Então, há mais de 20 anos, um grupo de mulheres no Quênia, cansou de ser estuprada, espancada, mutilada e submetida às normas patriarcais da sua comunidade. Fugiram, lideradas por Rebecca Lolosoli, uma das tantas mulheres mal tratadas. Fixaram-se num pedaço de terra desprezado pelas péssimas condições de sobrevivência e sobreviveram.
Criaram Umoja, uma comunidade onde homens são proibidos, a não ser os nascidos ali, e que respeitem as regras da comunidade. Sem hierarquias, apenas sob a liderança de Rebecca, construíram suas casas e um centro cultural onde vendem seu artesanato para sobreviver. Conseguiram replantar naquela terra e enviar seus filhos para escola, o que não era possivel na comunidade de origem.
Hoje lutam por direitos civis e tornaram-se referência para muitas outras mulheres da região e pelo mundo. Publico dois pequenos artigos e um belo video delas cantando. O possível nascendo do impossível.
video
Artigo na Revista Galileu
Artigo de Walter Passos
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
Dilma lava as mãos mais uma vez
A sra presidenta do Brasil vai acabar com uma doença de pele nas mãos se continuar nessa lavagem constante. Todo mundo sabe que excesso de limpeza tem consequências. Se não botar a mão na lama deixa de ser humano.
E é de humanidade que precisamos falar: mortes humanas. O problema das mortes de mulheres em decorrência de abortos não é um tema de ordem religiosa, não é de ordem criminal, não é um tema de ordem política (pelo menos não deveria ser); é um tema de saúde pública.
Todos sabemos que a maioria da população é contrária a legalização do aborto, porque a maioria da população não diferencia suas crenças religiosas dos interesses civis. Apesar de pretendermos um Estado democrático, onde a opinião da maioria deva ser atendida, estamos ainda no começo da transição entre uma robotização da ditadura e uma democracia de fato, de livre pensar.
O papel do Estado, nesse momento de transição, é mais difícil, delicado e necessário do que em qualquer outra fase. Para atingir a democracia de fato é fundamental dar vozes a todos os seguimentos da sociedade, dar direitos civis, dar condições de saúde, alimentação e educação. Antes disso, toda administração pública fica comprometida.
Filhos da ditadura que somos, a maioria de nós não quer dar vozes a todos os seguimentos da sociedade. Fazemos o que então? Esclarecemos a todos da importância da igualdade de direitos e, no próximo milênio, quando a maioria das mentalidades concordarem, daremos direitos às minorias excluídas? Até lá, continuamos a ver negros, homossexuais, trans e travestis, mulheres, pobres, umbandistas, etc, etc,etc, serem mortos, violentados, desrespeitados, submetidos ao poder normativo estabelecido???
Qual é o papel do Estado nesse momento?
Seria ótima essa discussão de qual é o papel do Estado nesse momento, mas, nesse momento, não estamos nem discutindo o papel do Estado, porque nosso Estado está por demais comprometido para ser um Estado.
Não sou a favor da nenhum tipo de centralização do poder pelo Estado, longe disso. Mas, há uma diferença entre ser um Estado centralizador e ser um Estado executivo. Quero dizer com isso que o Estado executivo não impõe leis ou normas a partir do seu próprio interesse, ou do grupo que o sustenta (como é na ditadura e como temos visto, inclusive). O que estou chamando de Estado executivo é um Estado de princípio democrático. Porém, confunde-se democracia com opinião da maioria. Democracia não é a opinião da maioria. Democracia é a igualdade de direitos, mesmo quando isso significa a opinião de uma minoria. A sra. presidenta sabe disso. A opinião da maioria só é interessante nos objetivos político-eleitoreiros, mesmo quando estes são contrários à democracia.
Uma lógica simples, e de tão simples, revela que a posição assumida por Dilma na seguinte entrevista:
Para Dilma, Estado não deve entrar na questão do aborto.
