segunda-feira, 14 de maio de 2012

EMICIDA e seu Dedo na Ferida

Tá complicado, tá muito complicado.

Avançamos em solidariedade, consciência coletiva, amor ao próximo?

Sim avançamos em muita coisa, mas tá muito longe de ser o mínimo necessário. De fato as diferenças sociais continuam criando vítimas diárias. Parece que mudanças reais mesmo só vão acontecer com atitudes efetivas (espero que por "efetivas" não sejamos obrigados a somar mais violência).

Apesar das mudanças que entendo estejam sendo feitas pelos novos governos, o ritmo de mudança é democrático, mas o ritmo do abuso é totalitário. E aí como fica? Por que um cidadão que não tem direitos básicos e é atropelado pelo poder econômico diariamente, não pode chutar o pau da barraca? Tem que ficar “civilizado” e esperar o dia, mês e ano das eleições pra apertar um botãozinho, colocar num cargo um fulano que vai ganhar alto salário pra ficar discutindo leis? E essas leis na verdade estão totalmente submetidas ao tal poder econômico e nunca aos direitos humanos. O dono da terra não é quem nasce nela, é quem pagou por ela, aqui nesse Brasilis.

Burro é o primo do cavalo. Esse sistema nunca vai dar certo nessa toada. Esse papo de caminho democrático é absolutamente hipócrita pra quem vive na urgência. Pra quem tem o básico, como eu, dá pra ficar discutindo diferenças ideológicas, se votamos no fulano ou no cicrano, se concordamos com aborto ou sem aborto, se caem as taxas de juros ou a idoneidade da revista Veja vai pro lixo.

Mas no dia a dia de quem sem comida pra encher barriga, sem educação pra gerar instrumentos de disputa no mercado, sem casa decente pra não passar frio, ficar na chuva ou deixar os filhos acumulando doenças, sem nenhum apoio tem que olhar pro mundo e dizer: bom dia? É impossível e é falta de inteligência.

Vendo esses dias um documentário sobre o processo todo do Apartheid (que não consegui encontrar no youtube pra postar aqui, ainda), não sei o que mais me impressionou:

1. A capacidade humana de maltratar tanto outros seres vivos; ou

2. A capacidade humana de ser maltratado por tanto tempo, de forma tão cruel e demorar tanto pra responder.

Não é porque as tentativas de impor outros sistemas, ou ditaduras do proletariado não deram certo que a democracia é boa solução. Ou até é uma boa idéia, caso seja aplicada. Estamos longe de um Estado democrático, todos sabemos, mas o caminho que vamos escolher pra chegar ao fim da desigualdade vai continuar sendo esse lento e às custas de tantas vidas? Desacredito totalmente da representatividade. Acho que devíamos parar com essa lenga lenga política, que mais gasta dinheiro com altos salários e muita corrupção, e aceitar que estamos ainda numa ditadura, falsa democracia. Aliás até que a democracia seja plena, ela não passa de uma ditadura disfarçada. E por plena eu credito o pensamento de Pierre Levy que entende que somos capazes, quando bem instrumentalizados, de eliminar a representatividade e passar a votar diretamente no que pretendemos.

As responsabilidades devem ser democratizadas.
Só assim poderemos escolher nossos caminhos.



Scratchs (pimenta nos zóio dos políticos)

Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (a fúria negra ressuscita outra vez)
Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (anota meu recado)
Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (primeiro eu quero que se foda)
Renan samam, emicida, o rap ainda é o dedo na ferida

Vi condomínios rasgarem mananciais
A mando de quem fala de deus e age como satanás.
(uma lei) quem pode menos, chora mais,
Corre do gás, luta, morre, enquanto o sangue escorre
É nosso sangue nobre, que a pele cobre,
Tamo no corre, dias melhores, sem lobby.
Hei, pequenina, não chore.
Tv cancerigena,
Aplaude prédio em cemitério indígena.
Auschwitz ou gueto? índio ou preto?
Mesmo jeito, extermínio,
Reportagem de um tempo mau, tipo plínio.
Alphaville foi invasão, incrimine-os
Grito como fuzis, uzis, por brasis
Que vem de baixo, igual machado de assis.
Ainda vivemos como nossos pais elis
Quanto vale uma vida humana, me diz?

