quinta-feira, 19 de abril de 2012

o HUMOR brasileiro ao invés de refletir SOBRE a sociedade virou espelho dela


Se tem uma coisa que tá ficando insuportável na comunicação brasileira é o humorismo.

Uma nova geração de humoristas, engravatados, sem talento, descobriu uma fórmula pra “funcionar” através de um humor totalmente sustentado em preconceitos de todos os tipos. Além do desserviço social estão transformando a profissão de humorista em acúmulos de destrutividade, ao invés do papel sociológico que a comédia sempre abrigou de reflexão inteligente e irônica da sociedade/realidade. Quando não exploram largamente a imagem da mulher gostosa e burra ou do anão que paga mico, baseiam suas piadas sobre o racismo, a homofobia, o preconceito lingüístico e o social, ao invés do contrário que é criticar o comportamento separatista. Utilizam inclusive pessoas que em troca da fama se dispõem a servir como modelos desses esteriotipos.

Quando apontados, na sua arrogância se defendem reclamando do patrulhamento conservador e do comportamento politicamente correto. Colocam em questão a “liberdade de expressão” do artista e o fim da censura para o comediante. Liberdade se distingue de falta de respeito e limite, que não tem nada a ver com conservadorismo, tem? Por que essa cultura de rir denegrindo o outro? Compreenderam muito mal a função da crítica que faz piada denegrindo sim o comportamento humano porém na sua arrogância, incompetência, irresponsabilidade social, etc.

Com total incapacidade de fazer humor sobre a fragilidade humana como um mestre Chaplin, simples e profundo, trocam a inocência pela burrice, a poesia pelo escracho, a dificuldade pela humilhação. E desses programas infelizes, mais deprimentes do que engraçados (apesar da audiência), pipocaram esses Danilos Gentilis e Rafinhas Bastos, Calabresas da vida que na sua fórmula pobre e eficaz de sucesso, disfarçados de inteligentes e rebeldes, são totalmente preconceituosos e irresponsáveis, além de desprovidos de talento artístico.  Embora eu cite os nomes não tenho paciência para citar os casos de tão patético que seria explicar para comunicadores uma coerência de discurso, que eles parecem desconhecer ,como seu público que postou aos montes na internet a resposta que o Gentili deu para sua piada infame racista; resposta essa que seu público classificou como genial sendo que a linha de raciocínio só reafirma seu racismo quando tenta eliminá-lo. Além do desserviço social um desserviço lógico.

Apesar da incompetência artística fazem sucesso pelo caminho inverso da função do comediante, reafirmando para sociedade seus (os dela) preconceitos; seu público ri e lhes dá ibope porque suas piadas conservadoramente preconceituosas refletem a mentalidade social vigente. Quando são pegos nesse discurso confuso e contraditório, criam justificativas ainda mais infundadas dos seus julgamentos.

Usam artifícios básicos para construir uma falsa imagem de críticos sociais, fazendo piadas infantis de políticos, por exemplo, sem colaborar em nada com uma reflexão sustentável da realidade.


Democracia se faz com responsabilidade.

Mas sucesso se consegue manipulando discurso!!!


Botando a cara pra bater


A partir de hoje, dia 19 de abril de 2012, Dia do Índio do fim do mundo, nosso discurso nesse blog do SEM EFEITOS COLATERAIS que sempre se colocou impessoalmente vai ganhar um caráter pessoal sendo assinado pela criadora do mesmo: eu, Dani Nefussi. Por vários motivos de consciência e pelos resultados dos nossos textos (como é difícil abandonar o plural impessoal), percebemos/percebi que seria necessário colocar esses pensamentos e expressões em primeira pessoa, reforçando o caráter de opinião e saindo do âmbito supostamente cientificista que o discurso impessoal e plural pode gerar. Não porque eu não goste deste resultado, mas porque BLOG não é tratado filosófico cientifico. E não o é (pois poderia ser) por um motivo simples: queremos (e agora somos todos nós mesmo), menos teorias e mais diálogos diretos.

