segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Democracia na Islândia


Aconteceu na Islândia!!!

Sabe o que? Não, talvez vc não saiba porque não foi amplamente divulgado. Todos nós vimos e vemos as desgraças na Síria, os abusos dos policiais nas ruas da Espanha, as dificuldades em Portugal e tantos exemplos. Povos lutando por seu direito à vida.

Sobre a Islândia não ouvimos falar e nem sabíamos que algo estaria acontecendo. Imaginamos que se não repercutiu com tanta veemência é porque não tivesse maior importância, pois afinal coisas acontecem em todos os lugares o tempo todo e não dá pra gente ficar sabendo de tudo, claro. Mas nesse caso a mídia não noticoi porque NÃO PODE NOTICIAR, já que está amordaçada e atrelada ao poder econômico.

Nesse caso a ausência de noticia e repercussão não diz respeito a relevância do acontecimento pois ele foi e é de extrema importância.

Vc já ouviu falar em um país que tenha tomado as ruas e sem derramar uma gota de sangue tenha derrubado completamente o governo, pacificamente?

Já ouviu falar em um país em que o povo nacionalizou os bancos (o povo e não uma liderança proletária) e chutou os traseiros dos banqueiros fazendo-os correr fugidos para não irem presos?

Ouviu falar de um povo que provocou novas eleições antecipadamente e colocou no governo uma primeira ministra que além de mulher é homoafetiva declarada??? Um ministério metade de homens e metade de mulheres. E vão refazer toda Constituição???

Que se recusou a pagar a dívida externa prendendo e responsabilizando os poderes que a criaram???

Parece livro do Saramago, não parece?

Foi o que aconteceu na Islândia. Veja esse vídeo curto resumindo essa historia e pense que, apesar da Islândia ser muito pequena e com pouquíssimos habitantes (sorte dela), a democracia depende de uma única coisa: A VONTADE DO POVO!!!





COMPARTILHE ESSAS IMAGENS
pois se a mídia não pode,
nós podemos mostrar o caminho das pedras.





"Desde Óscar Wilde que é sabido que um mapa sem a ilha da Utopia é um mapa que não presta." Artigo de Miguel Angel Sanz Loroño, publicado em dezembro de 2011 e traduzido para o português:





Vamos incentivar processos de democratização real
das nossas politicas e economias.

Vamos estimular os agrupamentos,
fora dos partidos, numa única voz,
que é feita de diversidades,
mas que pretende um mesmo bem,
os valores humanistas acima dos capitalistas.



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Carta de Miruna Genoíno e o futuro dos nossos josés


Eduardo Suplicy faz uma leitura em plenário
da carta que Miruna Genoíno,
filha de José Genoíno,
escreveu sobre seu pai.

Mais do que um depoimento pessoal
é um documento histórico,
como é histórica a leitura desse documento
por este homem inusitadamente sensível,
disfarçado de político.




Pobres dos nossos Josés!!!

A luta pela igualdade social não tem fim e quem nasce por uma causa, vive por ela e por ela pode morrer.

Nossos guerreiros, outrora guerrilheiros, deram o sangue e viram a anistia chegar, a tortura cessar, a democracia começar a nascer. Compraram seus ternos para assumir os cargos porque ao invés de arrancar o poder numa luta sangrenta, escolheram o caminho do diálogo.

Dialogaram com a sociedade e dialogaram com o sistema.

Esses guerreiros, que não são só o José Dirceu ou o José Genoíno, mas tantos homens e mulheres simples e honestos, mais ou menos estudados, que vivem mais tempo pro coletivo do que para o pessoal.

Se Genoíno achou que seu trabalho mais dificil foi ser torturado, estava enganado: não existe dor maior que servir de bode de expiação. A luta que este homem terá que travar a partir desse 9 de outubro será tão importante quanto a que travou na sua juventude. A comprovação de sua inocência não é uma causa pessoal e a carta de sua filha nos chama para essa questão: não é o desabafo de um parente desconsolado, mas um depoimento sobre nossa historia que se faz menos de datas comemorativas e mais de gotinhas de suor pingadas no dia a dia.

É de pessoas que se faz a historia! De vidas vividas, escolhas feitas, perdas.

Se Genoíno pensou que a administração pública era seu novo papel, foi inocente: ele tem papéis mais difíceis para executar e com certeza tem coragem suficiente para isso.