é um posicionamento bastante demonstrativo da sua total submissão às forças político-econômicas que estão atuando dentro e fora do Congresso. É em calcanhares de aquiles como a defesa da causa indígena ou a defesa do aborto livre que finalmente concluímos que o Governo de Dilma não é um governo que prima pela democracia. Está submetido à ditadura do capital.
Poderíamos argumentar que a tal governabilidade que caracteriza essa ginga sem fim da presidenta, é uma estratégia para atingir sim, um Estado democrático, porém dentro de condições mais propícias que as do momento. Ou seja, ela vai jogando de todos os lados para permanecer no poder e, aos poucos, conseguir estabelecer as mudanças necessárias. Temos que convir que o jogo não está nada fácil: o cenário político brasileiro é caótico, risível, ignorante e politicamente infantil. Temos hoje em cargos representativos anomalias humanas que não serviriam nem pra síndico. Nesse sentido, valorizo muitas conquistas do PT no governo esses anos todos.
Só que a Dilma está nessa fogueira porque está priorizando os grupos que vão derrubá-la. E enquanto tenta se manter no poder, outros poderes estão se consolidando e direcionando as decisões do país.
Que o jogo político é complexo ninguém tem dúvida. Minha dúvida é se as mortes de hoje valem à pena por supostas conquistas no futuro.
Na minha opinião, não. Na minha opinião, o futuro só existe enquanto suposição. Na minha opinião, a defesa de direitos é urgente e prioritária. Na minha opinião, a sra presidenta está sendo omissa e covarde; uma mulher sem peito e sem convicção.
Ou, talvez, eu esteja enganada e a convicção da sra presidenta seja exatamente essa que ela expressa na sua omissão.
De uma coisa eu não tenho dúvida: isentar o Estado dessa decisão quanto a legalização do aborto e jogar o abacaxi para as mãos desse Congresso conservador, que tende a extremar uma posição contrária, vai colocar nossa presidenta contra a parede. Então, no paredão, ou ela erguerá os braços pedindo clemência e baixando a cabeça ao poder vigente, ou ela romperá os botões da sua camisa de força, expondo seu coração valente, enfrentando uma bala contra o peito.
Hahahahahahaha, pena que o tempo do romantismo acabou faz tempo!!
E é de humanidade que precisamos falar: mortes humanas. O problema das mortes de mulheres em decorrência de abortos não é um tema de ordem religiosa, não é de ordem criminal, não é um tema de ordem política (pelo menos não deveria ser); é um tema de saúde pública.
Todos sabemos que a maioria da população é contrária a legalização do aborto, porque a maioria da população não diferencia suas crenças religiosas dos interesses civis. Apesar de pretendermos um Estado democrático, onde a opinião da maioria deva ser atendida, estamos ainda no começo da transição entre uma robotização da ditadura e uma democracia de fato, de livre pensar.
O papel do Estado, nesse momento de transição, é mais difícil, delicado e necessário do que em qualquer outra fase. Para atingir a democracia de fato é fundamental dar vozes a todos os seguimentos da sociedade, dar direitos civis, dar condições de saúde, alimentação e educação. Antes disso, toda administração pública fica comprometida.
Filhos da ditadura que somos, a maioria de nós não quer dar vozes a todos os seguimentos da sociedade. Fazemos o que então? Esclarecemos a todos da importância da igualdade de direitos e, no próximo milênio, quando a maioria das mentalidades concordarem, daremos direitos às minorias excluídas? Até lá, continuamos a ver negros, homossexuais, trans e travestis, mulheres, pobres, umbandistas, etc, etc,etc, serem mortos, violentados, desrespeitados, submetidos ao poder normativo estabelecido???
Qual é o papel do Estado nesse momento?
Seria ótima essa discussão de qual é o papel do Estado nesse momento, mas, nesse momento, não estamos nem discutindo o papel do Estado, porque nosso Estado está por demais comprometido para ser um Estado.