Foda-se vocês, foda-se suas leis!

Scratchs (a furia negra ressuscita outra vez)
Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (anota meu recado)
Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (primeiro eu quero que se foda)
Renan samam, emicida, o rap ainda é o dedo na ferida...

É só um pensamento, bote no orçamento

Nosso sofrimento, mortes e lamentos,
Forte esquecimento de gente em nosso tempo
Visto como lixo, soterrado nos desabamento
Em favela, disse marighella. elo
Contra porcos em castelo
O povo tem que cobrar com os parabelo
Porque a justiça deles, só vai em cima de quem usa chinelo
E é vítima, agressão de farda é legítima.
Barracos no chão, enquanto chove.
Meus heróis também morreram de overdose,
De violência, sob coturnos de quem dita decência.
Homens de farda são maus, era do caos,
Frios como halls, engatilha e plau!
Carniceiros ganham prêmios,
Na terra onde bebês, respiram gás lacrimogênio.

Foda-se vocês, foda-se suas leis!

Scratchs (a fúria negra ressuscita outra vez)
Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (anota meu recado otario)
Foda-se vocês, foda-se suas leis!
Scratchs (primeiro eu quero que se foda, depois eu quero que se dane)
Renan samam, emicida, o rap ainda é o dedo na ferida.










quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ética na internet e a falsificação das imagens


A internet mudou a vida e isso é fato. Estamos ainda no meio desse reboliço, aliás nem no meio, no começo mesmo pois tudo vai ser reformulado. Nossos padrões de comportamento estão sendo forçosamente modificados, nossa compreensão de nós mesmos e das coisas.

Não acredito que os movimentos funcionem por causa e efeito: nasceu a internet e o mundo mudou. Claro que não, é um constante jogo de relações onde a internet nasceu porque mudamos e mudamos porque a internet nasceu. Mas o fato é que ela já está aí e seu movimento é:
  • rápido
  • plural
  • democrático
  • impalpável


e tantos atributos mais. Uma nova ética de comportamento há que se formar, pois apesar do bom senso ainda ser o mesmo e educação a gente aprender em casa, só com esses atributos listados já somos obrigados a mudar muita coisa.

A verdade dos fatos por exemplo. Já faz tempo que no mundo não virtual a gente vem percebendo que a verdade ficou relativa e que os fatos, que eram provas da realidade, talvez nem existam. A ciência que era o mito da comprovação do real, virou estatística, sugestão de probabilidades.

No mundo "virtual" a verdade nem existe, ou se movimenta com muito mais velocidade e a realidade se transforma muito facilmente. Para lidar com essa dinâmica sem que o mundo vire um amontoado de psicóticos e esquisofrênicos, acho importante irmos criando algumas referências e alguns padrões de conduta, flexíveis claro.

A fotografia já foi documento e prova dos fatos. Já era. Qualquer um faz o que quiser com uma foto: pessoas que nunca se viram aparecem juntas tocando violão, gente que andava junta desaparece e, o mais comum, dizer que na foto está fulano mas é cicrano.

Um artigo muito bem escrito e exemplificado é o que vou postar aqui e sugiro que seja lido pois como a internet está democratizando as informações, está também democratizando as responsabilidades e cada um de nós passou a ser responsável pelas informações que compartilha e o mundo que sugere formar a partir delas. Assuma a sua parte nisso!!



Responsabilize-se



Rita Lee - Reza



Deus me proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me imunize do seu veneno
Deus me poupe do seu fim

Deus me acompanhe
Deus me ampare
Deus me levante
Deus me dê força

Deus me perdoe por querer
Que deus me livre e guarde de você




Mapa da Violência 2012


Para vc que acredita que as guerras estão acontecendo lá do outro lado do mundo.
Para vc que acredita que os grandes conflitos que resultam nas mortes em massa.
Para vc que acredita que a violência homicida está longe de vc.

Aqui está o Mapa da Violência no Brasil calcula até 2011 nossa situação. Um trabalho detalhadíssimo por região, por tipo de homicídio, comparando com os conflitos no mundo. São dados que revelam como vem se modificando o comportamento da nossa população, nosso comportamento.

Faz ainda um relatório específico para a violência contra a mulher e dos acidentes de trânsito.