Enquanto muito molenga, que não suportaria metade do que esse homem suportou por gente que nem conhecia, hoje aponta o dedinho pro Genoíno, uma nova etapa da nossa política tem início. Nosso Brasil precisa limpar muita sujeira da politica, todo mundo sabe, mas os instrumentos de faxina tem que estar limpos também: está chegando a hora mais dificil para um país que é quando tem que rever sua justiça e seus juízes.

Embora estejamos tristes hoje, temos que entender que é apenas um novo começo e torcer para que homens com Genoíno consigam se manter à frente das novas batalhas!!!


E agora José??


Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato, 
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José! 

José, para onde?





quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Da utilidade do julgamento do mensalão



“... que o Estado seja dirigido por administradores íntegros, legisladores probos e juízes incorruptíveis”.
Ministro Celso de Mello

Tomara assim seja!!

Enorme importância tem o julgamento do famoso mensalão. Embora muito petista reclame que não foi o primeiro da nossa história, que seu início está em outros governos e em outros partidos que também deveriam ser julgados (não discordo)
este mensalão petista e lulista foi levado a público e a julgamento.

Mais importante do que punir os infratores é, obviamente, tornar a sociedade consciente do seu próprio comportamento.

Infelizmente ainda vivemos num tempo onde a sociedade pensa se diferenciar dos seus políticos: critica seus representantes como se eles tivessem comportamentos diferentes do que vemos todos os dias nas ruas: de roubos criminosos a pequenos delitos, em constantes corrupções, infrações e desrespeitos a leis, pessoas, grupos, toda sociedade é partícipe ativa ou passivamente do comportamento que está sendo julgado.

Com isso não quero repetir o bordão de que através do voto escolhemos esses políticos e por isso somos responsáveis pelos acontecimentos. Muitas vezes sim, mas na maioria das vezes não. Não tenho culpa ou responsabilidade sobre o comportamento do outro, a não ser no âmbito da coletividade. Esse paradoxo é que é difícil (todo paradoxo é difícil): ao mesmo tempo em que sou responsável pelo comportamento coletivo porque somos todos um e mesmo princípio formando a mesma subjetividade, por outro lado, não sou absolutamente responsável pelas escolhas individuais, se não pelas minhas. E minhas escolhas encontram seu limite nessa coletividade. Sou o todo e o um ao mesmo tempo e em tempos diferentes. (oi?)

Fora da filosofia, ou já dentro dela, não nos adianta em nada punir os acusados do mensalão e acreditar que nos livramos da corrupção, ou dos corruptos. O processo de democratização social é bem mais complexo do que estamos conseguindo administrar no dia a dia. Vivemos um estado de transição extremamente desconfortável onde as tecnologias da democracia estão sendo implantadas lentamente, porque são simultaneamente criadas, porém preenchidas de uma mentalidade habituada à ditadura, viciada nela, o que é pior. E pra tirar vício há que eliminar dependências.....

Nossos ex-guerrilheiros, que chegaram ao poder, continuaram a atuar como o faziam sob o poder militar. Na guerrilha os fins super justificam quaisquer meios. Há quem pense que a esquerda brasileira chegou ao poder e se contradisse repetindo os comportamentos corruptos dos governos anteriores. A teoria linconiana do dê poder ao homem para conhecer seu caráter, contaminou nossos olhos quando vimos os mesmos gestos em corpos tão distintos!!! Nossa falta de fé na humanidade (muito justificada pelo que vemos todos os dias) nos fez acreditar que “a ocasião faz o ladrão” e que nossos ex-guerrilheiros pós torturados cansaram de sofrer e resolveram também aproveitar a vida fazendo enxoval em Miami, enriquecendo ilicitamente. Alguns provavelmente, mas nem tudo se resume a isso.

Nossa esquerda não chegou ao poder pela luta armada ou pela revolução proletária. Escalou cada degrau em negociações não apenas com a sociedade, mas com a máquina governamental. Ao contrário de impor pela força seus ideais, prorrogou seus anseios em troca de avançar pacificamente pelos corredores do poder. Não apenas por tática, mas porque toda sociedade brasileira, violentamente golpeada pela barbárie collorida, cedeu. Nossa esquerda, talvez por incompetência, ou talvez por modernização dos caminhos de socialização dos meios de produção, buscou adaptar-se à máquina para então modifica-la.

Excesso de adaptação foi seu pecado!!

