade e dialogaram com o sistema.

Esses guerreiros, que não são só o José Dirceu ou o José Genoíno, mas tantos homens e mulheres simples e honestos, mais ou menos estudados, que vivem mais tempo pro coletivo do que para o pessoal.

Se Genoíno achou que seu trabalho mais dificil foi ser torturado, estava enganado: não existe dor maior que servir de bode de expiação. A luta que este homem terá que travar a partir desse 9 de outubro será tão importante quanto a que travou na sua juventude. A comprovação de sua inocência não é uma causa pessoal e a carta de sua filha nos chama para essa questão: não é o desabafo de um parente desconsolado, mas um depoimento sobre nossa historia que se faz menos de datas comemorativas e mais de gotinhas de suor pingadas no dia a dia.

É de pessoas que se faz a historia! De vidas vividas, escolhas feitas, perdas.

Se Genoíno pensou que a administração pública era seu novo papel, foi inocente: ele tem papéis mais difíceis para executar e com certeza tem coragem suficiente para isso.

Enquanto muito molenga, que não suportaria metade do que esse homem suportou por gente que nem conhecia, hoje aponta o dedinho pro Genoíno, uma nova etapa da nossa política tem início. Nosso Brasil precisa limpar muita sujeira da politica, todo mundo sabe, mas os instrumentos de faxina tem que estar limpos também: está chegando a hora mais dificil para um país que é quando tem que rever sua justiça e seus juízes.

Embora estejamos tristes hoje, temos que entender que é apenas um novo começo e torcer para que homens com Genoíno consigam se manter à frente das novas batalhas!!!


E agora José??


Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato, 
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José! 

José, para onde?





quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Da utilidade do julgamento do mensalão



“... que o Estado seja dirigido por administradores íntegros, legisladores probos e juízes incorruptíveis”.
Ministro Celso de Mello

Tomara assim seja!!

Enorme importância tem o julgamento do famoso mensalão. Embora muito petista reclame que não foi o primeiro da nossa história, que seu início está em outros governos e em outros partidos que também deveriam ser julgados (não discordo)
este mensalão petista e lulista foi levado a público e a julgamento.

Mais importante do que punir os infratores é, obviamente, tornar a sociedade consciente do seu próprio comportamento.

Infelizmente ainda vivemos num tempo onde a sociedade pensa se diferenciar dos seus políticos: critica seus representantes como se eles tivessem comportamentos diferentes do que vemos todos os dias nas ruas: de roubos criminosos a pequenos delitos, em constantes corrupções, infrações e desrespeitos a leis, pessoas, grupos, toda sociedade é partícipe ativa ou passivamente do comportamento que está sendo julgado.

Com isso não quero repetir o bordão de que através do voto escolhemos esses políticos e por isso somos responsáveis pelos acontecimentos. Muitas vezes sim, mas na maioria das vezes não. Não tenho culpa ou responsabilidade sobre o comportamento do outro, a não ser no âmbito da coletividade. Esse paradoxo é que é difícil (todo paradoxo é difícil): ao mesmo tempo em que sou responsável pelo comportamento coletivo porque somos todos um e mesmo princípio formando a mesma subjetividade, por outro lado, não sou absolutamente responsável pelas escolhas individuais, se não pelas minhas. E minhas escolhas encontram seu limite nessa coletividade. Sou o todo e o um ao mesmo tempo e em tempos diferentes. (oi?)

Fora da filosofia, ou já dentro dela, não nos adianta em nada punir os acusados do mensalão e acreditar que nos livramos da corrupção, ou dos corruptos. O processo de democratização social é bem mais complexo do que estamos conseguindo administrar no dia a dia. Vivemos um estado de transição extremamente desconfortável onde as tecnologias da democracia estão sendo implantadas lentamente, porque são simultaneamente criadas, porém preenchidas de uma mentalidade habituada à ditadura, viciada nela, o que é pior. E pra tirar vício há que eliminar dependências.....