O relatório pode ser observado neste link: Mapa da Violência


Um resumo em formato de palestra pode ser visto neste vídeo:




Não deixe de ver ou ler este material pois nossa situação é alarmante. Todos nós sabemos que é, mas não sabemos exatamente como é. Vc pode achar que saber esses detalhes não faz diferença pois basta saber que não temos segurança, mas não acredite nisso. A informação mais detalhada ajuda vc (a todos nós) a refletir sobre nossos comportamentos. Por exemplo: nas armas utilizadas para homicídios contra mulheres, os números revelam que os homens morrem muito mais por armas de fogo do que qualquer outra arma, mas as mulheres apesar de morrerem mais por armas de fogo morrem muito também por outros tipos de armas, como facas, objetos pontiagudos e até enforcamento (quase inexistente entre homens). Esses dados nos alertam não só quanto a violência doméstica contra a mulher, como para que observemos que mesmo quando não adquirimos armas de fogo, ainda sim não estamos livres de instrumentos de violência em nossa casa. Vc acha isso óbvio? Todo mundo sabe que uma faca de cozinha mata? Sim, todo mundo sabe, mas nem todo mundo tem consciência do QUANTO um faca de cozinha tem matado.

Assim como compreender de que forma nos últimos anos a violência vem se deslocando em nosso país; a oscilação de índices entre os Estados revelam nitidamente nossas políticas públicas, nossos preconceitos, nossa distribuição de renda, a circulação dos diferentes tipos de tráficos e, de extrema importância, o que está acontecendo com nossos jovens.

Perca seu tempo e ganhe consciência para pensar num mundo melhor!!!




terça-feira, 8 de maio de 2012

Ritmo Foli - Não há movimento sem ritmo

Genial a capacidade de "ouvir" a vida.





Alexandre Pires: racismo é veneno pernicioso

Alexandre Pires acusado de racismo

Mais uma polêmica sobre os limites do racismo: Alexandre Pires defensor dos negros canta música acusada de racismo.

Muita gente acha excesso de controle do movimento negro. Quem fala esse tipo de coisa com certeza não conhece e nem quer conhecer o sofrimento dos negros. Dá uma olhadinha em documentários do Apartheid e depois volta aqui pra repetir essa idéia de que o movimento negro é oportunista (acusação que também é feita atualmente ao movimento LGBT). E espero que a pessoa  que acusa nunca sofra preconceito de nenhuma espécie pra entender na pele o que é ser subjugado, humilhado e diferenciado por quem tem poder.

Defender o humano sempre, porque esse é um valor maior.
Se tiver gente sofrendo, defenda ao invés de ridicularizar.
Se há excesso no movimento negro, aponte como quem participa.

O preconceito é um veneno sorrateiro e pernicioso que está em toda sociedade, nos comportamentos mais abstratos. Acredito que o movimento negro passou muitos anos estudando como e onde atacar, com qual estratégia derrubar esse mal que domina o mundo com várias facetas; e o que parece um pequeno detalhe sem maldade, sem intenção, carrega as gotinhas desse veneno. Não precisa de muito para instalar um preconceito, a gotinha se espalha sozinha virando uma grande mancha. Vimos como Hitler construiu um preconceito tão profundo a ponto de tornar pessoas de bem em assassinas. Viramos monstros tomados pelo preconceito, nos tornamos a própria imagem do diabólico.

Nenhuma ação é inútil. Temos que erradicar qualquer conteúdo que denigra (palavra bem perniciosa no momento hein!) a imagem do humano seja ele negro, gordo, vesgo.

E fora isso, "pegada de gorila" é ofensivo pra negros, brancos, elefantes e qualquer outro ser que não seja o próprio gorila.

Racista sim, inadequado e deve ser excluído.

Delet na música Alexandre!!! Grava coisinha melhor.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

A arte de religar

Por que não taxam a religião e taxam a arte? Contrassenso. 


A religião é um mega comércio, mega negócio e não paga taxa nenhuma. Se pagasse sobre o que ganha os cofres públicos iam explodir de dinheiro. 