De tantos fins que justificaram os meios, e de tanto que os meios se tornaram o fim (da picada), não só no Brasil, mas no mundo esse conceito ruiu. O momento é outro apesar de muita coisa permanecer a mesma. As armas hoje já não significam protesto porque viraram sinônimo de destruição. As ditaduras, mesmo que proletárias, se tornaram sinônimo de abominação.

E a corrupção tornou-se um crime hediondo contra a sociedade!!

O mensalão é uma prática antiga que de tão antiga era indissociável do sistema político. Embora possamos acreditar, benevolentes que somos, que o objetivo da corrupção petista era em benefício do país, já que os apoios comprados seriam para causas sociais, ou seja, considerando que o partido no poder era um legítimo defensor das causas sociais e pretendia fazer passar seus projetos, ou ampliar seu poder para garantir sua governabilidade..... de boa intenção o inferno atingiu superlotação.

Nosso comportamento é tão viciado que nem conseguimos acreditar plenamente nos próprios juízes que julgam esse caso porque não seria surpreendente tentativas de suborno do judiciário, já que vemos isso diariamente. Todos somos suspeitos até que se prove o contrário!!

E é essa consciência o fator mais importante nesse julgamento: que observemos nossos próprios atos. A lavagem cada vez maior de políticos corruptos nos últimos anos, derrubando mitos, tem mais importância no reflexo que consegue no comportamento de cada um da coletividade, do que punir esta ou aquela pessoa.

Reitero que infelizmente ainda vamos caminhar muito até que paremos de nos distinguir dos nossos representantes; até que a sugestão de Gandhi seja aplicada de mudarmos em nós mesmos as mudanças que queremos ver nos outros. Mas todas as caminhadas começam por algum lugar e a estrada que leva à integridade começa a ser construída. Não pelo falso moralismo desse atual judiciário, mas porque a escuridão da tirania já perde seu breu.

Que não só os corruptos sejam punidos mas que a corrupção seja substituída como padrão de conduta por atitudes de respeito ao humano, ao social, ao coletivo. E, principalmente, TODO ESSE DINHEIRO QUE ESCOA NESSES ESQUEMAS MILIONÁRIOS SEJA REVERTIDO EM BENEFÍCIOS SOCIAIS, NA SAÚDE, EDUCAÇÃO, HABITAÇÃO, CULTURA E MEIO AMBIENTE.



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Hebe Camargo, o ícone multifacetado


O texto a seguir de Paulo Sérgio de Moraes, em seu blog na internet O Palpiteiro (http://opalpiteiro.blogspot.com.br/2012/09/hebe-camargo-e-o-respeito-vida-ou-falta.html), provocou no facebook uma polemica muito pertinente que levanta desde os impasses políticos atuais, até o papel da mídia de massa.

Eu pessoalmente acho o texto uma belíssima reflexão não sobre a Hebe Camargo; o texto não é sobre a Hebe Camargo!!! E por isso a importância de publica-lo diante da sua morte.

É um apelo não à morte dos conservadores, mas do conservadorismo!!! O texto é sobre nossas escolhas e nossas ilusões, sobre como nos iludimos com o brilho dos diamantes e holofotes da vida das celebridades e nos esquecemos de nós mesmos, esquecemos-nos das nossas dores coletivas. Não cabe, a partir da reflexão política que desvenda, discutir Dilmas e Serras, Malufes ou partidos. A referência que faz a atitude anti humanista de Hebe, não conhecida por muitos, não está colocando em discussão direita ou esquerda!!! Já sabemos onde estava cada lado naquela ocasião; e o que interessa aqui não é uma acusação nostálgica.

O texto está falando sobre o ícone de alegria e de uma sociedade que não acolhe seus próprios sofrimentos. A ditadura não torturou a Dilma ou o Herzog, torturou toda a sociedade em cada corpo, escondeu a memória coletiva em cada corpo desaparecido; são nossos os corpos!!! E enquanto isso damos risadas (e nada contra sorrir) com uma mulher talentosa e carismática, envolvida em peles de animais, ornamentada em ouro e diamantes, propagando pensamentos conservadores e úteis a ela mesma e sua classe social. Ela não estava certa ou errada, pois era o que era e o texto nem pretende julgá-la. Não importa A HEBE!!! Da sua pessoa lamentemos a morte é claro!!!

