quinta-feira, 28 de junho de 2012

Irmãos gêmeos confundidos com homossexuais são agredidos e um deles é morto



Reportagem publicada pela Folha de São Paulo em 28/06/2012 sobre o assassinato de um rapaz, por espancamento, por ter abraço publicamente seu irmão gêmeo, inspira nosso artigo de hoje.


(matéria da Folha de São Paulo)

E ainda destaquei dois comentários, do site do mesmo jornal

Mirella comentou em 27/06/12 at 17:17
Como é que uns e outros dizem?
“Não existe homofobia, isso é invenção dos gayzistas, seus pecadores!”.

 Rogério comentou em 27/06/12 at 17:33
Pobre humanidade essa que se ofende com demonstrações de afeto, seja entre irmãos, seja entre casais héteros ou gays! E ainda tem gente desse tipo que usa a Biblia para justificar tais atos covardes, como se Deus renegasse algum de seus filhos por causa de sua orientação sexual… Pura ignorância!



E mais uma vez estamos aqui repetindo pacientemente o que parece ser tão óbvio: a defesa de direitos à liberdade de expressão, opinião e escolha; a defesa à diversidade sexual.


Antes de qualquer palavra gostaria de agradecer à ALMA desse rapaz que se “ofereceu” como vítima desse crime, e a essa família, esposa e filho ainda em gestação, mãe e irmão, que apesar de seus sofrimentos incalculáveis, vão colaborar em mais um tijolinho no gigantesco muro que estamos construindo contra a violência!! Obrigada!


A notícia publicada pela Folha de São Paulo é chocante!! Enquanto estavam assassinando homoafetivos, a sociedade ainda fingia que o problema era controverso, polêmico, mas esses crimes vem acontecendo diariamente, como um massacre, e pouquíssimo tem sido feito para proteger as vítimas potenciais. Muita gente, muita mesmo, ainda é capaz de manifestar essa frase que a comentarista Mirella fez no site da Folha de São Paulo, sobre a hipocrisia alheia: “não existe homofobia, isso é invenção dos gayzistas...”. Obviamente a sociedade com sua maior riqueza, a hipocrisia, inventa o que for necessário para continuar sustentando sua moralidade perversa. A sexualidade social está num nível bastante problemático, já tão diagnosticado: essa mistura de grupos excessivamente pudicos por um lado, com grupos excessivamente pervertidos de outro, e um grupo mediano de gente perdida procurando ser feliz, faz de nós uma sociedade gravemente doente na sua fonte primária de vitalidade que é a sexualidade.

É forçoso e urgente compreender a relação direta entre as crenças religiosas e essa violência contra liberdade sexual: seja na diversidade de opções seja na própria liberdade de expressão da sexualidade feminina, que também é alvo dessa violência.

Não há como nossa consciência não entrar em parafuso se por um lado somos catequizados por religiões que reprimem perversamente a energia sexual, necessária a nossa expressão humana, e, por outro lado, somos massacrados por um jogo também perverso, do poder econômico, expondo uma imagem completamente desorientada do que seria essa expressão natural.

O comportamento pudico e o comportamento pervertido são o mesmo comportamento!

Já foi tantas vezes explorado o entendimento de que através dessa sexualidade pervertida que os sistemas de poder (religioso e político, enfim ideológico) nos impõem seu comando, somos alvos fáceis de manipulação; a energia sexual, que não é a vontade de praticar sexo, mas uma capacidade humana profunda, uma energia mesmo que nos mantém vivos e criativos (em todos os sentidos), é nossa expressão humana básica. Em outras palavras, se eu cortar a energia elétrica, vc não consegue ligar seu abajur!!! Se eu impedir que sua energia vital circule, vc funciona mal (que não é dificuldade de ereção, mas dificuldade de vencer na vida em todos os sentidos), adoece e se sente sempre pior do que realmente é. E funcionando mal vc se torna facilmente controlado, manipulável, porque "perdendo" seu poder vc delega poder ao externo!!! Se sentindo um lixo, fraco, vc delega ao externo (seu pai, o governo, seu partido, seu patrão, Cristo, Buda, o terapeuta, o médico, DEUS) as forças para melhorar, o poder para vencer. Essa ideia foi inspirada por William Reich, NO SÉCULO PASSADO, mas outras linhas filosóficas (das quais provavelmente ele partiu), antigas, já nos revelavam um pouco desses mistérios. A energia sexual se não for aplicada na sua qualidade criativa e libertária (e não cabe a esse artigo o desenvolvimento do assunto), será, necessariamente aplicada na sua qualidade perversa e repressora.

O que interessa aqui não é o desenvolvimento das teorias da sexualidade como força vital, mas a reflexão sobre: como nossos comportamentos e padrões de pensamento, e sistemas de crenças estão colaborando para esses acontecimentos horrorosos?