Então é isso, botando a cara pra bater.

Dani Nefussi


quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Disputa Anencéfala

Que disputa mais sem pé nem cabeça essa sobre o aborto de crianças anencéfalas......

Fica explícito que essas pessoas que detém o poder de voto não estão nada preocupadas com a questão em si, que é uma mãe gerando uma criança que não terá condições de sobreviver.

Por um lado temos os políticos que estão na verdade interessados em medir forças pra saber quem está com mais poder; de que forma podem se organizar para conseguirem o que almejam. Por exemplo quando um deles argumenta que o ganho desta causa do aborto de anencéfalos é perigoso pois no futuro pode abrir precedentes para o ganho do aborto em geral. E por precedentes ele quer dizer: força política.

Se a mãe sofre com a situação (e sofrer seria bondade de expressão) e o próprio ser-não ser vegetante é obrigado a estender sua inutilidade, enfim uma questão de foro íntimo desta mulher e seu bebê... esse contexto não entra na questão pois a experiencia humana tem menor valor do que os conceitos, as leis.

Por outro lado toda a discussão religiosa que insiste em colocar nas mãos do Supremo, não tribunal federal, mas do Divino, todos os movimentos da existência. Somos meros bonecos de uma manipulação e vontade superiores. Se um bebe anencéfalo FOI COLOCADO na barriga de uma mulher, há um sentido só conhecido pelo Criador e que não pode ser alterado até que Ele mesmo o defina. Se o Criador colocou essa criança, mesmo que seja para viver por 1 ou 2 dias, ou sabe-se quantos poucos mais, é porque há uma Vontade para isso que não pode ser modificada pelo homem, que a desconhece.

Nesse sentido devemos cruzar os braços e nos permitir sermos guiados pela Vontades manifestas desse Superior, que não é o tribunal federal...... Essa é a crença de muitos e o sentido que dão às suas vidas nessa entrega.

Nem tanto ao mar nem tanto à terra....

Seria muito importante que adentrássemos na vida dessa pessoas que defendem esse conceito, para identificarmos se elas vivem entregues a Vontade, e como entendem essa entrega. Seria surpreendente com certeza.

De qualquer forma parece tão óbvio que todas as questões metafísicas, espirituais e inclusive da ordem do privado, são da conta de cada um. E como vivemos em sociedade e precisamos de regras para conduta geral, deveríamos nos ater a criar regras PARA CONDUTA GERAL. O sentido de justiça, ou mais propriamente de legislação, chegou a tal extremo que estamos legislando condutas pessoais. São limites tênues, mas se estes limites já são difíceis de estabelecer, que dirá se por cima deles, dessas discussões, entram os interesses políticos e econômicos, os desígnios do PODER.

domingo, 8 de abril de 2012

A Grande Muralha da Vagina



O polêmico artista Jamie McCartney nos apresenta 400 moldes de genitálias femininas dispostas em dez painés que totalizam nove metros de comprimento. O trabalho não é apenas uma curiosidade provocadora e controversa, mas um chamado para importantes questões socioculturais envolvendo o corpo feminino.

Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2012/04/a_grande_muralha_da_vagina.html#ixzz1rVSdOIqB