O texto levanta o que somos e como esquecemos nossos sofrimentos coletivos por tão pouco!!! Como somos cruéis com nossa própria historia e tão pouco afetivos com nossas feridas, mas tão benevolentes com quem não se importa muito com a coletividade!!! É bem mais simples. Uma bela reflexão e muito pertinente.




Hebe Camargo e o respeito à vida (ou a falta dele)

Dou aulas de Geografia há de 19 anos. Talvez poucos nomes foram tão lembrados nas minhas aulas quanto o de Hebe Camargo. E tenho certeza de que jamais disse algo de bom a respeito dela. Muita gente deu risada e, de vez em quando, alguém não se continha e perguntava: "Mas por que você não gosta dela?". Para alguns alunos eu dizia as minhas razões. Na maior parte das vezes respondia com outra pergunta: "Por que deveria gostar dela?", ou ainda, "Dê-me pelo menos 3 razões para gostar dela...". Nunca me disseram uma única razão.  

Ontem Hebe Camargo morreu e não foram poucos os amigos que me avisaram. Mensagens pelo celular, recados em caixa-postal e mais de 60 notificações no Facebook me obrigaram a dizer qualquer coisa. 

A primeira coisa que pensei foi explicar, finalmente, as razões de minha implicância com a falecida. Mas julguei que tão importante quanto isso seria deixar claro que não havia motivo para debochar da sua morte. Quem respeita a vida e luta contra os abusos contra ela não tem o direito de brincar com a morte dos outros. Eventualmente uma piada ou outra acaba saindo, em ambiente privado, descontraído. Publicamente não é bom. E no mundo em que vivemos é preciso cada vez mais separar o que é íntimo, privado, daquilo que pode ser público, aberto. 

E eis que aí procuro me diferenciar de Hebe Camargo. A busca pela correção   naquilo que tornamos público. 

Já disse algumas vezes, para algumas turmas de alunos, que um professor deve ter responsabilidade com aquilo que diz. Brincadeiras à parte, manifestações racistas, preconceituosas ou que preguem qualquer tipo de mal individual ou coletivo, devem ser combatidas, mais do que evitadas. Na minha carreira de professor tive períodos de lecionar, semanalmente, para centenas de alunos. Não tive o direito de pregar ódio. E procurei ser cuidadoso com isso. Sempre, apesar de erros.

Hebe Camargo tinha um alcance maior. Em rede nacional de TV atingia milhões de brasileiros. Era descontraída e tinha uma capacidade de comunicação rara. Reconhecer isso não me traz nenhuma dificuldade. Minha repulsa era justamente o que ela fazia com essa capacidade rara de comunicação. 

Quem ler o livro "Autopsia do medo", de Percival de Souza, ficará sabendo de muitas histórias a respeito do maior torturador do regime militar, Sergio Paranhos Fleury. Nele saberá de ao menos uma das relações entre o delegado torturador e Hebe Carmargo. 

Fleury se notabilizou pela capacidade de combater opositores do regime militar, em especial os guerrilheiros.  Ele era um delegado de péssima reputação na polícia de SP, mas foi útil ao empregar suas "técnicas" para a ditadura. Um promotor público de SP, baixinho e fisicamente frágil, chamado Hélio Bicudo, ousou enfrentar o delegado torturador, assassino e ocultador de cadáveres. 

Hélio Bicudo sabia que não podia enquadrar Fleury por crimes de combate a perseguidos políticos. Usou outra estratégia. Resolveu enquadrar o delegado pelos abusos que cometeu ANTES de ser agente da repressão política. Fleury fazia parte de um esquema de assassinatos conhecido como "Esquadrão da Morte", e por ele foi processado e julgado. 

A estratégia de Hélio Bicudo foi tão engenhosa que a ditadura não tinha como livrá-lo da cadeia. A solução para a ditadura foi mudar a lei. Inventou que réu primário não precisava necessariamente ser preso. A lei ficou conhecida como "Lei Fleury". Criada para livrar a cara de um delegado torturador. 

No processo contra Fleury foram arroladas testemunhas de para a sua defesa. Uma delas foi Hebe Camargo. Fleury agenciava policiais que trabalhavam como seguranças para cantores e gente da televisão. Por isso era bem relacionado com gente da TV. A estratégia da sua  defesa foi impressionar o tribunal com uma figura conhecida e muito influente. 

Muita gente pode ser poupada de críticas pelo que fez ou  deixou de fazer durante a ditadura. Hebe Camargo não. Num dos momentos mais tristes da história do nosso país ela escolheu um lado. No caso, o lado de quem não respeitava a vida e a dignidade. E fez isso conscientemente. 

