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segunda-feira, 16 de julho de 2018

NATUREZA MORTA


A arte morreu?

Não, não temos o poder de eliminar nem a arte, nem a natureza, nem o devir, nem o desejo, nem a realidade.

Mas temos nos exercitado muito no desenvolvimento de um poder, ressentido, de sufocar a arte naquilo que ela tem de intensivo, fingindo que ela é extensiva.

A arte continua brotando porque ela é quase como o ar de sobrevivência do ser humano. Ou ela é o próprio ar que depois que se inspira se expira.

Mas assim como o desejo que não cessa de se criar, a arte também é cooptada a todo instante. Está cada vez mais difícil produzir fora do alcance da cooptação do poder. No mundo em que estamos inseridos, na loucura da maquina destrutiva de vida do capitalismo, assim que algo se cria imediatamente se torna produto. No mal sentido desse sentido.

Aliás, antes mesmo de ser criada, a criação já está capturada porque os meios de produção estão sob controle. Materiais e imateriais.

E se algum respiro fora do esperado eclode, um pernicioso processo se instaura imediatamente para esvaziar a intensidade da criação tornando-a apenas mais uma forma. E glorificamos a forma como se ela fosse o sinônimo do ato criativo, sendo que esse já não se faz mais presente. No instante em que glorificamos a forma estamos justamente a esvaziando de sua intensidade. Estamos muito bem treinados para colaborar com nossa própria escravatura.

A única possibilidade de sobrevivência de uma zona de criação é desinformar a forma antes dela ser esvaziada, para que ela não se separe, não se distinga da intensidade da qual participa. Ou antes, percebe-la como intensidade. Não separar mais a forma do seu conteúdo, o corpo do seu espírito, o acontecimento do seu devir, o desejo do seu sujeito, Deus da existência.

E o que o artista de hoje não sabe é justamente ver a forma de forma indistinta da intensidade, já que ele se tornou, justamente, o criador de formas. O reprodutor de ideais, quando não das convenções e dos hábitos, reprodutor dos ideais esvaziados de existência, carregados de verdades, mais socialistas, mas ainda verdades.

Nem a performance, o eventual, mantém sua eventualidade porque o próprio artista já é o passado do que deveria ser. Por mais que ele acredite estar criando no momento presente, e está, ele cria a partir das suas marcas, das marcas e ressentimentos coletivos. É um reprodutor, muito longe de ser um criador.

Nem o teatro, a arte do presente por excelência, da efemeridade, encontrou sua desterritorialização, trancado nas salas de espetáculo, amarrado aos textos, às convenções do existir de pessoas impotentes.

E mesmo se toma as ruas, se se entrega aos improvisos, se tenta imaginar novas existências, perde o único instrumento de que se valeria para ser teatro: o acontecimento. E por acontecimento não podemos nos iludir em encontros e diálogos vestidos pela hipocrisia da qual sequer conseguimos nos despir.

Carregada de sentido, significados e intencionalidade a arte se afoga em seus lamentos, evapora no fogo de suas reatividades e se perpetua, inevitavelmente, impotente.

Não à toa ainda se vê arte justamente nos pontos mais distantes das galerias, das academias, das livrarias, das cidadanias...

A lógica é simples: não tem como a arte ser viva onde a natureza está morta.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Hermeto Pascoal e os direitos autorais


 do topo dos seus 76 anos, que completa hoje,
o mestre duende Hermeto faz a liberação total
do direitos autorais sobre suas músicas.

um exemplo de sabedoria, humildade e desapego.
e veja a pureza com que oficializa tal ato.





Pina Baush


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Contra as leis de incentivo à cultura de Zé Rodrix

Há quem tenha se espantado com minha posição contraria às leis de incentivo, Rouanet, etc..., me pedindo explciações de forma muito intensa. Explico, mas devo começar dizendo que a minha atitude anti-Lei Rouanet é uma atitude pessoal, fundamentada na Ética mais comezinha, que tem me guiado na maior parte da minha vida adulta, e sem nenhuma ligação com qualquer movimento partidário, ideológico, político ou mesmo cansado. Também nunca fiz uso de nenhum privilégio, lei ou verba pública, por ser um crente absoluto que a minha arte é problema meu e, se eu não estiver disposto a empenhar a minha própria alma na sua realização, ninguém poderá fazê-lo por mim. Da mesma forma, não pretendo em hipótese nenhuma fazer uso de dinheiro público no financiamento daquilo que é minha responsabilidade pessoal.