Texto de Leonardo Boff

A ressurreição como insurreição

07/04/2012
Há uma questão da existência social do ser humano que atormenta o espírito e para a qual a ressurreição do Crucificado pode trazer um raio de luz: que sentido tem a morte violenta dos que tombaram pela causa da justiça e da liberdade? Que futuro têm aqueles proletários, camponeses, índios, sequestrados, torturados, assassinados pelos órgãos de segurança dos regimes despóticos e totalitários, como os nossos da América Latina, em fim, os anônimos que historicamente foram trucidados por reivindicarem seus direitos e a liberdade para si e para toda uma sociedade?
Geralmente a história é contada pelos que triunfaram e na perspectiva de seus interesses. A nossa, a brasileira, foi escrita pela mão branca. Só com o historiador mulato Capistrano de Abreu apareceu a mão negra e mulata. O sofrimento dos vencidos quem o honrará? Seus gritos caninos que sobem ao céus quem os escutará?
A ressurreição de Jesus pode nos oferecer alguma resposta. Pois, quem ressuscitou foi um destes derrotados e crucificados, Jesus, feito servo sofredor e condenado à vergonha da crucificação.
Quem ressuscitou não foi um César no auge de sua glória, nem um general no apogeu de seu poderio militar, nem um sábio na culminância de sua fama, nem um sumo-sacerdote com perfume de santidade. Quem ressuscitou foi um Crucificado, executado fora dos muros da cidade, como lembra a Carta aos Hebreus, quer dizer, na maior exclusão e infâmia social.
Mas foi ele que herdou as primícias da vida nova. Pois a ressurreição não é a reanimação de um cadáver como aquele de Lázaro. A ressurreição é a floração plena de todas as virtualidades latentes dentro de cada ser humano. Ela revela o sentido terminal da vida: a irradiação suprema do “homo absconditus” (o humano escondido) que agora se faz o “homo revelatus”(o humano revelado).
A ressurreição de Jesus mostrou que Deus tomou o partido dos vencidos. O algoz não triunfa sobre sua vítima. Deus ressuscitou a vítima e com isso não defraudou nossa sede por um mundo finalmente justo e fraterno que coloca a vida no centro e não o lucro e os interesses dos poderosos. Só ressuscitando os vencidos, fazemos justiça a eles e lhes devolvemos a vida roubada, vida agora transfigurada. Sem essa reconciliação com o passado perverso, a história permaneceria um enigma e até um absurdo.
Os injustamente executados voltarão, com a bandeira branca da vida. O verdadeiro sentido da ressurreição se mostra como insurreição contra as injustiças deste mundo que condena o justo e dá razão ao criminoso.
Agora pode começar uma nova história, com um horizonte aberto para um futuro promissor para a vida, para a sociedade e para a Terra. Dizem historiadores que o mundo antigo não conhecia o sorriso. Mostrava a gargalhada do deus Baco ou o riso maldoso do deus Pan. O sorriso, comentam, foi introduzido pelo Cristianismo por causa da alegria da Ressurreição. Só pode sorrir verdadeiramente quando se exorcizou o medo e se sabe que a grande palavra final é vida e não morte. O sorriso, portanto, é filho da Ressurreição que celebra a vitória da vida sobre a morte, testemunha o encantamento sobre a frustração e proclama o amor incondicional sobre a indiferença e o ódio.
Este fato é religioso é somente acessível mediante a ruptura da fé. Admitindo que a ressurreição realmente aconteceu intra-historicamente, então seu significado transcende o campo religioso. Ganha uma dimensão existencial, social e cósmica. Na expressão de Teilhard de Chardin, a ressurreição configura um “tremendous” de dimensões evolucionárias, pois representa uma revolução dentro da evolução.
Se o Cristianismo tem algo singular a testemunhar, então é isso: a ressurreição como uma antecipação do fim bom do universo e a irrupção dentro da história ainda em curso do “novissimus Adam” como São Paulo chama a Cristo: o “Adão novíssimo”. Portanto, não é a saudade de um passado mas a celebração de um presente.
Depois disso, cabe apenas se alegrar, festejar, ir pelos campos para abençoar os solos e as semeaduras como o faz ainda hoje Igreja Ortodoxa na manhã de Páscoa.Entoemos, pois, o Aleluia da vida nova que se manifestou dentro do velho mundo.
Leonardo Boff é autor A nossa ressurreição na morte (Vozes).
(reprodução não autorizada)

http://leonardoboff.wordpress.com/2012/04/07/a-ressurreicao-como-insurreicao/

HOMO VAZIENS

Estamos numa literal guerra de imbecilidades. Este é um estágio perigoso para humanidade, pois como um equilibrista da corda-bamba, o excesso leva à tragédia. E de excessos estamos vivendo nesse fim de mundo; deve ser isso o que se prenunciou como APOCALIPSE.