Não sou a favor da nenhum tipo de centralização do poder pelo Estado, longe disso. Mas, há uma diferença entre ser um Estado centralizador e ser um Estado executivo. Quero dizer com isso que o Estado executivo não impõe leis ou normas a partir do seu próprio interesse, ou do grupo que o sustenta (como é na ditadura e como temos visto, inclusive). O que estou chamando de Estado executivo é um Estado de princípio democrático. Porém, confunde-se democracia com opinião da maioria. Democracia não é a opinião da maioria. Democracia é a igualdade de direitos, mesmo quando isso significa a opinião de uma minoria. A sra. presidenta sabe disso. A opinião da maioria só é interessante nos objetivos político-eleitoreiros, mesmo quando estes são contrários à democracia.
Uma lógica simples, e de tão simples, revela que a posição assumida por Dilma na seguinte entrevista:
Para Dilma, Estado não deve entrar na questão do aborto.
é um posicionamento bastante demonstrativo da sua total submissão às forças político-econômicas que estão atuando dentro e fora do Congresso. É em calcanhares de aquiles como a defesa da causa indígena ou a defesa do aborto livre que finalmente concluímos que o Governo de Dilma não é um governo que prima pela democracia. Está submetido à ditadura do capital.
Poderíamos argumentar que a tal governabilidade que caracteriza essa ginga sem fim da presidenta, é uma estratégia para atingir sim, um Estado democrático, porém dentro de condições mais propícias que as do momento. Ou seja, ela vai jogando de todos os lados para permanecer no poder e, aos poucos, conseguir estabelecer as mudanças necessárias. Temos que convir que o jogo não está nada fácil: o cenário político brasileiro é caótico, risível, ignorante e politicamente infantil. Temos hoje em cargos representativos anomalias humanas que não serviriam nem pra síndico. Nesse sentido, valorizo muitas conquistas do PT no governo esses anos todos.
Só que a Dilma está nessa fogueira porque está priorizando os grupos que vão derrubá-la. E enquanto tenta se manter no poder, outros poderes estão se consolidando e direcionando as decisões do país.
Que o jogo político é complexo ninguém tem dúvida. Minha dúvida é se as mortes de hoje valem à pena por supostas conquistas no futuro.
Na minha opinião, não. Na minha opinião, o futuro só existe enquanto suposição. Na minha opinião, a defesa de direitos é urgente e prioritária. Na minha opinião, a sra presidenta está sendo omissa e covarde; uma mulher sem peito e sem convicção.
Ou, talvez, eu esteja enganada e a convicção da sra presidenta seja exatamente essa que ela expressa na sua omissão.
De uma coisa eu não tenho dúvida: isentar o Estado dessa decisão quanto a legalização do aborto e jogar o abacaxi para as mãos desse Congresso conservador, que tende a extremar uma posição contrária, vai colocar nossa presidenta contra a parede. Então, no paredão, ou ela erguerá os braços pedindo clemência e baixando a cabeça ao poder vigente, ou ela romperá os botões da sua camisa de força, expondo seu coração valente, enfrentando uma bala contra o peito.
Hahahahahahaha, pena que o tempo do romantismo acabou faz tempo!!
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Violência contra Mulher
Nossa, esse pessoal atinge um nível de ignorância humana intolerável: a mãe só percebeu que o marido era pirado depois do extremo de cortar a língua, porque quando tacou fogo na filha era uma briga de casal corriqueira.
O que mais me revolta no ser humano é essa capacidade de suportar os extremos dos maus tratos sem reação; uma suportabilidade baseada na crença de merecimento. Essa é a prova de que a fé tem mais força no homo sapiens (burriens) do que condições mínimas de respeito a si mesmo. As regras de conduta são mais valorosas do que as leis da natureza. Isso é reflexo da religião; não desta ou daquela, mas da necessidade humana de se submeter a crenças e se idiotizar.