Insisto que enquanto o extermínio de pessoas se restringiu a grupos minoritários, ou seja, enquanto estavam matando gays, só os gays e simpatizantes vinham reclamando e se organizando para garantir segurança. Mas como são grupos MINORITÁRIOS, a velocidade com que conseguem resultados legais e policiais é menor do que a velocidade com que os crimes vem crescendo nos últimos anos, em vários estados brasileiros (o país com os maiores índices de assassinatos homofóbicos). Essa violência vem sendo cultivada há séculos, alimentada diariamente, de forma explicita e também sub-reptícia, no nosso cotidiano. No entanto, os gays são seres humanos e portanto o índice de assassinato aos seres humanos veio aumentando no nosso país, por motivos TORPES. Assassinatos injustificáveis, apesar de ainda haver, em algumas culturas, leis que proíbam a homoafetividade com pena de morte.

É isso que está acontecendo no Brasil: pena de morte para a homoafetividade!

Mas como a maioria de nós não é assassina, imaginamos que não somos responsáveis por esses crimes, ou que nosso comportamento não tem vínculo nenhum com esses resultados.
Será? Será que mesmo eu não matando nenhum homoafetivo, o fato de não defender uma lei contra a homofobia não é um tipo de colaboração com o crime? Por exemplo: sou contra abusar sexualmente de crianças; mas, se não houver uma lei que puna a pedofilia, muitas crianças serão abusadas (como a Igreja Católica fez tantos séculos). Portanto é necessário que eu defenda a criação de leis contra a pedofilia porque só com um número grande de defensores dessa possibilidade de lei é que ela se torna Lei efetiva, certo?

O mesmo ocorre contra a homofobia: se não forem criadas leis efetivas de proteção dessa minoria, ela continuará sendo exterminada. E para efetivar essa lei precisamos nos tornar uma MAIORIA defensiva. Deu pra entender o quer que eu desenhe???

A defesa pública desses direitos é só uma atitude de cidadania.

Mas outros comportamentos do cotidiano são importantes para que colaboremos na mudança de padrão mental. Quando incentivamos o respeito às diferenças estamos fazendo essa colaboração. E não precisa ser só em situações ligadas diretamente ao assunto: defendendo um grupo minoritário qualquer, eu estou defendendo TODOS os grupos minoritários indiretamente, pois estou construindo comportamentos de tolerância à diferença.

Mas como a sociedade é preguiçosa no quesito mudança de comportamento, são necessárias várias barbaridades para que algum nível de consciência desperte coletivamente. E, infelizmente, mais uma barbaridade aconteceu e veio de forma inusitada e cruel para que ficássemos bastante decepcionados com nossos semelhantes. Pois é, porque não ficamos suficientemente decepcionados com o assassinato de pessoas que são classificáveis como fora do padrão estabelecido de comportamento, mas quando matam alguém dentro dos padrões, nos assustamos, nos espelhamos. (como se algum de nós conseguisse ser padrão de alguma coisa!!)

Um pai de família, com um filho sendo gerado, foi assassinado por estar praticando o mais belo ato da humanidade!!! Sim¸ a fraternidade é de todos os amores o mais elevado, acima mesmo da maternidade. Em todas as culturas existe o princípio básico de que somos todos irmãos; nesse caso, não só irmãos de sangue, mas para que o ato de torne ainda mais cruel, eram irmãos de célula que estavam se abraçando. Pessoas que foram geradas assim, com corpos unidos, dividindo o espaço sagrado do útero, abraçados pelo afeto fundamental de compartilhar a própria vitalidade......

(silêncio)

Chego então ao segundo comentarista do site onde foi publicada a matéria: pobre da humanidade que se ofende com atos de afeto....

Rapazes que não tem 25 anos, ou seja, jovens, assassinando com pedras duas pessoas que estavam se abraçando, apenas porque eram do mesmo sexo, apenas porque eram ambas do sexo masculino e, provavelmente, se abraçavam com muito amor.

Agora mudamos de patamar. Agora estamos TODOS envolvidos. Embora todos os dias aconteçam assassinatos que assustam nossa sociedade, estamos aqui falando de um tipo de assassinato diferenciado; sim, porque os crimes são diferenciados pelos seus motivos. A senhora que matou o ladrão em legitima defesa é diferente do pai que jogou a filha pela janela, ou do senhorzinho que matou a vizinha pra fazer churrasco, ou do assaltante que arrastou o garoto que ficou preso no cinto, ou do soldado que atirou no inimigo, etc... Esses jovens mataram porque dois homens estavam se abraçando no meio da rua. Agora um pai tem que tomar cuidado ao abraçar seu filho adulto, um amigo ao outro, dois parentes.... agora, homens não homoafetivos vão começar a sentir na pele “parte” do medo, do receio, da inibição que um casal homoafetivo masculino sente quando quer manifestar carinho em público. Todos os homens deveriam se sentir violentados com essa notícia porque todos tiveram seu direito de expressão afetiva assassinado.