Nossos ex-guerrilheiros, que chegaram ao poder, continuaram a atuar como o faziam sob o poder militar. Na guerrilha os fins super justificam quaisquer meios. Há quem pense que a esquerda brasileira chegou ao poder e se contradisse repetindo os comportamentos corruptos dos governos anteriores. A teoria linconiana do dê poder ao homem para conhecer seu caráter, contaminou nossos olhos quando vimos os mesmos gestos em corpos tão distintos!!! Nossa falta de fé na humanidade (muito justificada pelo que vemos todos os dias) nos fez acreditar que “a ocasião faz o ladrão” e que nossos ex-guerrilheiros pós torturados cansaram de sofrer e resolveram também aproveitar a vida fazendo enxoval em Miami, enriquecendo ilicitamente. Alguns provavelmente, mas nem tudo se resume a isso.

Nossa esquerda não chegou ao poder pela luta armada ou pela revolução proletária. Escalou cada degrau em negociações não apenas com a sociedade, mas com a máquina governamental. Ao contrário de impor pela força seus ideais, prorrogou seus anseios em troca de avançar pacificamente pelos corredores do poder. Não apenas por tática, mas porque toda sociedade brasileira, violentamente golpeada pela barbárie collorida, cedeu. Nossa esquerda, talvez por incompetência, ou talvez por modernização dos caminhos de socialização dos meios de produção, buscou adaptar-se à máquina para então modifica-la.

Excesso de adaptação foi seu pecado!!

De tantos fins que justificaram os meios, e de tanto que os meios se tornaram o fim (da picada), não só no Brasil, mas no mundo esse conceito ruiu. O momento é outro apesar de muita coisa permanecer a mesma. As armas hoje já não significam protesto porque viraram sinônimo de destruição. As ditaduras, mesmo que proletárias, se tornaram sinônimo de abominação.

E a corrupção tornou-se um crime hediondo contra a sociedade!!

O mensalão é uma prática antiga que de tão antiga era indissociável do sistema político. Embora possamos acreditar, benevolentes que somos, que o objetivo da corrupção petista era em benefício do país, já que os apoios comprados seriam para causas sociais, ou seja, considerando que o partido no poder era um legítimo defensor das causas sociais e pretendia fazer passar seus projetos, ou ampliar seu poder para garantir sua governabilidade..... de boa intenção o inferno atingiu superlotação.

Nosso comportamento é tão viciado que nem conseguimos acreditar plenamente nos próprios juízes que julgam esse caso porque não seria surpreendente tentativas de suborno do judiciário, já que vemos isso diariamente. Todos somos suspeitos até que se prove o contrário!!

E é essa consciência o fator mais importante nesse julgamento: que observemos nossos próprios atos. A lavagem cada vez maior de políticos corruptos nos últimos anos, derrubando mitos, tem mais importância no reflexo que consegue no comportamento de cada um da coletividade, do que punir esta ou aquela pessoa.

Reitero que infelizmente ainda vamos caminhar muito até que paremos de nos distinguir dos nossos representantes; até que a sugestão de Gandhi seja aplicada de mudarmos em nós mesmos as mudanças que queremos ver nos outros. Mas todas as caminhadas começam por algum lugar e a estrada que leva à integridade começa a ser construída. Não pelo falso moralismo desse atual judiciário, mas porque a escuridão da tirania já perde seu breu.

Que não só os corruptos sejam punidos mas que a corrupção seja substituída como padrão de conduta por atitudes de respeito ao humano, ao social, ao coletivo. E, principalmente, TODO ESSE DINHEIRO QUE ESCOA NESSES ESQUEMAS MILIONÁRIOS SEJA REVERTIDO EM BENEFÍCIOS SOCIAIS, NA SAÚDE, EDUCAÇÃO, HABITAÇÃO, CULTURA E MEIO AMBIENTE.



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Hebe Camargo, o ícone multifacetado


O texto a seguir de Paulo Sérgio de Moraes, em seu blog na internet O Palpiteiro (http://opalpiteiro.blogspot.com.br/2012/09/hebe-camargo-e-o-respeito-vida-ou-falta.html), provocou no facebook uma polemica muito pertinente que levanta desde os impasses políticos atuais, até o papel da mídia de massa.