Essas pessoas se veem como veem os animais: submetidos a leis de ocupação de espaço e mecanismos físicos básicos. Vc fala oque não quero ouvir então eu corto sua língua. Vc rouba o que não pode pegar então corto sua mão. Vc faz uma ação que não pode fazer então jogos pedras em vc. Vc me rejeita, eu taco ácido na sua cara. Vc nasce torto então jogo vc do precipício. Vc é de raça diferente então queimo vc no forno. Vc faz chá de ervas contra minha religião então jogo vc na fogueira.
Agem como crianças más: infantis no sentido de responderem imediatamente ao desejo como crianças de até 1 ano fazem; e as mal educadas que não são orientadas ao respeito, ao carinho e ao amor.
A dificuldade de amar a si mesmo e ao outro. Essa ausência de amor é assustadora!!! Não me venham com carmas, demônios e o caramba: é falta de AMOR que se perpetua, ignorância afetiva e, portanto, esse ódio descontrolado pelo feminino.
Cortem quantas linguas (flores) quiserem, não vão impedir a primavera!!! Sinto muitíssimo pela moça e seu filho.
O que mais me revolta no ser humano é essa capacidade de suportar os extremos dos maus tratos sem reação; uma suportabilidade baseada na crença de merecimento. Essa é a prova de que a fé tem mais força no homo sapiens (burriens) do que condições mínimas de respeito a si mesmo. As regras de conduta são mais valorosas do que as leis da natureza. Isso é reflexo da religião; não desta ou daquela, mas da necessidade humana de se submeter a crenças e se idiotizar.
Essas pessoas se veem como veem os animais: submetidos a leis de ocupação de espaço e mecanismos físicos básicos. Vc fala oque não quero ouvir então eu corto sua língua. Vc rouba o que não pode pegar então corto sua mão. Vc faz uma ação que não pode fazer então jogos pedras em vc. Vc me rejeita, eu taco ácido na sua cara. Vc nasce torto então jogo vc do precipício. Vc é de raça diferente então queimo vc no forno. Vc faz chá de ervas contra minha religião então jogo vc na fogueira.
Agem como crianças más: infantis no sentido de responderem imediatamente ao desejo como crianças de até 1 ano fazem; e as mal educadas que não são orientadas ao respeito, ao carinho e ao amor.
A dificuldade de amar a si mesmo e ao outro. Essa ausência de amor é assustadora!!! Não me venham com carmas, demônios e o caramba: é falta de AMOR que se perpetua, ignorância afetiva e, portanto, esse ódio descontrolado pelo feminino.
Cortem quantas linguas (flores) quiserem, não vão impedir a primavera!!! Sinto muitíssimo pela moça e seu filho.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Suicídio de jovem forçada a casar com seu estuprador causa protestos
Ativistas marroquinos intensificaram a pressão para derrubar a lei que permite que estupradores casem com suas vítimas depois que uma menina de 16 anos cometeu suicídio. Amina Al Filali usou veneno de rato para tirar a própria vida após ficar casada por cinco meses com o homem que a violentou e que, desde a união permanente, a agredia fisicamente.
Uma petição online e uma manifestação prevista para este sábado (17) tratam da lei como "constrangedora" para o país. Os ativistas querem a suspensão do Artigo 475 da lei local que permite que estupradores escapem da prisão se eles aceitarem "restaurar as virtudes" da vítima - ou seja, se se casarem com ela.
Estuprada aos 15 anos, Amina foi obrigada a se casar com seu estuprador com apoio de um juiz. Pela lei do Marrocos, o crime de estupro é punido com 10 anos de prisão, chegando a 20 se a vítima for menor de idade.
"O artigo 475 é constrangedor para a imagem internacional de modernidade e democracia no Marrocos", disse à BBC Fouzia Assouli, presidente da Liga Democrática do Marrocos para os Direitos da Mulher. "No Marrocos, a lei protege a moralidade pública, mas não o indivíduo", acrescentou Assouli.
Ela afirma ainda que legislação proibindo todas as formas de violência contra as mulheres, incluindo estupro dentro do casamento, está para ser implementada desde 2006.