É por isso que comecei agradecendo ao rapaz que doou sua vida, porque essa vida pode tirar do anonimato social, tantas mortes de homoafetivos que não foram dignificadas porque não pertenciam à categoria dos “aceitos”. Apesar de que ainda vivemos num sistema de crucificações, de sacrifícios expiatórios, temos condições de recuperar nossas vidas, nossa liberdade de pensamento contra padrões impostos, liberdade de sentimento, contra crenças infligidas, resgatar nossa energia vital e criatividade para imaginar um mundo bem melhor.
Fica aqui o manifesto da minha indignação, pois me indignar ainda é meu sinal de insurgência. Tomara esse caso seja único. Para que não se repita, depende de uma escolha coletiva.





sábado, 23 de junho de 2012

O Trono do Papa


Acho essa foto de mau gosto mas o sentido é tão fundamental
que vou ter que postar, retirada do Facebook!
 A discrepância é tão agressiva à humanidade que dói.
 A gente já se acostumou a falar que tem gente passando fome,
das desigualdades,
até fotos dessas crianças subvividas já conhecemos aos montes.







Essa criança por exemplo: está forrada de vermes na pele o que nos faz imaginar como está seu organismo por dentro (organismo por dentro?). Aliás a gente nem tem muita noção de quanto tempo com pouco alimento o organismo precisa para chegar a esse grau de inanição. Claro que alguma coisa ela ingere ou estaria morta em alguns dias, a questão é que ela ingere a terra do chão, o mato seco, pedra e farinha talvez.








Então nos perguntamos por que essa criança está nessas condições? Falta de comida????? Como pode ser falta de comida se nosso planeta é farto em alimento? Fartíssimo, se é que se pode aumentar o sentido da palavra. 



O Banco Mundial define a pobreza extrema como viver com menos de 1 dólar por dia, MENOS de 2 reais!!! Porque, se viver com 1 a 2 dólares diários já é pobreza moderada. Não é piada!! Estima-se (veja bem: ESTIMA-SE) que 1 bilhão e 100 mil pessoas estão em pobreza extrema. Não me pergunte como conseguem, aqui só estamos vendo números... e 2 bilhões e 700 mil na categoria de 2 dólares dia, que no Brasil hoje significaria 4 reais/dia, pra tudo; mas que fosse só pra comer daria 1 prato feito por dia (não nas capitais) caso essa fosse a única necessidade humana, e meio PF para a primeira categoria. 


A solução para a fome e pobreza pode parecer simples, e seria se houvesse boa vontade pois os estudos mostram que a fome não é consequência da falta de alimento mas sim da má distribuição dele. Existem regiões que não produzem (por N motivos) o alimento necessário a sua população e dependem dessa distribuição (estamos quase chegando no trono do Papa). Para eliminar a fome não basta um prato de comida num dia, mas melhorar a condição de vida do faminto, já que fome leva a doenças e, no caso de crianças, a comprometimentos irreversíveis no desenvolvimento orgânico e mental.

Se tivéssemos, 4 pessoas fechadas em uma sala com um pedaço de pão diário, poderíamos ter problemas pois, se dividido entre todos, o pão não sustentaria as 4 pessoas. Caso só uma delas comesse todo dia o pão, essa pessoa se manteria viva e as outras 3 começariam a morrer. Este é um caso de escassez de alimento. Mas se nessa mesma sala, diariamente chegassem 40 pães (e por pão entenda alimento), nunca ninguém morreria de fome, a não ser que nem todas as pessoas tivessem acesso aos 40 pães. Mas, e por que nem todas as pessoas teriam acesso a 40 pães, se elas mesmas não conseguiriam comer todos, e muitos vão apodrecer?? (30% de todo alimento produzido no mundo é jogado fora e isso acontece porque esse alimento NÃO PODE SER COMPRADO, então é disperdiçado).

Economia simples demais para nossa realidade? Sim, não porque a vida não pudesse ser tão simples, mas porque fizemos dela uma rede de complexidades na qual estamos emaranhados. Digamos que essa única pessoa que tem acesso aos pães, é PROPRIETÁRIA deles: é ela que produz o pão e não seria justo dividi-lo com quem não colaborou na sua produção.

Não vou discutir o que é justiça.

Sim, vou ter que discutir: nosso conceito de justiça está absolutamente atrelado ao conceito de propriedade: o que pode parecer muito justo no mundo "natural", ou seja, eu tenho um pão e vc não tem, então nós dividimos, no mundo "produtivo" não funciona assim. Vc pode estar morrendo de fome que não vou te dar nenhum dos meus pães, porque são meus e não seus; a não ser que vc me dê algo em troca que eu julgue compatível.


Meu Deus!!!

O que está acontecendo com o mundo? vídeo com imagens da fome e musica de "fé".


É, Deus (quase no trono agora!!)


Dizem que 40 bilhões de dólares resolveriam o problema da fome. Só isso? 

  • 40 bilhões de dólares é o movimento anual na pirataria de software nos EUA;
  • 40 bilhões de dólares são movimentados anualmente por corrupção no mundo todo, conforme estudo do Banco Mundial em 2012;
  • 40 bilhões de dólares é o que foi investido para o projeto de construção do F-35 (não sabem quem é? Pois é: um avião de guerra de projeto entre EUA e Inglaterra, onde cada um custará entre 40 e 65 bi, pra montar depois);
  • 40 bilhões de dólares é a fortuna pessoal de um sultão aí, de um pequeno país asiático;
  • 1,6 TRILHÕES de dólares é o que se gasta no mundo com militarismo;


excelente artigo de José Eustáquio Diniz Alves,
doutor em demografia e professor em estudos no IBGE.