Durante toda a minha vida acreditei, como acredito até hoje, que o dinheiro de TODOS não pode e não deve ser usado no financiamento da aventura pessoal de alguns, a não ser que o resultado do uso deste dinheiro seja devolvido gratuitamente para o proprietário do dinheiro, o povo, na sua totalidade. A crueldade política que leva o Estado brasileiro a repassar para o mercado a responsabilidade sobre o uso dos impostos é extremamente daninha, a meu ver, e o próprio mercado tem-se visto em palpos de aranha para não apenas realizar mas também justificar o seu papel de substituto do Estado, este Leviatã que apenas chancela as escolhas que o mercado fizer sobre o uso do dinheiro público, dando seu aval para a renúncia fiscal que está no fundo de tudo isso.

A renúncia fiscal começou na Inglaterra vitoriana, quando o Imposto de Renda começou a ser cobrado dos mais ricos, e estes, insatisfeitos com isto, propuseram que o dinheiro que deviam fosse usado no erguimento de necessidades culturais para o povo inglês. O governo, ele mesmo formado por muitos desses abonados, encampou a proposta, e o dinheiro dos impostos, através da renúncia fiscal que o governo aceitou, começou a ser usado para erguer monumentos e financiar eventos culturais. O mais estranho é que estes monumentos culturais só serviam aos donos do dinheiro, isto é, aos mais abonados, para quem o dinheiro dos impostos passou a erguer museus, teatros, universidades, sem que o povo, depositário legal do dinheiro devido, tivesse nisto qualquer vantagem. Esta crueldade fiscal se espalhou pelo mundo, por interessar profundamente às classes dominantes, e no Brasil, a partir dos contubérnios inexplicáveis entre Estado e artistas iniciados durante a DItadura Militar, foi-se criando entre nós a crença inabalável de que o dever do Estado é sustentar a Cultura. Sendo isto verdade, pergunto se a Cultura tem mesmo sido sustentada, ou o que o Estado sustenta são manifestações artísticas que, como bem o diz Luis Carlos Barreto, "são formas artísticas e comerciais de usar aspectos da cultura nacional, coisa bem diferente da Cultura".

Baseando-se nisso, hoje tudo corre o risco de ser sustentado pelas verbas públicas, bastando para isso pespegar-se-lhe o carimbo de "Manifestação Cultural" e correr atrás de um patrocínio. Não tem havido muito cultura nestas realizações, mas sim uma maior ou menor qualidade artística, que pode ou não dar lucro, na exata medida do interesse que desperte em seu público. A distorção que nos leva a chamar de Cultura qualquer ação artística, tenha ela ou não fundamento e/ou valor cultural, é o que sustenta este financiamento ( a meu ver ) desonesto a que alguns têm acesso, em detrimento de todos, até porque raréssmos são os que conseguem ter acesso às verbas ou ao resultado de sua aplicação.

O sistema de renúncia fiscal que está por trás das Leis de Incentivo Cultural, portanto, é incorreto em vários sentidos, não apenas no privilégio que cria, dividindo os brasileiros entre merecedores e não-merecedores de financiamento público, mas também na forma como inverte os papéis do Estado e do mercado, transformando o mercado em distribuidor de dinheiro público e o Estado em financiador de empreendimentos particulares. Houvesse seriedade de propósitos, cada parte estaria fazendo seu verdadeiro papel, e não se substituindo no processo, gerando incompetência, privilégio, mal-estar e perpetuação de uma classe específica no acesso ao dinheiro público.

Na verdade, todos se privilegiam deste projeto: os artistas, que conseguem financiamento sem custo para suas obras, realizando-as sem que tenham necessidade do aval do público, já que nascem completamente pagos e ainda podem, graças às bilheterias, maximizar seu lucro pessoal a partir do dinheiro público que lhes foi doado: o mercado, que em vez de investir dinheiro verdadeiro, se privilegia do imposto que deveria pagar, direcionando-o às obras artísticas que melhor retorno mercadológico lhe derem e usando-o como se fosse investimento em si mesmo: e o Estado, que se faz de mecenas para os que lhe interessam pelos mais diversos motivos, usando para isso o dinheiro público, sem determinar com clareza quem é o dono das verbas investidas, mas permitindo que os que chancela a partir da escolha do mercado se tornem depositários do direito de ganhar sem investir.