Deserdada
A jornalista da BBC em Rabat, Nora Fakim, diz que em partes conservadoras do Marrocos é inaceitável para uma mulher perder a virgindade antes do casamento --e a desonra é dela e de sua família, mesmo que ela seja vitima de estupro. Amina veio da pequena cidade de Larache, perto de Tânger, ao norte do país.
A idade legal do casamento em Marrocos é de 18 anos, salvo se houver "circunstâncias especiais" --que é a razão pela qual Amina era casada, apesar de ser menor de idade.
A imprensa local diz que a menina queixou-se a sua família sobre maus tratos, mas acabou deserdada, o que teria provocado o suicídio.
Testemunhas afirmam que o marido ficou tão indignado quando Amina tomou o veneno que a arrastou pelos cabelos pela rua --e ela morreu pouco depois.
Ativistas estão pedindo que o juiz que permitiu o casamento e o estuprador sejam presos.
Estudo governamental realizado no último ano dá conta de que cerca de um quarto das marroquinas sofreram ataques de ordem sexual ao menos uma vez durante suas vidas.
notícia publicada na UOL em 15/03/2012
Há tanto o que dizer sobre uma notícia como essa que um efeito contrário nos cala. De todos os sentimentos que essa situação nos provoca, entre nojo, raiva, pena, indignação, enfim, tantos, o de desespero supera todos.
Desespero vindo da solidariedade de nos colocarmos na situação de um ser humano submetido a essas condições.
Desespero vindo da impotência de reconhecermos que a organização social depende de leis escritas para fazer valer direitos óbvios.
Desespero de ter que aceitar diariamente que existem seres humanos, misturados entre nós, que são regidos por motivos completamente incompreensíveis para QUALQUER teoria psico-sociológica, antropológica ou espiritual que se possa criar.
Desespero de ver mais uma representante do sexo feminino sendo abandonada no próprio desespero.
É assustador perceber como um padrão cultural, religioso ou de qualquer ordem, se sobrepõe ao sentimento de fraternidade, solidariedade, identidade com o outro, que é sempre um irmão.
Enquanto nos virmos separadamente, seremos assim.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Ser MULHER é uma atitude
2012
Novo ano, novo mundo, nova física, novos sistemas de comunicação, novos conceitos de relacionamento... ainda temos muito que mudar, mas decididamente já entramos num NOVO CAMINHO.
O novo pode parecer interessante, fácil, mas todos sabemos o quanto é difícil para nós, filhos da cultura do apego, mudar; o quanto é difícil, para nós filhos da cultura do controle, nos movimentar. Mas essa dificuldade é apenas uma impressão, é apenas a impressão que nosso Ego (seja lá o que isso for), tem do movimento, da falta de controle. Em verdade, o ciclo constante de morte e renascimento está em nós. Se trazemos em nosso DNA nossos padrões, o movimento é nosso padrão mais profundo e o desapego é nossa natureza primeira.
E por ser Natureza não estamos falando de um movimento desordenado, inconsequente, mas do constante movimento sob LEIS, que não são regras, que dão sentido ao Universo.
Nossa civilização, que mais parece um laboratório de experimentos onde somos as cobaias, chegou no limite da imagem que criou para si mesma; criamos um conceito de ser humano e civilização que comeu seu próprio rabo. Para sobreviver, nosso universo, estamos sendo obrigados rapidamente a nos reinventar.
Hoje no Dia Internacional da Mulher podemos comemorar a reinvenção dos gêneros. No novo mundo não estamos mais divididos em apenas 2 grupos: homem e mulher, mas distribuídos em múltiplas possibilidades de ser, de expressão. Nossos corpos não são mais suficientes para designar como nos comportamos, seja no mundo exterior seja na própria biologia. Os padrões estão de mãos atadas diante da explosão de exceções que vimos provocando na nossa humanidade. Nossas fronteiras estão hibridas e é preciso mais do que uma forma para determinar um comportamento.
Sendo assim nem todos os corpos que possuem seios, vaginas, pelos aqui e não ali, hormônios assim e não assado, estes e não aqueles órgãos, determinam uma MULHER.