Excesso de arrogância,
excesso de violência,
excesso de ignorância,
excesso de argumentos e justificativas,
excesso de ideologias,
excesso de crenças,

E quando muito se come logo se vomita.

Essa era a idéia de "fim da humanidade", quando perderíamos todos os limites, todos os valores, todos os sentidos.

São muitas as guerras, mas o cabo de força que parece mais inquietar é a velha e infindável pergunta: deus existe?

Por detrás de todos os conflitos políticos, na disputa de poder (eu sou deus), nas disputas de propriedades (deus me deu), nas dependências (deus me esqueceu), nas intolerâncias (deus é meu), nos desentendimentos (deus me escolheu).... em tudo está o mesmo embate que nos faz HUMANOS: onde está deus? Dentro? Fora? Morto? No Livro? No coração? Na idéia? Na dúvida? Na natureza? Na rua? Lá em casa????

Já tentamos de tudo (e continuamos) e cada tentativa nos separa, nos des-une.

Homo Sapiens? Não, homo perdidens, homo burricens, homo vaziens.

Estamos nos comprimindo entre paredes esmagadoras que nós mesmos criamos, como aquelas cenas emocionantes do velho batman: paredes de ferro lentamente se aproximando e nosso herói aproveitando o apoio gerado pela proximidade começa a escalar, para cima a única saída...... mas no último momento as paredes param.

E como vamos fazer essas paredes parar???

De um lado o fundamentalismo religioso crescendo em todos os sentidos: em volume, em alcance, em poder, em violência, em esvaziamento. Esses grupos não querem nenhum tipo de diálogo, nem mesmo entre si; a conversa que desenvolvem é apenas afirmativa: um expressa o dogma, e todos os outros apenas prestam continência. Não há reflexão, não há a dúvida e, aliás, eliminar a dúvida crêem como prova de ter encontrado a verdade, a única resposta. E para justificar a afirmação arma-se um discurso incoerente, mas estruturado (de forma fragmentada para não explicitar as incoerências) e justificado no livro sagrado. As incoerências são tantas que permitiram a criação de inúmeras diferentes crenças, pois se existisse uma verdade, seria imbatível.

Do outro lado o fundamentalismo anti-religioso que só cresce no último quesito: em esvaziamento. Os chamados neo-ateus ou qualquer coisa que o valha estão pautados na mesma radicalidade usando as mesmas armas: quando não giram em redundâncias afirmativas, lutam ferozmente entre si. Pautados num tom agressivo, já que se entendem por rebeldes, tratam com desprezo e escárnio o diferente, (o religioso).

No comportamento são todos iguais: fundamentalistas. Desprezam a diferença, intolerantes, arrogantes e impositivos. Idênticos que se pretendem diferentes.

Não que isso tenha sido de outra forma na história da humanidade, mas hoje as discussões esvaziadas de sentido tomam conta das nossas ágoras, sem lógicas, sem ideologias, sem coerências, num tempo onde todos são filósofos e o conhecimento se diluiu na multiculturalidade virtual.

Tudo tem seus dois lados, as vantagens e as desvantagens, as perdas e ganhos..... Independente da quantidade de lados e esquecendo a necessidade de decidir por algum, o contexto é este.

Deus está morto e enterrado para uns e absolutamente vivo e ressuscitado para outros, e em seu nome, morto ou vivo, a intolerância prevalece. Isso é que é o poder que ele tem, ou que demos a ele!!!

E nosso problema não está no pobre coitado, mas no que fizemos dele.

Por que não podemos deixar para cada um sua escolha sem que ninguém fique sabendo? Ou se ficar, que seja no diálogo da reflexão.

Por que essa necessidade de pensar todo mundo igual?