Mas e aí? As soluções existem e são várias. Não falta nem alimento, nem idéias e DINHEIRO ESTÁ SOBRANDO NO MUNDO.

Falando em sobrando dinheiro hora de falar do trono do Papa.

Bom, obviamente que a idéia de vender o trono para matar a fome dos miseráveis não é uma proposta real mas simbólica no seguinte sentido: o trono do Papa não pode ser vendido pois é patrimônio da humanidade. 


Eu como parte da humanidade voto para que seja tombado,
no sentido exato de derrubado,
pra virar dinheiro,
mas seria inútil porque de fato
o trono não é de ouro
e não custa muito em valor real, só "cultural"

O importante na imagem não é se o trono paga a miséria ou não. Muitos sites na internet, de católicos, sentiram-se ofendidos com essa imagem nas redes sociais e desembestaram (no sentido exato do termo) a defender que o coitado do Papa fez voto de pobreza e o trono nem é dele, além de estar tombado. Voto de pobreza no meu tempo era outra coisa, tipo franciscano, monge, enfim, viver NA SIMPLICIDADE. Bom, não é o caso. O voto de pobreza do Papa é no sentido de: pode usufruir da riqueza toda mas nada disso é seu (?). Bom, também pra que que ele ia querer alguma coisa em sua propriedade sem nem herdeiros ele pode ter? Pra levar pro tumulo??? De qualquer modo vive com um Rei!! Se não pode comprar um iate pra ir pras Bahamas é menos porque o dinheiro não é dele e mais porque um Papa nas Bahamas tomando sol não ia combinar com a função; não pela praia ou pelo sol porque Papa também tira férias, é mais pelo iate mesmo que não ia "ornar" com a batina!!!

O que fica meio chato (e Jesus já tinha postado isso no seu Facebook) é a Igreja ser a representação do divino, o Papa ser o sacerdote supremo de uma religião que prega igualdade e ela mesma representar opulência. Não não "curtimos" isso. Se o trono não é de ouro, outras centenas de peças do Vaticano são. Não sou eu que vou listar a fortuna da Igreja Católica pois ela é bem conhecida. Poderia também colocar do lado esquerdo dessa foto, no lugar do Papa, outros exemplos de sacerdotes religiosos ostentando fortunas de outras seitas e religiões do mundo. Tô pra ver religião pobre de bens materiais!!!

Esse homem que hoje representa uma das maiores quadrilhas de pedofilia do mundo, ou a maior, continua sentado no trono da manipulação, da hipocrisia, da tirania, e nem vou ficar listando adjetivos porque são muitos.

Justificando um dos piores sistemas de opressão de todos os tempos, acobertando assassinatos e roubos em massa, este senhor engana seus fiéis com a promessa de que o reino deles estará no céu, porque aqui na terra o reinado é dele e da corja que o acompanha.

Existem 1 bilhão de pessoas com fome de alimento, mas a fome e miséria da humanidade é bem outra e maior. 


Os sistemas de crenças escravizam as pessoas
para dar sustentação ao poder de poucos.

Somos miseráveis de liberdade, de solidariedade.
Talvez 6 bilhões e meio de pessoas no mundo
estejam com fome de liberdade de pensamento e escolha,
desnutridas de amor e respeito.


Vc vê essa foto e sente o que?







pois é apenas seu espelho!!






sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ayn Rand

"Criminosos são uma pequena minoria em qualquer época ou país. E o dano que eles causaram à humanidade é infinitesimal quando comparado com os horrores-- o derramamento desangue, as guerras, as perseguisões, as fomes, as escravizações, as destruições em grande escala-- perpetradas pelos governos da humanidade. Potencialmente, o governo é a mais perigosa ameaça aos direitos do homem: ele mantem o monopólio do uso de força física contra vítimas legalmente desarmadas. Quando irrestrito e ilimitado pelos direitos individuais, um governo é o mais mortal inimigo do homem".


Rio+20 menos 1



Um índio morreu do coração
antecipando a volta dos nativos para suas casas, 
digo, ocas.

TUDO NO MUNDO TRIDIMENSIONAL REFLETE UMA EXPERIÊNCIA POLIDIMENSIONAL

Em outras palavras: NADA É POR ACASO!!

Esse é o primeiro saldo desse lixo de conferência!!!


A RIO+20 nem terminou e o saldo já é menos 1; e que UM!!! Um índio enfarta ainda dentro do evento.




Acho essa conversa de salvar o mundo uma falácia. Não que o mundo não precise realmente ser salvo, mas o caminho de salvação que seria mudança de padrões de comportamentos, não se define numa lista de 30 sugestões........ está óbvio pra todo mundo (menos pra quem não está óbvio) que o problema está na mudança de sistema político-econômico, ou qualquer iniciativa vai morrer na praia........