Ser Mulher hoje é uma atitude
Uta Melle
Uta Melle, alemã, poucos dias antes de completar 40 anos recebeu o diagnóstico de câncer de mama nos dois seios que deveriam ser extraídos. Foi seu marido, publicitário, que a presenteou com um quadro de uma amazona que cortou o próprio seio para manipular melhor seu arco e flecha.
Uta criou o projeto AMAZONEN, que se tornou um livro, fotografando mulheres sem seios ou com próteses, enfrentando o preconceito e o conceito de mulher, de feminino, implantados em nossos chips.
O projeto não conseguiu patrocínio e sua exposição, por onde passou, tem provocado reações diversas da imprensa e dos espectadores.
Não há melhor expressão para comemorar este 08 de março de 2012.
vídeo sobre Uta Melle e o projeto AMAZONEN
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Violência sexual na guerras: dos gregos para hoje não mudamos nada.
Violencia sexual en conflictos supone un riesgo mundial, advierte representante especial
![]() |
Margot Wallström
|
23 de febrero, 2012 - La representante especial de la ONU sobre violencia sexual en los conflictos armados advirtió hoy que ese atropello ancestral no es específico de algún país o continente sino que constituye un riesgo mundial.
En una sesión del Consejo de Seguridad sobre ese tema, Margot Wallström señaló que el terror que una mujer desarmada sufre frente a ese tipo de agresión se traduce en un arma que somete a comunidades enteras.
“Como proceso de intimidación, las violaciones suelen anteceder al conflicto y son también la última arma en rendirse. Es importante no olvidar que la violencia sexual continúa después de que se ha acallado el fuego de otras armas”, dijo la experta.
Añadió que pese a la persistencia de ese flagelo se han logrado ciertos avances en su combate, entre los que destacan los mecanismos de protección establecidos por una amplia coalición de fuerzas de paz, fiscales de crímenes de guerra, diplomáticos y otros actores internacionales.
Esos mecanismos, que consisten en hacer públicos los nombres de quienes han cometido esos abusos, han dado resultados tangibles puesto que no permiten que los responsables se oculten tras un manto de impunidad, explicó Wallström.
Por otra parte, destacó cómo el Consejo de Seguridad ha cambiado la percepción de esa atrocidad y aseveró que gracias a ese cambio la violencia sexual es considerada como una amenaza a la seguridad de regiones enteras.
“Como proceso de intimidación, las violaciones suelen anteceder al conflicto y son también la última arma en rendirse. Es importante no olvidar que la violencia sexual continúa después de que se ha acallado el fuego de otras armas”, dijo la experta.
Añadió que pese a la persistencia de ese flagelo se han logrado ciertos avances en su combate, entre los que destacan los mecanismos de protección establecidos por una amplia coalición de fuerzas de paz, fiscales de crímenes de guerra, diplomáticos y otros actores internacionales.
Esos mecanismos, que consisten en hacer públicos los nombres de quienes han cometido esos abusos, han dado resultados tangibles puesto que no permiten que los responsables se oculten tras un manto de impunidad, explicó Wallström.
Por otra parte, destacó cómo el Consejo de Seguridad ha cambiado la percepción de esa atrocidad y aseveró que gracias a ese cambio la violencia sexual es considerada como una amenaza a la seguridad de regiones enteras.
ONU MUJERES
Não bastasse a vida absurda a que são submetidas mulheres e crianças durante as guerras, ainda sofrem a violência sexual. Além de ficarem sem casa, sem comida, sem condições mínimas de nada, ouvindo diariamente tiroteios, com a adrenalina correndo no sangue aos jorros, à beira da morte, lutando apenas para sobreviver; sem perspectiva de futuro, sem voz ativa, sem escolha nenhuma, ainda violentadas várias vezes.