Hoje em dia os produtores"culturais" não são verdadeiramente pessoas ou empresas que invistam de si ou do seu na realização de obras artísticas, mas sim aqueles que, conhecendo os meandros das leis de incentivo e sabendo de onde tirar dinheiro e a quem oferecer seus produtos, têm acesso a este tipo de dinheiro público como forma de iniciar uma atividade sem custo, tornando-se daí em diante os donos dos lucros que este investimento lhes der. O mais interessante é que todas as partes do processo, Estado, mercado e artistas, fazem questão de nos informar o quanto conseguiram e de que maneira este dinheiro está sendo gasto, MAS NUNCA NOS INFORMAM O QUANTO LUCRARAM COM ELE. Da mesma forma, mesmo tendo lucrado o suficiente para justificar uma nova produção, desta vez com seu próprio dinheiro, acostumam-se ao jogo e em breve novamente recorrem ao dinheiro de renúncia fiscal para um novo "investimento" sem ônus, lucrando ainda mais com ele. Ou seja: socialismo de Estado na hora do investimento, capitalismo selvagem na hora do lucro.
Ou isto se torna passível de ser praticado por TODOS, que são os donos do dinheiro publico, ou permaneceremos perpetuando este privilégio sem qualquer sentido ético: quando determinamos fontes de dinheiro exclusivas para investimento nestes produtos ditos "culturais", também estamos determinando um grupo específico de agentes que farão uso dele, exatamente aqueles que, graças a seus nomes e talentos, darão ao mercado o melhor retorno possível. Ora, havendo possibilidade de retorno por parte destes nomes e talentos, deve existir público suficiente para, por sua própria vontade, sustentar-lhes as ações e artes: se não existe este publico, seus nomes e talentos decerto não são suficientes para merecer os financiamentos a que tem feito jus, privilegiando-se do acesso ao dinheiro público mas nunca revelando o quanto ele rende quando se torna privado.

Um contra-senso, um paradoxo, um Catch 22. Os que defendem a continuidade desta política de investimento público para gerar lucro privado, sempre serão os que, graças a seu nome e talento, ocupam hoje a posição de determinadores de objetivo, ou seja, tornaram-se aqueles que dizem para quem o dinheiro deve ser dado. Interessante posição, mas a meu ver indigna, porque serve apenas para perpetuar o uso incorreto do dinheiro público, tornando-se plataforma de poder pessoal na distribuição das verbas e na definição do que seja ou não "cultura". Em países mais civilizados o subsídio a estas formas de arte sempre inclui sua distribuição gratuita para o público, porque no investimento existe a exigência de devolução do que é publico a seu verdadeiro dono: ninguém cobra entrada em espetáculos publicamente patrocinados. Aqui, tudo se cobra, e nada se devolve.
Esta, a meu ver, seria a única justificativa para o investimento de renúncia fiscal nas artes: que seus resultados fossem devolvidos ao público ( seu financiador ) de forma gratuita, ampliando o acesso a elas em vez de privilegiar este acesso apenas aos que, estando em classes melhor aquinhoadas financeiramente, possam pagar novamente por um produto artístico que já financiaram com o dinheiro de seus impostos. O público que não dispõe de dinheiro para pagar a entrada, e que é a grande maioria, já pagou antecipadamente, através de seu imposto, mas nunca terá acesso aos produtos que seu dinheiro financiou. Crueldade fiscal e ( aí sim) cultural, porque quem verdadeiramente necessita e merece arte é exatamente quem não tem acesso a ela, e o dinheiro público, por definição, deve ser usado primordialmente na satisfação desta necessidade absoluta.