O mundo chegou ao fim e isso é fato!!! A data de 21 de dezembro de 2012 é real. A Europa está afundando numa gigantesca tsunami econômica e como em catástrofes naturais, os povos estão tendo que se unir pra se ajudarem. Mas os donos do mundo, que está afundando na sua antiga versão, estão fazendo de tudo pra se segurar nas "árvores" que restam e não serem levados pela correnteza. É nesse sentido que essa encenação de conferencia mundial e todo comportamento da ONU na maioria das questões mundiais, são cortinas de fumaça para retardar ao máximo o que realmente tem que ser feito, e que será feito mais cedo ou mais tarde.

E podem fazer as conferencias que quiserem porque as mudanças não vão vir, e nem podem, de cima pra baixo. Quem muda o mundo é a humanidade, a consciência coletiva e não as leis........... e a consciência coletiva está mudando rapidamente.

Nesse momento o melhor a fazer é continuar DISTRIBUINDO os instrumentos, as ferramentas como saúde, comida, casa, INTERNET, educação, possibilidades, alternativas.... e estimular ao máximo as organizações espontâneas e verdadeiramente democráticas entre as pessoas para qualquer objetivo. Grupos, associações, comunidades. Que as pessoas aprendam a resolver as questões mais próximas em grupos e democraticamente. Aos poucos uma nova sociedade vai se estabelecer em bases solidárias, porque solidariedade não se ensina na TV, ou proibindo sacolinha plástica.... solidariedade é um sentimento natural no ser humano que precisa apenas de terreno e condições para ser exercitada. Como foi previsto pelos grandes pensadores socialistas o sistema do consumismo é autofágico, é uma lógica natural... o socialismo não aconteceu porque não pode ser “implantado”, pois se ele se torna SISTEMA deixa de ser socialista.... e foi o que aconteceu: o que deveria ser o melhor exemplo de liberdade se transformou  nos piores modelos de tirania, ao ponto de preferirmos o capitalismo como caminho libertário. Mas o máximo que o capitalismo consegue é ser LIBERAL e isso não tem nada a ver com liberdade.....

Pelos resultados não totalmente consolidados da Conferência, muito pouco se andou. Pela magnitude do evento esperavam-se resultados mais profundos do que apenas a manutenção de uma postura idêntica à de 20 anos.

Parece que o mundo, na mente desses representantes (e de muitos representados) ainda está dividido em nações, ricos e pobres, isso e aquilo. Apenas quando os interesses são de ordem econômica, com possíveis prejuízos explícitos aos “donos do mundo”, é que nos tornamos um único povo da Terra, como tão bem denunciou Cristovam Buarque.

Há anos, quando perguntado nos EUA, sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia; o jovem americano introduziu a pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro:


"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a   internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado

          Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou
de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

         Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam  pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.

        Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."


Não que não existam as nações e a pobreza, claro que sim; mas pensar o futuro seria pensar num único povo, com interesses únicos, a chamada: HUMANIDADE. Pode ser que o caminho para formar essa unidade seja, hoje, sugerir que os ricos que já exploraram muito, dediquem ajudas aos pobres, como se esse comportamento fosse um início da redistribuição da riqueza. Como seria bom se fosse assim. Mas não é e essa Conferência mais performática do que pragmática, está aí denunciando o quão difícil será um acordo entre povos tão diferentes, culturas tão diferentes, interesses tão distintos (quer dizer, os interesses são comuns: não entrar em acordo nenhum).



"Quando você perceber que, para produzir,
precisa obter a autorização de quem não produz nada;

Quando comprovar que o dinheiro flui
para quem negocia não com bens, mas com favores;

Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência,
mais que pelo trabalho,
e que as leis não nos protegem deles,
mas, pelo contrário,
são eles que estão protegidos de você;

Quando perceber que a corrupção é recompensada,
e a honestidade se converte em auto sacrifício;

Então poderá afirmar,
sem temor de errar,
que sua sociedade está condenada".

AYN RAND - 1920















Pena de Morte - Brasileiro será fuzilado na Indonésia

Que absurdo. Não sei como alguém pode chamar de LEI o assassinato!!! Pra mim é uma controvérsia. NÃO MATARÁS e não matarás porra!!! Essa relatividade para o assassinato é hipócrita: assassinato por castigo, para conquista de terra, disso ou daquilo pode.......... é por isso que bandido continua bandido, não tem diferença. MALDITA MÁXIMA DE QUE OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS. Aí pena de morte pra cá, Maluf pra lá, e todo mundo fingindo que segue algum princípio!!!!!!!!!! Segue sim, o princípio do jardim de infância onde as regras são ditadas pela Vontade....


Folha de São Paulo - Indonésia anuncia que irá fuzilar brasileiro condenado por tráfico

Pois eu te digo que não matarás está na lei universal e quero que se dane a lei cristã e todas as outras. Para mim é óbvio que não se resolve nada com castigos e qualquer tipo de assassinato é assassinato, não adianta mudar o nome para execução, assuntos de guerra.... não vejo qual é a complexidade desse assunto, é simples. Ainda vivemos no mundo do "olho por olho".... precisamos assumir um princípio e ponto final.