Já na guerra de Tróia encontramos as imagens dos estupros que os soldados praticavam contra as mulheres do povo vencido. A profetiza Cassandra trazida como espólio de guerra (porque mulher já era objeto desde tempos remotos) chega à Grécia grávida não se sabia de quem, tantos foram seus estupradores.
Milênios depois estão aí novas Cassandras, que se não arrancam dos ventres os gerados pelo inimigo, fazem nascer indesejáveis e verdadeiros frutos da guerra... sem contar as que são contaminadas pela AIDS trazida por esses homens, não menos miseráveis de espírito e também vítimas desse mundo absurdo.
"Não chores. Os Gregos venceram; e depois?
Vencida, incendiada, humilhada,
a Tróia cabe a melhor parte.
Nesta planície os nossos inimigos caíram aos milhares.
Foi para defender as fronteiras
ou as muralhas da sua cidade?
Não. Morreram por nada, no estrangeiro,
não mais viram os filhos, nem os pais,
velhos covardes que não souberam
impedi-los de partir.
Para os Gregos nem sepultura
nem libações funerárias!
A terra troiana devorou-os indistintamente,
e as esposas jamais encontrarão seus ossos.
Miseráveis! engolidos mas não sepultados,
nem sequer fantasmas sois.
Aqui, comidos pelos vermes;
na Pátria, pelo esquecimento.
Esquecidos. Aniquilados."
monólogo de Cassandra em AS TROIANAS de Eurípedes.
Há milhares de anos os artistas já reclamavam a inutilidade das guerras, o quanto não traziam vitória efetiva para ninguém e destroçavam nossos futuros. Mesmo assim estamos atuando exatamente da mesma forma só mudando as armas. Jogando nossos homens contra seus irmãos até a morte, violando a sacralidade de nossas mulheres e plantando gerações sem futuro em nome de um único motivo: O PODER.
Se imaginarmos um futuro diferente, agiremos inspirados em nossa imaginação, em nossos sonhos, e geraremos outras possibilidades para enfrentar nossas diferenças!!!
PAZ E AMOR
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O Conceito de MULHER
Do começo dos tempos até agora no fim do mundo um conceito nunca mudou: da mulher como objeto sexual. Subjulgar o feminino é uma necessidade social incontrolável, necessidade de TODOS. Não damos muita atenção, mas na verdade existe uma quantidade grande de situações no nosso cotidiano que reafirmam essa necessidade, e já estamos tão acostumados que nem nos damos conta.
Quando o comportamento chega a extremos como o estupro de uma adolescente de 12 anos dentro de um ônibus, ou o assassinato de duas mulheres numa festinha de aniversário, ou ainda o sequestro e assassinato da ex-namorada que "não te quer mais”, aí então vira crime hediondo e a polícia se mexe em defesa de quem já não tem mais defesa.
FELIZ ANIVERSÁRIO QUERIDO AMIGO!!! NÓS TROUXEMOS DE PRESENTE PARA VC: DUAS MULHERES PARA SEREM ESTUPRADAS POR TODOS NÓS EM COMEMORAÇÃO A ESSE LINDO DIA!!!
Mas onde nasce esse tipo de crime? Em que hábitos sociais, cotidianos, estão incutidos os estímulos para esse comportamento? As respostas são bem conhecidas e vão desde as diárias propagandas de cervejas... mas ninguém leva isso muito à sério. É mais fácil chamar de maluco ou criminoso aquele que ultrapassa o limite suportado pela sociedade.
Pra começar é fundamental reconhecer que esses comportamentos não são de pessoas doentes ou discrepantes na nossa sociedade; vivemos diariamente e sorrateiramente incutindo em nosso comportamento uma violência e subjugação do sexo feminino, ou da feminilidade. Os estupros que maridos cometem nas suas esposas, com mais ou menos violência, não são passiveis de condenação, pois estão garantidos pela lei. Claro, se quando uma mulher vai a uma delegacia denunciar um estupro cometido por um desconhecido, ela ainda é acusada de ter provocado o crime, imagine se uma mulher fosse denunciar que o homem com quem vive há 5, 10 ou 20 anos, após assinatura de um papel de compromisso, este mesmo chamado marido praticou sexo com ela absolutamente contra sua vontade e sua permissão..... não, ainda não vivemos em tempos assim.