Paulo Autran sempre dizia ter saudade do tempo em que o investimento numa produção teatral era feito a partir de dinheiro real levantado em um banco, como empréstimo, e pago com os frutos da bilheteria, da qual todos dependiam. Hoje em dia, graças a Leis de Incentivo, o resultado de qualquer produção não tem mais importância: na maior parte das vezes, o lucro dos "produtores" já está garantido pelo investimento público, e o resultado da bilheteria, se houver, só serve como "plus', nunca sendo usado nem no ressarcimento público ao verdadeiro dono do dinheiro, nem no reinvestimento na própria obra. 

Explicar o uso de leis de incentivo pela necessidade, sinto muito, não me convence: quem quer abrir um circo precisa pelo menos comprar a lona. Se não tiver lona, não tem circo. Da mesma forma a arte brasileira; se não existe por parte dos artistas a capacidade de realizar suas obras, que não as realizem. Assim é a vida, e cada um deve se responsabilizar pela sua própria, sem impor esta responsabilidade sobre nada nem ninguém. Hoje em dia, não satisfeitos com a compra da lona, já pedem que o governo compre as entradas, para que não apenas o investimento mas até o lucro de bilheteria seja certo e seguro, como se o risco da arte não fosse mais um ingrediente essencial para a sua existência. A desculpa? " Precisamos criar mercado e público...". Não vão consegui-lo assim: só terão cada vez mais obras sem interesse público sendo pagas com dinheiro estatal, todos felizes, mas sem nenhum resquício de arte.

Como em qualquer país civilizado, existem a arte subsidiada, com objetivos culturais específicos, e a arte privada, nascida de investimentos privados e com o objetivo claro do lucro honesto que conseguir ter: no Brasil, graças a esta prática da confusão entre mercado e Estado, e ao privilégio dos que nela se perpetuam, as duas se confundem, havendo cada vez menos investimento real em arte, já que todos preferem ganhar sem investir. Ah! se os que hoje distribuem dinheiro público através de suas empresas soubessem do lucro possível que uma produção artística pode gerar! É certamente um mercado tão arriscado quanto a Bolsa de Valores, mas quando rende, rende muito mais que esta, sendo este lucro o único motivo possível para que tantos profisisonais da área nela permaneçam, mesmo repetindo o tempo todo que seu oficio é mau em termos de retorno financeiro.

O Brasil tornou-se, nos últimos anos, uma meca para investidores artísticos dos mais diversos tipos, que reconhecem em nosso público um mercado de imenso potencial para seus produtos, e tanto que a cada dia mais e mais empresas estrangeiras se fixam em nosso país para investir e ganhar dinheiro com suas produções artísticas em todos os níveis, sem precisar se privilegiar de incentivos culturais nem renúncias fiscais, reconhecendo o potencial comercial da arte em nosso país. Porque isso é impossível para investidores nacionais? Simplesmente porque estes investidores não tomam conhecimento das possibilidades de lucro que um investimento em produtos artísticos pode dar, que costuma ser tão bom ou melhor que o investimento em produtos industriais ou no mercado de capitais. Se soubessem, haveria, como em qualquer parte do mundo, inúmeros investidores dispostos a colocar dinheiro REAL em produtos artísticos e até mesmo culturais, correndo com eles o mesmíssimo risco que correm com seus outros investimentos.

O equívoco, se houver, começa por nós, a classe artística, permanentemente dispostos a nos vender como mendigos inconscientes e irresponsáveis, exigindo de quem tem a esmola que nos sustentaria em indignidade e privilégio, arrastando pelo mundo nossas patéticas figuras de pobrezinhos, pedindo a qualquer momento "me dá um dinheiro aí". A meu ver, como tenho praticado durante toda a minha vida artística, nada melhor que um sócio financeiro que acredite em nosso projeto e o sonhe conosco, participando dele em todos os sentidos, tornando-se responsável não apenas pelos resultados mas também pela sua continuidade. 

O que o Brasil precisa hoje, nas artes e na cultura, é de investidores conscientes, para gerar público consciente, o que gerará uma arte cada vez mais consciente por parte dos artistas. Não existe nada melhor que a realidade dos fatos para gerar consciência e responsabilidade, e um mercado artístico verdadeiramente existente liberaria o dinheiro público para ser aplicado em áreas de importância cada vez maior: Educação, Saúde, Infra-estrutura, etc.. 