Sou absolutamente contra a pena de morte tanto quanto sou contra a guerra. As leis servem para nos organizarmos e ao invés de criarmos leis contra a selvageria, criamos leis para perpetuá-la.


Se for para destruir, eu escolho destruir as religiões que são justificativas para nos manterem nesse inferno da inconsciência.

Hermeto Pascoal e os direitos autorais


 do topo dos seus 76 anos, que completa hoje,
o mestre duende Hermeto faz a liberação total
do direitos autorais sobre suas músicas.

um exemplo de sabedoria, humildade e desapego.
e veja a pureza com que oficializa tal ato.





Pina Baush


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sempre no PRESENTE


Como a vida realmente é.

Esse relógio que parece estranho, errado,
é o melhor representante do tempo.

O outro, que costumamos ver,
representa a irrealidade,
uma quantificação da vida que não existe,
e que tanto determina o que somos, sentimos, pensamos.

Para viver em grupo até podemos usar aquele reloginho,
mas só tem sentido
se nunca esquecermos
que a hora certa está marcada neste.




quarta-feira, 6 de junho de 2012

CIBERDEMOCRACIA




Finalmente estamos (não todos) adaptados aos dois mundos em que vivemos: o virtual e o não virtual, que já não pode mais ser chamado de “real”, de tão real que o virtual já se tornou; tão real que o mundo real agora é chamado de algo referente ao outro mais recente, ou seja, a virtualidade é tão enredadora, por natureza, que se tornou parte indissociável da nossa realidade. Que contrassenso! rs

A resistência para que a virtualidade tomasse conta de nossas experiências de vida foi muita, mas não havia como evitar uma vez que as “vantagens” são necessárias.

Embora importantes experiências da vida não possam ser realizadas/facilitadas pelo computador (alimentar o corpo, respirar o ar, gerar filhos ou defecar) uma infinidade de outras atividades são extremamente facilitadas pela rede.

As atividades mentais são as que mais se beneficiaram com o advento e é inegável. Para fazer uma pesquisa, por exemplo, tínhamos que ir até uma biblioteca, solicitar a entrada, ir até um ficheiro enorme e dedilhar sequencias de fichas para encontrar um dos livros que necessitamos; repetir o procedimento caso quiséssemos pesquisar em vários livros, digamos uns dez. Andar então buscando letras e números para encontrar as diferentes estantes, e diferentes prateleiras, e diferentes sequencias de livros até localizar cada um pretendido, caso estejam na prateleira e não tenham sido utilizados recentemente. Então carregar uma pilha de livros nos braços, procurar um lugar para se sentar e esparramar nossas coisas numa mesa, abrir vários livros e deixá-los abertos ao mesmo tempo, ou ficar procurando em índices e páginas o que pretendemos. E se, lendo um deles houver uma referência a outro autor que não tenhamos escolhido e que for preciso ler naquele instante, então tudo se repete. O material que for necessário ser recolhido para estudo aprofundado, então deve ser solicitada permissão para cópia, levar, copiar, devolver.... A quantidade de tempo gasta nessa atividade, com alcances limitados, e espaço requerido é enorme. Correndo ainda o risco de naquela biblioteca vc ter apenas alguns dos livros necessários.

A transformação que a internet trouxe, só para um exemplo como esse, é incomparável, nos possibilitando pesquisar, refletir, produzir intelectualmente numa velocidade (e profundidade) muito maior, ou talvez, na velocidade da mente mesmo; o mundo virtual tem o alcance e velocidade da mente humana, ou se aproxima dela. Embora para muitos a criação da internet tenha sido inspirada pelo demônio, é possível perceber que ela foi imaginada pela própria necessidade que a mente tem de corresponder à sua natureza ágil, volátil, e que se vê numa matéria lenta e densa. E assim tudo em que a mente está implicada, quase tudo que fazemos Homo Sapiens que somos, a vida da rede colabora a ponto de não podermos mais viver sem ela. Isto porque ainda nem começamos a imaginar o mundo explorando ao máximo essa invenção, pois o que parecia obra do diabo vai ainda parecer criação divina!

O que não quer dizer que nossa vida tridimensional vai desaparecer e todos viveremos colados a computadores indefinidamente: isto é filme de ficção cientifica fundamentalista. Embora realmente passemos muito mais tempo ligados às maquinas, num futuro próximo teremos a possibilidade de realizar tanta coisa pela net que sobrarão para nossa vida material apenas prazeres insubstituíveis como tocar uma flor, molhar os pés num riacho, sentir o vento nos cabelos....