Já a arte, que é taxada, não seria comércio se não fosse forçada a isso. Quem escolhe a profissão de artista não está pensando em ficar rico. Eu disse ARTISTA, não celebridade. Em geral são pessoas que sentem uma VOCAÇÃO, um chamado e tem que abrir mão da vida material, ou lutar muito para sobreviver com a opção.


Já o pastor não (e aqui me refiro a vários tipos de sacerdócio religioso). Ele escolhe a profissão pra ficar rico, a vocação acontece numa proporção ínfima entre os que assumem o sacerdócio. O cara é treinado para que seu discurso gere adeptos, enquanto o artista faz a obra sem pensar em conquistar ninguém.


Tá tudo invertido nesse mundo.


Sou a favor de taxar as religiões e com o dinheiro arrecadado aplicar no incentivo às artes que são bem mais RELIGADORAS. 


Esperta doi a Baby Consuelo do Brasil que juntou a fome com a vontade de comer: abriu uma igreja pra ter público sempre nos seus shows!!! Amém







domingo, 6 de maio de 2012

França Socialista

Em comemoração ao novo socialismo francês!!!





uma França para todos!!!



Dez empresas controlam sua vida



Pode ser óbvio que tanto o Corn Flakes quanto o Frosted Flakes são produzidos pela Kellogg's, mas vc sabia que a L'Oreal e a Hot Pockets compraram uma patente da Nestlé?


Um grande número de marcas são controladas por apenas 10 multinacionais segundo um estudo incrível do blog francês Convergence Alimentaire.




Não se trata apenas de industrias de bens de consumo que foram consolidadas. Empresas de comunicação, bancos, etc. também vem se coligando formando monopólios.


Enquanto vc pensa que está fazendo escolhas, o capital continua se concentrando nas mãos dos mesmos poucos. Centenas de marcas que encontramos nas prateleiras dos supermercados dão a impressão de que o nosso dinheiro vai para tantas empresas diferentes. mas isso não é verdade: a grande maioria das marcas são de propriedade de poucas empresas.


Os perigos decorrentes dessa concentração são muitos pois a concentração financeira leva a concentração política, controle sobre os alimentos leva ao controle sobre nossa saúde, dos empregos e desempregos...


A historia do capitalismo possibilitar uma disputa no mercado é conversa pra boi dormir e micro empresário falir. Mas o mundo anda pra frente e enquanto esses donos do mercado se entopem de poder, a gente inventa as economias criativas que em alguns anos vão derrubar essa estrutura e modificar a forma de se pensar economia, produção, distribuição e RESPEITO.


QUEM VIVER VERÁ!!!!!!!!!!!









Charles Chaplin, um visionário.




Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.


Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.


Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.


Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.


Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.


Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Tudo isso é... Saber viver!!!

Charles Chaplin






FLAMENCO assassinado


Ontem, 05 de maio, estive na Feira Flamenca produzida pelas minhas queridas parceiras da Kabal. O evento está cada vez mais “profissa”: fiquei impressionada com o crescimento do comércio de roupas e afins. Acho que a maior qualidade do evento é a comunhão em si, ver tanta gente de grupos diferentes ali conversando, trocando idéias, trabalhos. Parabéns à organização e parabéns aos que participaram do evento, pois estão buscando uma integração importante pro crescimento da própria arte.

Essa integração inclusive foi um dos assuntos da mesa de debates que participei que tinha como tema a Ética no Flamenco e que acabou reafirmando a necessidade de maior integração entre a categoria “flamenca”.

Mas meu objetivo aqui não é falar da Feira nem da integração, e sim mostrar minha indignação quanto ao flamenco que assisti ontem. Antes de destilar minha crítica devo confessar que sou uma flamenca frustrada no sentido de ter dedicado vários anos da minha vida a essa arte, refletindo sobre ela, estudando, pesquisando e propondo caminhos, e ver ao final de tantos anos quanto o flamenco perdeu em qualidade e principalmente em criatividade.

Não entendo realmente, e sou amante dessa arte, como as pessoas conseguem ficar tantos anos fazendo a mesmíssima coisa!!!

É o flamenco que não muda ou são as pessoas que congelam ele?

Percebo que as pessoas que dançam flamenco estão totalmente despreparadas para o que fazem, seja pela falta de consciência corporal, pela falta de consciência cênica, de expressão, de energia, assim como pela falta de noção da própria arte flamenca.