No período pós ditadura não me impressionou que Hebe apoiasse Paulo Maluf e atacasse uma figura como Dom Paulo Evaristo Arns. Não foram poucas as vezes em que vi Hebe Camargo protestar contra defensores de direitos humanos. 

Também não me causou espanto vê-la no falido movimento "Cansei", aquele que tentou explorar politicamente a dor causada pela queda do avião da TAM. O movimento "Cansei" partiu de uma ação nojenta. Usar a morte e a tristeza para interesses político-eleitorais. Hebe Camargo mais uma vez não respeitou isso. 

Num país que valorizasse a vida humana e o respeito ao direito básicos de TODOS, Hebe Camargo não teria público. Não seria proibida de falar as bobagens e as apologias de violência que tanto apreciava. Num país mais civilizado ela simplesmente seria ignorada.

Entendo que uma figura como Hebe Camargo não aparecerá novamente, pela simples razão de que a televisão já não é a mesma. Até poucos anos atrás uma apresentadora de TV tinha um peso muito grande na opinião das pessoas, pois não havia muitas opções. Fico muito feliz hoje em saber que meus alunos ficam mais tempo da internet do que diante da TV. É cada vez menor o número de pessoas que ainda assistem novela e que levam a sério porcarias de programas como os que são apresentados na TV brasileira. 

O que lamento nessa história toda é que a saída de Hebe Camargo da TV brasileira se tenha dado apenas por conta da sua morte. O país que desejo para o povo seria capaz de se livrar desse tipo de conduta sem a morte. 

O respeito à vida me obriga a continuar lutando e me manifestando nessa direção. O respeito à vida humana  que Hebe Camargo jamais demonstrou ter. 

Morreu Hebe Camargo e espero que um dia morra esse jeito nefasto e desumano de usar a TV no Brasil. 



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Por que o Brasil é o país do futuro - Discurso de Dilma na ONU

DOU MÃO À PALMATÓRIA (embora eu seja contra a violência) apesar das possíveis críticas que faça à Dilma Roussef, seu discurso à ONU é, em minha opinião, excelente expressão de um Brasil pacífico e democrático.

As opções de críticas e defesas que fez demonstram sua coragem, suas escolhas ideológicas e sua qualidade como economista. Dilma (muito além de Lula) é uma importante síntese das qualidades do nosso país.

Discurso emocionante, pertinente e maduro, demonstra que não temos uma marionete à frente do país, nem uma egocêntrica dirigente, mas uma Mulher objetiva, combativa e generosa.

Quem quiser conhecer sua presidenta tem essa oportunidade direta, sem mediações, de sentí-la e refletir com autonomia sobre suas escolhas
(tuas e dela).

TEM QUE ASSISTIR!!!




quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Madrid e sua democracia

Tristes imagens revelando a forma de governabilidade da Espanha, o respeito por seus cidadãos, e o despreparo absurdo da sua polícia dando cacetada em gente desarmada e desligada até da manifestação. Como se manifestante fosse bandido ou criança. Imagens de um tempo que já devia ter terminado e que não cabe mais na nova civilização que estamos construindo. Que o povo espanhol não perca a força e a coragem de vencer essa arbitrariedade e não desista de mostrar que sempre, em qualquer tempo, em qualquer lugar, demore o quanto for, custe o que custar, é o cidadão que manda em seu país, em seus representantes, e não o contrário. É a força de trabalho que dá vida a qualquer nação!!



sábado, 22 de setembro de 2012

REDES SOCIAIS – os novos jornais


Sou de um tempo em que toda a informação sobre os acontecimentos fora da minha casa, escola, trabalho e proximidades, vinha da TV e dos jornais, as comunicações de massa.

Sou de um tempo em que as notícias vindas dos meios de comunicações eram assimiladas como verdades. FATOS REAIS.

Muita coisa mudou. Einstein me jogou num tempo que era também espaço e flutuando comecei a me dar conta do movimento constante das coisas e logo Shiva assumiu meu altar. Tudo é movimento, fluxo constante.