Atualmente nossa vida física, que pareceria mais virtuosa pelo contato real com as coisas, está na verdade nos escravizando. Quem tem tempo de tocar uma flor ou molhar os pés no riacho? A esmagadora maioria de nós vive pressionada pela luta para sobreviver, tendo que cumprir variadas funções totalmente substituíveis. E como vivemos subordinados a essa estrutura consumista, imaginar substituir homens por máquinas é desesperador, pois deve gerar fome e desemprego. Mas ao invés de colocar pessoas em atividades completamente substituíveis por máquinas (que serão sempre ativadas por pessoas em algum ponto, e se não forem melhor ainda) não seria melhor modificar a distribuição material para que todos usufruíssem igualmente das vantagens dessa substituição?

Teremos cada vez mais que nos adaptar à vida nesses dois mundos não como dissociados, mas como complementares porque esta adaptação é a que temos que fazer a respeito de nós mesmos. Somos seres que para tomar um copo de água precisamos nos mover no tempo e no espaço e empreender várias ações despendendo energia interna e externa. Mas para imaginar esse mesmo copo não precisamos nem de tempo nem de espaço nem de recursos externos, gastando uma energia que não se consome.

Embora o humano tenha reduzido ao máximo suas capacidades não físicas (também) pela dificuldade de coordenar experiências tão distintas como entre matéria e não matéria, não há como escapar dessa realidade: somos os extremos simultaneamente, nossos corpos tem velocidade e alcances distintos da nossa mente. Daí, inclusive, deriva a impressão de que nossos corpos aprisionam uma experiência interna mais volátil. E desse sentimento de aprisionamento, do julgamento dele, derivam muitos sofrimentos.

Os opostos (corpo e mente) eram considerados discordantes em outros tempos, agora são entendidos como complementares. E para ser complementar não pode haver nenhum tipo de hierarquia. Podemos enxergar essas diferenças com a complementariedade que percebemos entre os mundos virtuais e não virtuais. Podemos notar que a vida não virtual, apesar de menos apropriada para algumas atividades, é mais apropriada para outras, e para cada coisa a sua qualidade, sem o julgamento de ser bom ou ruim, certo ou errado, penoso ou não.

O que está acontecendo à humanidade é apenas e sempre reflexo de si mesma, sem demandas externas às suas possibilidades.

E não bastasse toda mudança na experiência individual, ainda existe todo reflexo na vida coletiva: nossa organização social vai se modificar total e substancialmente. Problemas que não encontramos soluções até o momento vão se dissolver com o advento e desenvolvimento da rede.

A base da nossa organização social hoje é o trabalho, regido por uma economia de consumo; e quando dizemos trabalho e economia de consumo não estamos nos referido apenas às leis da organização social, mas às leis que regem até nossa estrutura de pensamento e afetividade: trabalho e consumo!

A ideia de trabalho será completamente transformada, no sentido de despender energia para realizar uma ação. Ou, o trabalho é uma relação entre força e deslocamento. A capacidade do humano de modificar a realidade/natureza impondo sua vontade (força) gerando um resultado (deslocamento da condição anterior). O resultado desse deslocamento se tornou bem de consumo. E assim caminhou a humanidade por diversos atalhos.

No mundo virtual a noção de força é totalmente diferente: não servem os músculos, não serve a quantidade de propriedades, os papéis assinados, nem o acúmulo de moedas. Se no mundo real um único homem lidera um exército, esse mesmo homem poderoso, na internet, fica fragilizado em seu poder por um hacker de 15 anos de idade. O medo que o mundo viveu de sucumbir à guerra fria das bombas atômicas, que modificaria fisicamente nossas vidas, hoje ficou irrisório perto da destruição que esse mesmo suposto menino de 15 anos seria capaz de provocar. O poder/força está sendo totalmente deslocado (dando o maior trabalho!).

Portanto o que sustentou todas as teses sócio-políticas das relações entre recursos naturais (pré-deslocamento), trabalho e poder terão que ser revistas completamente, ou já estão sendo, pois o sonho de descentralização virou realidade por causa da rede virtual!

Estamos adentrando num mundo sem territórios delimitados, sem governos isolados, gerado por todos ao mesmo tempo, sem hierarquias, nem bons nem maus, sem raças, línguas, culturas e nosso deus agora (depois de deposto o petróleo) é a ELETRICIDADE!!! (será uma consciência de que nosso sistema é solar?)

Nesse momento nosso território é o planeta todo (já andamos um pouquinho hein!) e passamos a necessitar de uma organização unida das nações que nos impele a eliminar hierarquias e aceitar diferenças.

Com advento da internet está acelerando o processo de surgimento de uma sociedade civil planetária, não mais limitada por territórios. Uma consciência integrada de todo grupo humano está se fazendo presente. Os limites territoriais estão perdendo a importância em muitas instâncias de nossas vidas, afetando inclusive a governabilidade do mundo. A economia, a ciência, a técnica já são áreas vistas como uma unidade mundial. No meio ambiente, por exemplo, percebemos que é necessário um esforço integrado de todos os povos para que nosso planeta sobreviva em condições razoáveis para todos. O que está fazendo o mundo olhar para o Brasil, que há algumas décadas não passava de um país subdesenvolvido, é que o pulmão da terra está situado dentro do nosso território e, portanto, todos os seres humanos sentem-se no direito de opinar pela sua preservação. Isto é apenas um exemplo de como hoje não só percebemos que nossas ações do presente tem importantes consequências para nosso futuro, mas também que nossas ações num espaço tem consequências importantes para o espaço global. Cada parte diz respeito ao todo. Uma bituca de cigarro que jogo na “minha” privada, interfere na vida de dezenas de pessoas que nem conheço. A ideia de rede que foi materializada pela internet (rede de informações) na verdade apenas realizou uma experiência muito mais ampla da existência humana e não humana, que a física quântica já revelou. Vivemos todos numa teia de espaço-tempo nesse Universo e a ação/pensamento de um indivíduo causa uma repercussão em toda a teia que nos une (é nesse sentido que somos todos UM).