Medo de ficar sozinho? É a solidão, o medo dela, que impulsiona essa vontade de impor sua verdade?

Medo do vazio,
de não ter pensamentos,
não ter certezas,
não saber,
ser nada,
não ter valor,
e então, não ter amor....

Os Efeitos da Barbárie

Hoje todo mundo é artista,
Todo mundo é filósofo,
Todo mundo é escritor,
Todo mundo é deputado,
Todo mundo é poeta,
Todo mundo é jornalista,
Todo mundo é depressivo,
Todo mundo é ator,
Todo mundo é pastor,
Todo mundo tem um blog,
Todo mundo é estressado,
Qualquer coisa é qualquer coisa nesse apocalipse.
Será que depois dessa onda tsunâmica vamos recuperar algum valor?
Será que depois dessa miscelânea toda vai ter como recuperar limites?
O futuro está tão inimaginável que está ficando instigante.


sábado, 7 de abril de 2012

O NOVO ATEÍSMO

Ateísmo hoje está virando uma atitude inclusiva e sinal de inteligência pelo comportamento crítico bem humorado. O que antes era um estigma daquele que não crê em nada, hoje é o perfil daquele que acredita em todas as possibilidades e não pretende escolher uma, pois sabe que a escolha será em detrimento de outra e a própria idéia de exclusão desagrada.

Não quer dizer com isso que acredita em todos os deuses e que deixou de ser a filosofia do DEUS ESTÁ MORTO, mas assim como a idéia de “deus está morto” não queria dizer “deus não existe”, isto permanece mais explícito do que nunca. Não foi deus que morreu mas a idéia sobre ele tinha um fim em si mesma.

Hoje se afirma como ATEU não apenas aqueles que acham que deus não existe, mas, e principalmente, pessoas que estão assumindo posturas críticas contra o excesso de fanatismo religioso, o excesso de imposição religiosa e o policiamento que os religiosos vem fazendo sobre todos os que praticam outros comportamentos.

O ateísmo hoje se tornou uma atitude mais do que uma tribo que reúne adeptos dos mesmos valores. Não importa tanto no que se acredita ou não, mas está sendo destacada a postura com que se lida com a crença alheia. Os interessados no título de ateus são hoje as pessoas que preferem explicitar as hipocrisias dos discursos religiosos; hipocrisias já tão conhecidas por todos, mas que só alguns sentem-se confortáveis para criticar.

Ser ateu hoje é aquela pessoa que quebrou seus tabus religiosos, não tem medo que um raio caia do céu ou qualquer outro castigo caso questione qualquer ícone de qualquer religião. Não sente medo ao criticar. Nem sente pudor ao utilizar imagens ditas “sagradas” porque entende que o sagrado deve ser acessível a qualquer utilização, que o sagrado não é intocável.

No passado era o ateu aquele radical que fazia questão de impor sua verdade destruindo a verdade alheia, ridicularizando os crentes; hoje tudo se inverteu: é o religioso que se vê obcecado para impor sua verdade, se sente incomodado ao encontrar alguém que se diz diferente daquela verdade e ridiculariza seus diferentes, quando não tenta eliminá-los.

O ateu de hoje é aquela pessoa que perdeu a paciência de ficar discutindo como experimenta ou não a faceta metafísica da vida porque entende que essa faceta não diz respeito a ninguém e não pode ser catalogada em nenhuma religião pré-estabelecida.

Hoje pertencem ao grupo de ateus e agnósticos todos aqueles que não se incluem em nenhuma religião não porque tenham definido algum julgamento sobre o conceito de deus, mas porque tem muito definido seu conceito sobre religião: são contrários a INSTITUIÇÃO religiosa e não necessariamente à metafísica.

Os ateus de hoje, por não estarem submetidos à dogmas ou verdades superiores, sentem-se livres para expressar opiniões, para brincar com qualquer situação sem entenderem isso como desrespeito pois na verdade percebem que estão sendo desrespeitados na sua liberdade.