Além da relatividade sobre a verdade, que me parecia tão bem empacotada e segura, o mundo deixou de ser um quadro bidimensional: comecei a aprender que em toda realidade havia camadas dela mesma; tanto no sentido metafísico, quanto no quântico, mas ainda além nas relações humanas. Comecei a aprender que por detrás das atitudes explicitadas das pessoas, haviam atitudes não reveladas. E que o PODER, é desejável não apenas por alguns, mas por todos os seres humanos em diferentes escalas. Temos uma incontrolável necessidade de controlar os outros e a nós mesmos; de controlar esse fluxo constante que é o Universo. E dessa angústia por portos seguros, inflamos essa ambição por poderes, cada um a seu modo, cada um na sua instância.

Agora sou de um tempo novo e muito diferente daquele que eu achava pertencer. Todas as referências estão mudando e muito rapidamente, pois até a noção de tempo não é a mesma.

Então, toda a confiança depositada fora de mim, nos poderes, nas informações que recebia daqueles que pareciam conhecer as verdades dos fatos mais do que eu, começou a se relativizar. Comecei a perceber que uma verdade sobre os fatos que nem eu mesma presenciei, brotavam de dentro de mim, meu poder. Comecei a perceber que quanto mais eu despertava uma “capacidade” de relacionar experiências, mais conhecimentos profundos brotavam de mim, mais eu percebia a realidade externa com uma amplitude além daquela oferecida por quem conhecia os fatos melhor do que eu.

Isso passou a me fortalecer obviamente, pois percebi que eu era realmente fonte de verdades; comecei a entender o que era a “iluminação” tão invejada nos budas. Não mais um estado extra-real, um Nirvana fora do mundo; não um estado sem paradoxos, sem contradições de bem sem mal, de paz sem guerra. A iluminação pareceu-me apenas essa possibilidade de apreender a realidade COM e ATRAVÉS DE seus paradoxos. Permanecer em meditação no Himalaia de mim mesma, enquanto me movimento na violência das paixões, sem eliminá-las. E dessa forma posso ver o mundo ao meu redor em todas suas camadas, e relações, e resistências.

Passei a conhecer meus poderes. Da coragem de acreditar em mim mesma passei a olhar os mestres com os olhos que olho para mim, ou olhar para mim com os mesmos olhos que olho os mestres. E ficou mais fácil olhar os donos do mundo, os donos das filosofias, os donos das descobertas, os donos disso e daquilo, do mesmo lugar de onde me vejo. Conhecer nossas diferenças, mas reconhecer nossas semelhanças. Percebi que nem todos os mestres eram mestres, que nem todos os donos do mundo eram donos do mundo, que nem tudo em mim era eu.

Nesse tempo de hoje sabemos que a informação, a notícia e até mesmo o conhecimento que nos ensinam nas escolas, são escolhas, discursos intencionados. Não inúteis por completo, mas parcialidades.

Nesse tempo de hoje o compartilhamento crescentemente veloz da informação, do conhecimento, da noticia, nos colocou sob a mesma responsabilidade de escolha.

Hoje, em minha página de facebook, de uns mil acessos, ou no meu blog, tenho a mesma responsabilidade de transmitir informações e recebê-las que tinha os donos dos meios de comunicação.

Hoje sou o jornal e a televisão. Embora o alcance imediato não seja de massa, já está comprovado que a rede social ou blog, acessa mais gente do que qualquer outro meio. Os limites entre nações que aprisionam jornais e televisões são invadidos pela internet e redes sociais. Tenho amigos em Israel, Cuba ou entre os índios kayapo, sem a barreira das línguas, podendo trocar até imagens da minha intimidade!

Hoje ninguém mais acredita nos jornais e revistas, tão desmoralizados com a exposição de suas escolhas. Hoje podemos nos movimentar pela internet e ler diferentes opiniões, reflexões, participar de discussões e juntos criar a realidade.

Hoje prefiro ler as “noticias” do mundo pelo facebook do que abrir esses portais de informações que me servem apenas para... informações. Pela rede social, além da informação, recebo links de reflexões nacionais e internacionais que vem em formatos não só de textos como de vídeos e fotos. Notícias das ruas embaralhadas por notícias das pessoas em suas casas, das imagens de suas vidas, coloridas por obras de artes, poemas, fotos da natureza; informativos de peças, filmes e eventos, sem ter que engolir propagandas (nem percebo as propagandas do facebook). Se precisar de um serviço do encanador à compra de uma placa de vídeo, se está chovendo ou está trânsito...tenho tudo que qualquer meio de comunicação pode me dar e muito mais porque tenho contato com pessoas!!!