Eu pessoalmente acho o texto uma belíssima reflexão não sobre a Hebe Camargo; o texto não é sobre a Hebe Camargo!!! E por isso a importância de publica-lo diante da sua morte.

É um apelo não à morte dos conservadores, mas do conservadorismo!!! O texto é sobre nossas escolhas e nossas ilusões, sobre como nos iludimos com o brilho dos diamantes e holofotes da vida das celebridades e nos esquecemos de nós mesmos, esquecemos-nos das nossas dores coletivas. Não cabe, a partir da reflexão política que desvenda, discutir Dilmas e Serras, Malufes ou partidos. A referência que faz a atitude anti humanista de Hebe, não conhecida por muitos, não está colocando em discussão direita ou esquerda!!! Já sabemos onde estava cada lado naquela ocasião; e o que interessa aqui não é uma acusação nostálgica.

O texto está falando sobre o ícone de alegria e de uma sociedade que não acolhe seus próprios sofrimentos. A ditadura não torturou a Dilma ou o Herzog, torturou toda a sociedade em cada corpo, escondeu a memória coletiva em cada corpo desaparecido; são nossos os corpos!!! E enquanto isso damos risadas (e nada contra sorrir) com uma mulher talentosa e carismática, envolvida em peles de animais, ornamentada em ouro e diamantes, propagando pensamentos conservadores e úteis a ela mesma e sua classe social. Ela não estava certa ou errada, pois era o que era e o texto nem pretende julgá-la. Não importa A HEBE!!! Da sua pessoa lamentemos a morte é claro!!!

O texto levanta o que somos e como esquecemos nossos sofrimentos coletivos por tão pouco!!! Como somos cruéis com nossa própria historia e tão pouco afetivos com nossas feridas, mas tão benevolentes com quem não se importa muito com a coletividade!!! É bem mais simples. Uma bela reflexão e muito pertinente.




Hebe Camargo e o respeito à vida (ou a falta dele)

Dou aulas de Geografia há de 19 anos. Talvez poucos nomes foram tão lembrados nas minhas aulas quanto o de Hebe Camargo. E tenho certeza de que jamais disse algo de bom a respeito dela. Muita gente deu risada e, de vez em quando, alguém não se continha e perguntava: "Mas por que você não gosta dela?". Para alguns alunos eu dizia as minhas razões. Na maior parte das vezes respondia com outra pergunta: "Por que deveria gostar dela?", ou ainda, "Dê-me pelo menos 3 razões para gostar dela...". Nunca me disseram uma única razão.  

Ontem Hebe Camargo morreu e não foram poucos os amigos que me avisaram. Mensagens pelo celular, recados em caixa-postal e mais de 60 notificações no Facebook me obrigaram a dizer qualquer coisa. 

A primeira coisa que pensei foi explicar, finalmente, as razões de minha implicância com a falecida. Mas julguei que tão importante quanto isso seria deixar claro que não havia motivo para debochar da sua morte. Quem respeita a vida e luta contra os abusos contra ela não tem o direito de brincar com a morte dos outros. Eventualmente uma piada ou outra acaba saindo, em ambiente privado, descontraído. Publicamente não é bom. E no mundo em que vivemos é preciso cada vez mais separar o que é íntimo, privado, daquilo que pode ser público, aberto. 

E eis que aí procuro me diferenciar de Hebe Camargo. A busca pela correção   naquilo que tornamos público. 

Já disse algumas vezes, para algumas turmas de alunos, que um professor deve ter responsabilidade com aquilo que diz. Brincadeiras à parte, manifestações racistas, preconceituosas ou que preguem qualquer tipo de mal individual ou coletivo, devem ser combatidas, mais do que evitadas. Na minha carreira de professor tive períodos de lecionar, semanalmente, para centenas de alunos. Não tive o direito de pregar ódio. E procurei ser cuidadoso com isso. Sempre, apesar de erros.