O conceito de propriedade que nos afirmou como indivíduo, e ainda afirma, está sendo desmantelado. O humano imaginou a democracia, mas para poder realizá-la precisa poder imaginar-se desapropriado. E a desterritorialização da rede, também provoca essa desapropriação: não somos mais perfis definidos, estabelecidos, nossos perfis são flexíveis.

Embora muitos temam que a criação da internet vá nos jogar num mar infinito de possibilidades, e essas possibilidades “criadas” interfiram negativamente em nosso comportamento nos tornando esquizofrênicos, a verdade é que essas criações só foram possíveis porque de alguma forma já somos assim. Se antes nos pensávamos uma unidade, se nos percebíamos num único EU, não nos sentimos mais assim. O que há um século a psicologia rotulava com esquizofrenia, hoje está diagnosticada de forma diferente porque talvez tenhamos mais Eus do que podíamos supor.... É em verdade um problema teológico em certa instância. Metafísico mais propriamente.

Para nossa estrutura mental atual, tudo isso (que sempre foi deflagrado por filosofias antigas) é ainda uma nova experiência da realidade o que leva muitas pessoas a gerarem muita resistência ao novo entendimento. Mas entendimento esse que de novidade não tem nada, pois o Universo sempre foi assim. Com a realização da internet o que antes era uma bela filosofia, tornou-se fato diário e corriqueiro modificando efetivamente nossas relações em várias instâncias. Os aspectos das relações humanas e organizações humanas que já pertencem a uma categoria mais dinâmica e fluente, como o dinheiro e a informação, foram os primeiros a se adequarem a essa nova estrutura. A economia quebrou significativamente os limites territoriais e o mercado financeiro é um exemplo da fácil adaptação da riqueza material (ouro) em riqueza virtual (já aquém dos papéis). Com a fluência ultra veloz e multidirecional da informação, todas as áreas do conhecimento foram dinamizadas, incrementadas e ampliadas de tal forma que a velocidade da luz não é mais, para nós, inimaginável. Falamos qualquer língua, vemos qualquer região do globo, conhecemos todos os seres humanos!!
Mas outras áreas da vida humana, justamente aquelas que se modificam posteriormente às mudanças de consciência coletiva, a saber, a justiça e a lei, estão em fase primária de adaptação a essa realidade. As leis só são consolidadas depois de muitas vezes a sociedade demonstrar uma conduta, o que demanda tempo; o que significa que as condutas se manifestam primeiro em quantidade significativa para se tornarem padrões e só então exigirem normatizações.

Por exemplo, o ambiente novo da internet vem gerando condutas que não existem na vida não virtual e, portanto não foram normatizadas, trazendo a necessidade de leis específicas para esse ambiente. Esse é um exemplo apenas no que diz respeito direto ao novo ambiente, mas existem outras tantas situações que são consequência do ambiente virtual sobre o ambiente não virtual que também vem solicitando novas regras.

Com a desterritorialização das relações, uma sociedade planetária (termo de Pierre Levy) está se explicitando e gerando necessidades específicas para sua organização. As leis de meio ambiente que servem para um país, as leis de governança que servem para determinado povo, as leis de criminalização ou militarização que servem a determinado país, hoje são questionáveis do ponto de vista global. Já há décadas, talvez desde o fim da guerra fria, ficou muito claro que o planeta, apesar das divisões territoriais, precisava de um “conselho” geral, uma organização das nações unidas, para administrar temas globais. No entanto a cada dia cresce rapidamente a quantidade de “temas globais” e cada vez mais tem sido necessária a criação de leis e uma justiça comum ao planeta.

(texto inspirado em CIBERDEMOCRACIA, livro de Pierre Levy)


Re-nascimento de Vênus


Hoje a Vênus passou diante do Sol
aos olhos da Terra.
Um presente!
Deixar-se ver é re-nascer.
Ela passou para nos lembrar
do que somos feitos.

Para olhá-la
havia que mirar o Sol
e então saber que
a Luz do rei de fogo
nos mantém vivos,
somos seus filhos.
Somos de Luz.

E então delicada ela atravessou
esse horizonte celeste
para reafirmar que
somos feitos de AMOR.

Amor e Luz
são metáforas do mesmo fogo original.

Hoje,
Dia Mundial do Meio Ambiente,
aniversário da Natureza!!

Um belo dia, inundado por águas...
Um belo dia.