Flamenco não é repetição.

Flamenco não é coreografia para simples reprodução. Flamenco é uma forma de ver o mundo e expressá-lo. Quando uma Rocio Molina aparece de calcinha e sutiã dançando flamenco ela não está inventando moda de figurino, nem mostrando as belas curvas; ela está discutindo seu mundo, propondo relações com o mundo que vive. Não é na roupa que está sua criatividade (porque nunca ninguém dançou assim vamos todos dançar de calcinha e sutiã), mas é na metáfora que propõe usando a roupa. Precisa ser artista pra entender como se faz isso!! Flamenco não é demonstração de passos feitos no ritmo!!! Acompanhados de cara dramática......

Passar o resto da vida dançando bailes de estruturas clássicas com vestidinhos de flores e sair por bulerias é congelar o flamenco e congelar a si mesmo!!! Vocês não se cansam? Eu estou de saco cheio de ver isso. “Ah mas são alunas”.... e daí? Alunas de que?

A estrutura de ensino do flamenco está uma tragédia!!! Ninguém renovou NADA. E não é pra renovar só pra renovar, nada disso porque assim fica pior ainda. É renovar porque o MUNDO mudou e como podemos expressar um mundo diferente do jeito que expressávamos há 20 anos? As danças estão alienadas do mundo em que as dançarinas vivem!!

Não vou nem comentar a tentativa de representação teatral poética que fizeram nesse dia pois me recuso; por que se metem a fazer algo que desconhecem totalmente?

O flamenco não é uma dança morta embora estejam fazendo de tudo para assassiná-la.

Nossa formação (a minha geração) em flamenco já era rasa, agora com todos os recursos que as pessoas tem com a internet, a vinda constante de profissionais e etc, as pessoas conseguem piorar o nível??? Que capacidade!!!

Ainda que alguns professores conseguem manter o nível técnico mínimo; dá pra ver no baile quem foi o professor.

Mas se a pessoa que está dançando não relacionar sua dança com sua vida, vira zumbi dançando flamenco morto. Onde o flamenco pretende chegar? Alguém se perguntou?

Há 20 anos atrás, não tinha internet, dançar flamenco era ir pra Argentina aprender algum baile, gravar em fita K7, e passar um ano dançando aquilo até ir pra Argentina no ano seguinte, ou dali 2 anos pra Espanha, e aprender outro baile. Aos poucos aquela geração começou a criar suas células de movimentos, uma letra aqui, uma chamada ali, os músicos arriscando falsetas. E depois de muitas idas e vindas pra Argentina e Espanha, trazendo raramente profissionais que tinham paciência com nossa brasilidade, a princípio argentinos e depois maestros como La China, é que aos poucos essa geração começou a ter condições mínimas para criar seus próprios bailes sem fazer tremer nos caixões os antepassados do flamenco (se é que não tremeram).

Os anos se passaram e o mundo mudou muito. Todos tem acesso a tudo. Bailarino espanhol implora vir ganhar dinheiro no Brasil e as dificuldades diminuíram muito. E como tudo tem dois lados, assim como algumas coisas ficaram melhores outras pioraram bastante.

Com tanta informação era lógico que a qualidade técnica melhorasse, mas não aconteceu porque com tanta informação agora todo mundo dança qualquer coisa sem critério. Pra repetir passos não precisa realmente pagar uma professora duas vezes por semana, é só ligar o Youtube, sai mais barato!

Com a globalização era lógico que o estudante de flamenco ou profissional adquirisse conhecimentos mais diversificados, de outras danças, outras linguagens, informação sobre corpo, fisiologia, enfim, etc, etc, etc.

Mas as aulinhas de flamenco continuam as mesmas?

Esse dias fui na escola do meu filho, ensino fundamental e vi que uma aula de historia não tem mais um professor falando, escrevendo na lousa ou lendo o livro didático; o cara abaixa um telão e com seu laptop  ele abre vídeos do Youtube pra explicar a pré-história; anota as informações do aluno no ipad dele que calcula os pontos do trabalho, da prova, da participação... e meu filho faz lição no Google, trabalho em grupo pelo facebook, ou vê via satélite no Google maps o que é uma estepe, savana ou floresta tropical, para aula de geografia!!!!