Hebe Camargo tinha um alcance maior. Em rede nacional de TV atingia milhões de brasileiros. Era descontraída e tinha uma capacidade de comunicação rara. Reconhecer isso não me traz nenhuma dificuldade. Minha repulsa era justamente o que ela fazia com essa capacidade rara de comunicação. 

Quem ler o livro "Autopsia do medo", de Percival de Souza, ficará sabendo de muitas histórias a respeito do maior torturador do regime militar, Sergio Paranhos Fleury. Nele saberá de ao menos uma das relações entre o delegado torturador e Hebe Carmargo. 

Fleury se notabilizou pela capacidade de combater opositores do regime militar, em especial os guerrilheiros.  Ele era um delegado de péssima reputação na polícia de SP, mas foi útil ao empregar suas "técnicas" para a ditadura. Um promotor público de SP, baixinho e fisicamente frágil, chamado Hélio Bicudo, ousou enfrentar o delegado torturador, assassino e ocultador de cadáveres. 

Hélio Bicudo sabia que não podia enquadrar Fleury por crimes de combate a perseguidos políticos. Usou outra estratégia. Resolveu enquadrar o delegado pelos abusos que cometeu ANTES de ser agente da repressão política. Fleury fazia parte de um esquema de assassinatos conhecido como "Esquadrão da Morte", e por ele foi processado e julgado. 

A estratégia de Hélio Bicudo foi tão engenhosa que a ditadura não tinha como livrá-lo da cadeia. A solução para a ditadura foi mudar a lei. Inventou que réu primário não precisava necessariamente ser preso. A lei ficou conhecida como "Lei Fleury". Criada para livrar a cara de um delegado torturador. 

No processo contra Fleury foram arroladas testemunhas de para a sua defesa. Uma delas foi Hebe Camargo. Fleury agenciava policiais que trabalhavam como seguranças para cantores e gente da televisão. Por isso era bem relacionado com gente da TV. A estratégia da sua  defesa foi impressionar o tribunal com uma figura conhecida e muito influente. 

Muita gente pode ser poupada de críticas pelo que fez ou  deixou de fazer durante a ditadura. Hebe Camargo não. Num dos momentos mais tristes da história do nosso país ela escolheu um lado. No caso, o lado de quem não respeitava a vida e a dignidade. E fez isso conscientemente. 

No período pós ditadura não me impressionou que Hebe apoiasse Paulo Maluf e atacasse uma figura como Dom Paulo Evaristo Arns. Não foram poucas as vezes em que vi Hebe Camargo protestar contra defensores de direitos humanos. 

Também não me causou espanto vê-la no falido movimento "Cansei", aquele que tentou explorar politicamente a dor causada pela queda do avião da TAM. O movimento "Cansei" partiu de uma ação nojenta. Usar a morte e a tristeza para interesses político-eleitorais. Hebe Camargo mais uma vez não respeitou isso. 

Num país que valorizasse a vida humana e o respeito ao direito básicos de TODOS, Hebe Camargo não teria público. Não seria proibida de falar as bobagens e as apologias de violência que tanto apreciava. Num país mais civilizado ela simplesmente seria ignorada.

Entendo que uma figura como Hebe Camargo não aparecerá novamente, pela simples razão de que a televisão já não é a mesma. Até poucos anos atrás uma apresentadora de TV tinha um peso muito grande na opinião das pessoas, pois não havia muitas opções. Fico muito feliz hoje em saber que meus alunos ficam mais tempo da internet do que diante da TV. É cada vez menor o número de pessoas que ainda assistem novela e que levam a sério porcarias de programas como os que são apresentados na TV brasileira. 

O que lamento nessa história toda é que a saída de Hebe Camargo da TV brasileira se tenha dado apenas por conta da sua morte. O país que desejo para o povo seria capaz de se livrar desse tipo de conduta sem a morte. 

O respeito à vida me obriga a continuar lutando e me manifestando nessa direção. O respeito à vida humana  que Hebe Camargo jamais demonstrou ter. 

Morreu Hebe Camargo e espero que um dia morra esse jeito nefasto e desumano de usar a TV no Brasil.