É preciso dizer que ainda estamos submetidos às estruturas dessas redes que decidem muita coisa por nós, mas em futuro próximo saberemos operar a internet diretamente entre nós sem mediadores; saberemos operar a sociedade sem representantes. A internet não criou um novo conceito de democracia, ela trouxe e real possibilidade de nos relacionarmos democraticamente, com todas as vantagens e perigos dessa relação.

Agora sim temos a chance de nos libertarmos do sistema patriarcal e nos tornarmos adultos de verdade, com responsabilidade sobre nossos comportamentos e escolhas, com autonomia e liberdade. É só uma questão de tempo, do novo tempo.



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

SANTA AQUISIÇÃO, sobre as dollys disfarçadas de patrícias


SANTA AQUISIÇÃO foi o nome que dei para essa pequena crônica da vida real criada pela Bia Dias e postada no facebook pela incrível Heloisa Paternostro.

A triste e decadente vida dos sem cérebro!!

"Eu fico cada vez mais estarrecida com a classe média alta do interior e de São Paulo. É uma atmosfera de futilidade absurda, um vazio existencial, um bando de pobres meninas ricas a desfilar suas bolsas que custam um apartamento e sem nenhum investimento num curso de português básico, num aprimoramento qualquer. Hoje ouvi uma conversa alheia e vi uma patricinha terrivelmente arrumadinha comemorar a vinda da Daslu para Ribeirão e dizer: " Esse pessoal fica recriminando a Daslu, mas é outro nível. Lá tem vestido de até dez mil reais. A gente vive na ditadura e não pode gostar de nada que é melhor do que dos outros? Estamos vivendo na época da SANTA AQUISIÇÃO! " (A anta humana, desavisadamente, cometeu um erro bem ilustrativo e definidor da estupidez capitalista onde ela vive mergulhada!) Não me agüentando, soltei uma imensa gargalhada e a pobre coitada que se diz injustiçada por gostar de coisas "melhores" olhou com aquela carinha de nojinho para uma criatura que dormiu mal, não tem tempo sobrando para acordar, maquiar e fazer escova e muito menos de ficar dando "diquinhas" de " creminhos" para as "coleguinhas". (sim, porque o mundo delas acontece no diminutivo) Eu toda suada, cansada, com um nó no cabelo, tive pena foi dela. Ô vida de butique, ô mundo onde o outro não é ninguém. Lá vai ela, toda alienada, em seu carro conversível, votar no Serra e cia, e desfilar seu preconceito e sua burrice pelo mundo, cansando nossa beleza de olheiras e cheia de vida de verdade."

Bia Dias.


O que me pergunto diariamente é: do que são feitas essas pessoas??? Será que os filmes de ficção científica não são ficção e, realmente, alguns laboratórios de pesquisa americana ou alemã, ultrassecretos andaram fazendo testes para recriação de humanos??? É, porque na verdade a gente sabe que vários países vem pesquisando a bomba atômica há décadas, mas nunca ninguém divulga as pesquisas científicas sobre a clonagem humana. Depois da coitadinha da Dolly ficar famosa, com cara de ovelha mas sem alma, a gente só escuta falar das pesquisas em plantas, bactérias, virus, enfim, em tudo que não é humano.

É compreensível que não saiam por aí falando na criação dos Franksteins para o Papa não encher o saco, mas é também imaginável que estejam fazendo pesquisas e mais pesquisas dessa natureza.

E como toda pesquisa dá mais errado do que certo até chegar a algum modelo, o que estão fazendo com os erros????

E se esses erros não forem tão errados assim, ou seja, falam, andam e se reproduzem, mas apenas NÃO PENSAM? O que para alguns poderosos não é um erro: como nos filmes de ficção ainda (e os artistas estão aí inventando futuros), um exército de seres humanos clonados não pensantes pode estar entre nós, sem nos darmos conta.

Oh meu deus!!! Ou melhor, estamos nos dando conta: essas mocinhas que frequentam a Daslu e pagam fortunas por calças, sapatos e bolsas só podem ser resultados dessas pesquisas!!! Claro!!!

1.    Nenhum ser humano com alma, não clonado, gastaria 2 mil reais numa calça jeans numa época em que o mundo está tendo tanta dificuldade em alimentar 7 milhões de pessoas!!