Isso é só um exemplo de como um professor dessa área foi obrigado a mudar sua linguagem para dar uma aula “pré-historica”, e o quanto de recursos pode ter para que o conteúdo seja assimilado de outras formas!!!!!!!!!!

Voltando para aulinhas de flamenco: não há como estabelecer novas formas de relacionar sua dança com sua vida se isso não começar pela sala de aula, por como vc TROCA o conteúdo com seu aluno. Ficar diante do espelho passando bailes sempre, só mudando o baile é ter morrido e esquecido de deitar!!! E olha que nem estou discutindo a partir dos novos conceitos da didática que discute que o ensino deve ser uma troca de saberes e portanto o flamenco deveria ser resgatado e não ensinado..... mas vamos pular essa parte por enquanto.

É fundamental relacionar-se com o mundo. Precisa passar bailes do Youtube na aula para se modernizar? NÃO. Sim e não. Passar bailes do Youtube na aula ou indicá-los para os alunos é o MÍNIMO indiscutível. Mas é preciso passar vídeos do Youtube sobre tribos africanas do Zimbabue (chutei qualquer coisa) que fazem rituais de acasalamento batendo os pés. É preciso mostrar danças indianas, cantos judaicos, ritos de passagem indígenas... ouvir músicas de outras etnias tentando marcar com as palmas seus ritmos... discutir dança contemporânea e seus caminhos, ver Martha Graham, Pina Baush. Fazer aulas de consciência corporal e ver vídeos sobre o funcionamento da coluna, dos pés, dos quadris.... um workshop de pranayama e discutir a respiração na dança, não só pra não sufocar (flamenco adora dançar sufocado) mas também para integrar o movimento ao espírito!!!!!!!!! Enfim, nosso mundo hoje não segue uma linearidade, estabelecemos relações descontínuas, aos saltos, plurais.

Um bailarino hoje tem que estar eletrizado por questões étnicas na dança; não é mais foco de estudo o que aconteceu com os ciganos quando nasceu o flamenco. Isso é “book one”. As questões se universalizaram. Enquanto vocês se preocupam com o som do tacón na madeira, o Galván está dançando sobre uma chapa de metal!! Por que? Alguém se perguntou por que ele mudou de chão? Não é um efeito visual ou sonoro como a Eva faz dançando na chuva. Não. É uma discussão com sua realidade, urbanidade. Ou dançar sobre areia.... Ele se sentou para pensar qual é o novo chão do mundo moderno pra ele colocar no seu show? Talvez sim, talvez não, tanto faz, ele está vivo e se relacionando com o mundo externo e interno dele e, portanto CRIA a metáfora intuitivamente. Como dançar uma seguiriya dentro de um caixão!!

Insisto: entrar numa sala, repetir bailes, diante do espelho está transformando bailarinos flamencos em esteriotipos; daqui a pouco vão dançar o lago dos cisnes por martinete!!! Tem a parte técnica que precisa ser repetida incansavelmente sem invenção nenhuma? Claro. Mas estudar técnica hoje tem muitos caminhos mais integrativos, holísticos.

Não estou dando fórmulas ou soluções, dei alguns exemplos apenas porque as soluções vão surgir de reflexões sinceras, da destruição de padrões de comportamento, destruições doloridas, desapegos. As soluções nascem do medo, do ERRO, como já discuti em outra oportunidade. E aqui não me refiro só aos bailarinos mas aos músicos também. Não só ao trabalho como professores, mas como profissionais. A todos nós que pensamos e fazemos flamenco.

Não finjam que é assim porque o aluno iniciante precisa disso. É assim porque poucos entre os profissionais de flamenco no Brasil são artistas, famintos, expressivos e competentes. Olhe para seus alunos dançando e SE responda: você tem orgulho do que estão fazendo? Sem dar desconto porque são iniciantes: tem orgulho? Olhe para seus alunos avançados, neles está você, seu trabalho. Compare para crescer, não para disputar. Busque novas informações, crie grupos de estudos, não transforme seu trabalho com flamenco apenas num "ganha pão". E se quiser que seja só isso então só deixe suas alunas dançarem para o papai, a mamãe e o namorado. Não precisa ser profissional para fazer um bom trabalho com flamenco, com decoração ou vendendo pregos!!! Precisa levantar do caixão e voltar a viver!