O conceito de ateu hoje na prática está se confundindo com o laico já que a discussão sobre a existência ou não de deus, que caracteriza o ateísmo, está diluída numa infinidade de versões new age: as categorias conceituais estão tornando tão tênues os limites entre si que hoje é possível criar um lista interminável de possibilidades de comportamento; são tantas as variáveis quantos são as pessoas. Enquanto as religões ainda tentam estabelecer regras gerais para o sentimento metafísico, fora da instituição religiosa desistiu-se de estabelecer tais categorias.

Em torno do conceito de ateísmo ou agnosticismo estão se reunindo pessoas das mais diferentes origens culturais e filosóficas, num movimento que mais parece uma onda contrária a instituição religiosa do que propriamente uma categoria conceitual.

Entre os ateus existe um exercício de respeito à diversidade que nas instituições religiosas está muito difícil de praticar pois a existência de dogmas já é um pressuposto ao preconceito. Sendo assim os agrupamentos espontâneos em torno da idéia anti-religiosa tem sido “espaço” de diálogo contra hipocrisia ideológica, preconceitos em geral, a favor das diferenças e da convivência pacífica.

Parece que num futuro próximo ser ATEU vai ser um comportamento mais democrático do que os que se julgam crentes em alguma verdade.



sexta-feira, 6 de abril de 2012

UMA PESSACH DE PÁSCOA


Estamos finalmente mergulhados no misterioso 2012, o ano astrológico se inicia, a lua é cheia; não tem mais volta. E neste fim de mundo a páscoa cristã vai acontecer junto com a pessach judaica, muito próximas estarão essas festas.

E muito próximas são as metáforas que envolvem cada um desses rituais.

A PESSACH (passagem) judaica está relacionada à saída do povo judeu do Egito, onde viveu tantos anos escravizado. Embora no senso comum acredite-se que o simbolismo esteja relacionado ao percurso/passagem pelo deserto, com a espetaculosa abertura do mar vermelho, observando mais profundamente descobrimos que a “passagem” a qual a pessach se refere é outra.

Deus teria jogado 10 pragas sobre o Egito em conseqüência da arrogância e tirania do faraó governante, que inclusive escravizou o povo judeu contra a vontade do Supremo. Após 9 pragas antes da décima que seria a morte de todos os primogênitos existentes, humanos ou não, Moisés, líder do povo oprimido, foi instruído a realizar um ritual que protegeria o povo judeu da ultima praga. Todas as famílias hebreas deveriam sacrificar cordeiros e banhar os umbrais de suas casas com o sangue dos animais. A matança foi feita e quando o Anjo da Morte passou pela terra, executou os primogênitos entre humanos e animais, poupando a vida das famílias judias. Sobre pressão o faraó concedeu a partida do povo judeu em direção ao deserto.

O sentido da palavra pessach está então relacionado à passagem do Anjo da Morte e é esse o sentido profundo desse momento espiritual. Nos ensinamentos mais antigos da mística judaica encontramos o entendimento simbólico de cada passagem do livro sagrado. Neste caso o faraó está representando o Ego humano com sua arrogância e soberba, disposto a reinar único, acima do próprio Espírito que anima o ser. Essa centralização da nossa psique profunda no Ego, que deve compô-la, porém não dominá-la, nos leva a uma prisão, a verdadeira escravidão que o homem pode ter. O homem aprisionado não é aquele encerrado nas cadeias físicas. A libertação é a capacidade de descentralizar o Ego recuperando o encontro com a totalidade do ser. A experiência de descentralização é para o Ego uma experiência de morte porque sua “auto-imagem” será modificada para a compreensão de sua nova colocação e seu renascimento portanto.

Em pessach devemos permitir a morte do Ego, nos lançando no deserto, vazio de desejos e sensações, para após todo um percurso de limpezas, purificações, chegarmos a nossa terra prometida, que nada mais é do que o reencontro consigo mesmo, num nível de consciência mais profundo, ou iluminado.