2.    Nenhum ser humano com ALMA ou não clonado gastaria outras dezenas de “mil” reais para comprar bolsas, sapatos, anéis, ou comidas, bebidas, sabendo que tem TANTA GENTE MORANDO NA RUA, PERDENDO SUAS CASAS, etc, etc, etc, e ainda se acharia no direito de continuar gastando!!!

3.    (a lista é infinita)

Com certeza essas dollys disfarçadas de patrícias são resultados de experimentos de clonagem MAL SUCEDIDOS, pois vieram sem sensibilidade, sem curvas cerebrais, com pouquíssimas conexões neuronais e, claro, destituídas de ALMA, pois a alma é inclonável.





Urnas eletrônicas e fraudes

Esses dias eu explicava para meu filho como o Brasil era desenvolvido tecnologicamente, até mais que outros países, pois era um dos únicos a utilizar a urna eletrônica e que esse sistema era o melhor contra fraudes.

Vou ajoelhar aos pés do 
meu menino e pedir perdão por sua mãe ser uma vaca de presépio e não saber nada sobre fraudes e tecnologia nas eleições; ela só repete o discurso que mandam ela repetir............ 





Urnas eletrônicas também são corruptíveis

Incêndios nas favelas

A maldade que envolve os incendios nas favelas paulista é impensável: cada incendio desabriga por volta de 1.000 pessoas que vão para as ruas sob o choque da perda de tudo que possuem e sem a chance de recuperação ou defesa. Pessoas sem poder aquisitivo, sem proteção, tornadas indigentes de um dia para o outro. É dessa forma que os especuladores enriquecem? Vale à pena comer brioches a essas custas? O humano é igual em qualquer lugar. Aquele que acredita estar se dando bem sobre o sofrimento alheio está apenas ignorante de si mesmo e da unidade entre todos nós; está apenas ignorante de que o sofrimento que aplica no outro aplica sobre si mesmo, e sem metáforas!! Paga na alma. Não pelo castigo de deus nenhum, apenas porque a alma do mundo é uma só e mesma anima mundi.

Russomano sobe

E Russomano só sobe, 35% já, esfregando na nossa cara que blá blá blá não serve pra nada, quer dizer, serve pra quem tem poderes midiáticos; mas para nós que o máximo de mídia que detemos é uma página de facebook, esse número mostra a inutilidade de nossas indagações, a inutilidade de nossas indignações. Esse número, somado ao Serra resultando em 56%, mostra que São Paulo tem uma maioria totalmente despreocupada com o semelhante e quer mesmo é garantir a manutenção do seu status. Mostra que nas escolas paulistanas o que se aprende é a permanecer na ignorância do conhecimento alienado da realidade, se aprende a ficar iludido com a virtualidade do consumismo. Esse número mostra que não teremos liberdade de pensamento e comportamento, que gays, pobres e negros continuarão a ser perseguidos porque a exclusão é a base do pensamento conservador burguês. Esse número mostra que teremos muitos incentivos para o entretenimento e nenhum avanço para a cultura porque o neo liberalismo entende por cultura dar dinheiro pra fazer pecinha.... Esse número mostra que essa corja vai se juntar com a corja do governo do Estado e vão continuar enchendo seus bolsos e dos especuladores, de dinheiro e jogando gente na rua. Mostra como a mente do paulistano é limitada e o máximo que consegue projetar de futuro é final de semana em Miami..... e não percebe que o futuro desse tipo de escolha é 1 só.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O neo liberalismo paulistano


Debate ocorrido na USP sob o tema da Ascensão Conservadora na política paulista com os debatedores: Marilena Chauí, André Singer e Vladimir Safatle.

Importante reflexão que portanto fiz questão de compartilhar.

André Singer
O neo-liberalismo crescendo no Brasil, trazendo consigo o pensamento conservador e de direita, religioso, e com reflexo significativo na classe média. André Singer sintetiza o neo-liberalismo em individualismo feroz, mercantilismo generalizado e a privatização como solução.

O perigo do neo-liberalismo é gerar um avanço do pensamento conservador porém de forma subliminar; o discurso nessa fase deve parecer de esquerda mas em realidade sustenta um comportamento de direita, conservador e, finalmente, capitalista.




Marilena Chauí
A classe média paulistana proto-ditadora.




Vladimir Safatle
Os evangélicos na politica e o conservadorismo dentro da esquerda.



Complemento dos discursos a partir de perguntas do público


PARA REFLETIR


As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras
Friedrich Nietzsche