Perdóname.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dilma: a presidenta das Minas e Energia


Misteriosos são os caminhos da Política.

Há alguns anos, quando Lula estava prestes a subir a rampa palacial, seus opositores criaram o terrorismo de que ao assumir a presidência o “comunista” iria fazer um Reforma Agrária imbatível; e os mais fundamentalistas até divulgaram à boca pequena que a reforma seria agrária e imobiliária....

Hoje estamos com uma presidenta pró-lulista ou pós-lulista, com dificuldades para enfrentar a bancada ruralista. Que voltas o mundo dá. E são “voltas redondas”....

Obviamente os opositores do governo estão aproveitando essa saia justa da Presidenta (e olha que a Dilma quase não usa saias por causa disso) diante do Código Florestal para acusá-la de estar com “rabo preso” com os neo latifundiários. Isso é uma simplificação do problema. Quem compreende um pouco o jogo político e principalmente raciocina pela lógica da administração pública moderna sabe que o que tira o sono da Dilma não é distribuir as riquezas dos ruralistas ou se render ao agro-negócio.

Foi no posicionamento da presidenta em relação a demarcação das terras indígenas que Dilma deixou bem claro seu dilema, ou melhor, sua preferência pelas “Minas e Energia”.

 Artigo do Jornal O Globo

Saudades da velha função?

Não. É o dilema do desenvolvimentismo, do crescimento que atormenta Dilma. A presidenta pretende crescer, expandir o potencial energético do país, prever um futuro de grande potência; e como seu priminho americano, traz uma pedra no sapato: a cultura arcaica, indígena. Dilma vive o dilema de AVATAR, entre destruir o povo da floresta, derrubar a árvore dos espíritos ou produzir uma ciência do futuro. O Brasil é tecnologia de ponta em várias áreas do estudo científico, nosso país é promessa de futuro não só na economia, mas em tecnologias de várias ordens, e para tanto precisa produzir variados tipos de energia para não depender de ninguém no seu crescimento.

Dilma não está preocupada em fazer cafuné em ninguém, não é mulher pra isso, mas vive o dilema da pós-modernidade onde os limites da sustentabilidade geram impedimentos para o crescimento e é necessária uma estratégia de economia ambiental extremamente moderna e inteligente, e humanista, para conciliar esse grande impacto sem destruir nosso meio ambiente. Ela está pensando sim no seu povo, no Brasil e num futuro de crescimento que é uma ótima solução para eliminar a miséria interna no país.

A questão dos povos indígenas que vem crescendo violentamente, com o aumento de sua população, a organização e reivindicação de suas questões, coloca em cheque as ideologias e escolhas de crescimento. O que tem mais valor para a humanidade: preservar uma cultura nativa ou expandir os meios energéticos do país? Que homem pode crescer tecnologicamente destruindo culturas humanas da terra, arcaicas? Nossa história mostra os resultados desse erro por um lado, mas o crescimento econômico liberal, desse atual capitalismo amoral, nos empurra para decisões às vezes bem diferentes das que gostaríamos de tomar. Estamos rolando dentro de uma grande bola de neve, ou girando com todos os povos no redemoinho de um maremoto. Cada movimento neste momento é decisivo. Pensar que o problema da Dilma é político apenas é pensar pequeno e se fosse assim seria bem mais fácil resolver distribuindo pressões políticas. Sua decisão é mais ampla de maior alcance.

Eu pessoalmente espero que seu ímpeto de ministra das Minas e Energia se acalme e seu coração de gente se inflame levando sua escolha para proteção dos povos da terra. Não concebo e não quero viver num país que se destaca na economia às custas da miséria como tanto fizeram por aí.

O Ouro não tem valor quando é roubado.
O Ouro tem seu valor quando é conquistado através do trabalho sobre a matéria, sobre a carne, sobre a terra. É da lama que nasce a lótus. Fortalecendo nossos índios, nossos povos da terra seremos verdadeiramente ricos; essas são nossas minas, essa é nossa energia. O resto a gente corre atrás.

VETA DILMA E DEMARCA AS TERRAS JÁ!!!