A PÁSCOA cristã traz exatamente a mesma metáfora da morte e do renascimento para a junção do homem com o divino. Embora traga outras implicações desenvolvidas pela Igreja com o passar dos anos, a experiência mística tem a mesma finalidade: a figura exemplar de Jesus realiza o percurso do sacrifício, porém aqui o cordeiro é o próprio homem que derrama seu sangue. Como na outra historia, a morte do cordeiro serve para impedir a morte do povo, e, assim, entende-se a morte do Cristo por toda humanidade. E depois sua ressurreição comprovando sua condição supra humana, a presença de Deus dentro de si, o sentido de sua mensagem.

Infelizmente a Igreja modificou o sentido da metáfora e deu a Jesus a responsabilidade de filho do Deus ou do próprio transcendente, diferenciando-o de todos os outros homens, o que destruiu seu próprio trabalho. O que a metáfora cristã oferecia era um exemplo a ser revivido por todos e cada um, dentro. Uma vez que Jesus tornou-se o Cristo e sacrificou-se por todos, libertando a todos na sua ação, tirou de cada um a responsabilidade de experimentar em si a morte e renascimento, tirou de cada um a experiência vivida para torná-la uma experiência “projetada”, que não traz sabedoria porque elimina definitivamente a possibilidade de contato interno. Projetados na experiência alheia nos tornamos vazios e manipuláveis. Ninguém pode morrer por ninguém, nascemos e morremos absolutamente sós e por nós mesmos, não há como fazer de outra forma; projetada fora da consciência, da presença, da imanência, a experiência torna-se transcendente.

Assim como a religião judaica concentrou seu entendimento na vitimização do povo aprisionado e sua libertação, digna de povo vingado e eleito, tirando de cada um o entendimento de que o Ego não deve ser assassinado mas apenas descentralizado e portanto não há o mal, tirano, e o bem, vítima. O que existem são forças coadjuvantes para um mesmo fim. Quando a religião escolhe dar ao seu povo o papel de vítima do outro, tira de cada um a responsabilidade sobre sua própria morte porque o faraó não está fora e nem é de "outra raça", diferente de nós mesmos.

As religiões tem a função de nos desviar do sentido esotérico que nossas mitologias solicitam e nos ensinam. Os caminhos estão iluminados, deus está em todo lado, mas as interpretações estabelecidas, impostas, criaram sombras, vendas e geraram confusão nos afastando de nós mesmos. Nós temos as respostas foi o que disse Jesus, temos o poder disse Moisés, fazemos milagres afirmaram os dois.


Este é o fim do mundo,
momento mais do que propício para a morte.

Vamos finalizar realmente,
morrer sinceramente,
descentralizar nossos desejos de controle e poder,
descentralizar nosso Medo/Diabo,
pois só assim seremos capazes de viver
sem crenças,
sem vendas,
realmente livres,
donos da nossa terra/corpo/vida prometida,
valorosa.

Podemos nos fazer ouro,
luz.
Não sem um deserto de incertezas,
medos, sofrimentos, vergonhas,
mas vencedores sobre o próprio sangue,
magos da nossa própria existência.

Divinos sim.


domingo, 1 de abril de 2012

Se DEUS tivesse falado, ELE teria dito:

Para de ficar rezando e batendo no peito! O que Eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti. Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. Para de me culpar da tua vida miserável. Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.

Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir.
Tu vais me dizer como fazer
meu trabalho?
Para de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.

Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso
te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento,
qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia. Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há
aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos.
Não há
pecados nem virtudes.
Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste. Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Para de crer em mim, crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu
não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Para de me louvar!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Aborrece-me que me louvem.
Cansa-me que agradeçam.
Tu
te sentes grato?
Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Tu te sentes olhado, surpreendido?

Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar. Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisas de
mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás.
Procura-me dentro, aí é que estou, batendo em ti.

BARUCH SPINOZA (1632 – 1677)