Levou muito tempo para se tornar crime o espancamento de mulheres, depois de muita luta e à custa de muita mulher morta, mutilada ou alejada!! Precisa virar estatística ALTA pra gerar força de campanha, pra tudo é assim numa coletividade surda. E mesmo assim ainda teve juiz (JUÍZ!!!!!), que se pronunciou: “o juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues rejeitou pedidos de medidas contra homens que agrediram e ameaçaram suas companheiras. "Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (...) O mundo é masculino! A idéia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!... Para não se ver eventualmente envolvido nas armadilhas dessa lei absurda, o homem terá de se manter tolo, mole, no sentido de se ver na contingência de ter de ceder facilmente às pressões.", diz Rodrigues, segundo a reportagem da Folha de São Paulo.
Em nossa sociedade ainda não se reconhece claramente que o ser humano de gênero feminino tem vontades próprias e que essas vontades deveriam ser garantidas e defendidas por lei como são as dos demais seres humanos. Demais seres humanos? Bom, os que não são do gênero feminino são do masculino (já que os gêneros híbridos ainda não foram catalogados), e, portanto os demais gêneros são um gênero só. E por “nossa sociedade” devemos entender 99% das organizações coletivas sobre o planeta Terra.
Os valores estão tão confusos que os extremos já concordam: o que é a cultura machista, cruel e dominadora?
São diárias e incontáveis as notícias sobre violência contra o sexo feminino e também contra tudo que destaque a feminilidade, mesmo em corpos masculinos; hoje se pode considerar que os crimes contra a homoafetividade, desde os ataques antigos e costumeiros aos travestis até os constantes assassinatos a homossexuais nas nossas ruas paulistanas, ou em tantas ruas de tantas cidades pelo mundo, toda essa violência está sustentada nessa agressão contra o feminino.
A feminilidade parece ser insuportável em qualquer circunstância, em quase todas as culturas. Os “por quês” vamos deixar para que aqueles que estudam os motivos os indiquem.
No dia a dia o que nos importa é compreender o que estamos fazendo, sem criar distancias entre nós e os fatos: somos todos participantes. Não basta prender quem ultrapassa os limites da vida. Os limites devem ser do respeito.
jovem com o nariz decepado pelo marido
Mas a tentativa de eliminar o feminino ganhou tanto espaço que alcançou as próprias mulheres.
A anorexia é um fenômeno/doença que afeta fundamentalmente mulheres que buscam desesperadamente eliminar suas formas. E ataca principalmente as jovens adolescentes que estão criando sua auto-imagem. Mas que imagem de mulheres elas podem querer ser? Esses corpos volumosos montados em silicone para disputarem o pódium do objeto de desejo?
Que conceito de mulher estamos criando?
"pés de lírio", deformidade provocada pelo uso de sapatos muito pequenos entre mulheres chinesas
distribuição do peso nos pés com o uso de saltos altos nos sapatos femininos
Dados de 2009 indicaram que a cada dia 11 mulheres são mortas, sendo 70% pelo marido ou ex-marido, noivo ou ex-noivo, namorado ou ex-namorado (é aqui que reside a violência machista ou de gênero, que é universal).
A cada 20 segundos uma mulher é agredida no Brasil, fora o que a estatística não calcula.
A cada 3 mulheres, 1 já foi fisicamente agredida.
Esquisito visto em números não é? Parece absurdo, mas podemos pensar que para ter chegado ao valor estatístico é porque a realidade é bem mais absurda, ao ponto de ter sido necessária a criação da ONU MULHERES para defender o gênero no mundo todo.
Vamos buscar em cada comportamento como colaboramos para a continuidade dessa guerra, de todas as guerras, e então modificar o comportamento para colaborarmos com a paz.
Campanhas não faltam.
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