O que advogo é uma responsabilidade pessoal e de classe cada vez maiores: se não formos competentes o suficiente para sustentar nosso ofício de artistas, aglutinando em torno dele não apenas investidores que acreditem na sua realização mas também público que o sustente, nosso oficio nada vale, e seremos os eternos mendigos da Cultura, como temos sido, pedindo uma verbinha aqui, um patrociniozinho ali, um subsidiozinho acolá, exibindo nossa incompetência empresarial, esta que certamente prejudica em muito a nossa excelência artística, e sendo cada vez menos livres, porque as leis que estabelecem o uso de dinheiro público para a realização de obras artísticas acabam privilegiando apenas os interesses do Estado e do mercado, e nunca os verdadeiros interesses da arte e dos artistas.

Toda consciência significa liberdade, e a minha em nenhum momento, neste caso específico, tem o poder de mudar o sistema pelo qual os artistas tem conseguido suas verbas: eu inclusive, com minha recusa de participar simplifico-lhes a vida, porque sou menos um a tentar pegar a graninha da renúncia fiscal como investimento inicial em minha própria aventura. Da minha parte estarei sempre em busca de investidores reais e tão conscientes quanto eu, a partir dos quais se possa criar um verdadeiro mercado artístico nacional, como já houve, servindo ao público, como já servimos, e finalmente acrescentando à Cultura ( agora, sim!) a nossa contribuição claramente reconhecida e honestamente gerada, sem privilégios de classe nem uso indevido de dinheiro público.

Zé Rodrix


(texto escrito em 2007, autor falecido em 2009)










e nada mais.



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Grupo Corpo

PARABELO - 1997 





Coreografia: Rodrigo Pederneiras
Música: Tom Zé e Zé Miguel Wisnik 
Cenografia: Fernando Velloso e Paulo Pederneiras
Figurino: Freusa Zechmeister
Iluminação: Paulo Pederneiras




NAZARETH 1993



Coreografia: Rodrigo Pederneiras
Música: José Miguel Wisnik (sobre obra de Ernesto Nazareth)
Cenografia: Fernando Velloso
Figurinos: Freusa Zechmeister
Iluminação: Paulo Pederneiras



segunda-feira, 7 de maio de 2012

A arte de religar

Por que não taxam a religião e taxam a arte? Contrassenso. 


A religião é um mega comércio, mega negócio e não paga taxa nenhuma. Se pagasse sobre o que ganha os cofres públicos iam explodir de dinheiro. 


Já a arte, que é taxada, não seria comércio se não fosse forçada a isso. Quem escolhe a profissão de artista não está pensando em ficar rico. Eu disse ARTISTA, não celebridade. Em geral são pessoas que sentem uma VOCAÇÃO, um chamado e tem que abrir mão da vida material, ou lutar muito para sobreviver com a opção.


Já o pastor não (e aqui me refiro a vários tipos de sacerdócio religioso). Ele escolhe a profissão pra ficar rico, a vocação acontece numa proporção ínfima entre os que assumem o sacerdócio. O cara é treinado para que seu discurso gere adeptos, enquanto o artista faz a obra sem pensar em conquistar ninguém.


Tá tudo invertido nesse mundo.


Sou a favor de taxar as religiões e com o dinheiro arrecadado aplicar no incentivo às artes que são bem mais RELIGADORAS. 


Esperta doi a Baby Consuelo do Brasil que juntou a fome com a vontade de comer: abriu uma igreja pra ter público sempre nos seus shows!!! Amém







domingo, 6 de maio de 2012

Charles Chaplin, um visionário.




Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.


Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.


Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.


Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.


Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.


Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Tudo isso é... Saber viver!!!

Charles Chaplin






quarta-feira, 2 de maio de 2012

Quanto vale o silêncio de um artista? Fraude na Virada Cultural


Algumas denúncias estão pipocando na internet acusando um esquema corrupto na criação e execução da VIRADA CULTURAL.

A "menina dos olhos" da cultura paulistana, da qual a politicagem adora se vangloriar, não passa de uma furada total??? Roubada, é o termo mais adequado. É o que dizem as acusações. Mas como quem acusa é "anônimo", muita água vai rolar até algum de nós poder ficar aqui botando dedos no nariz dos outros.

Por enquanto EU só posso especular..... e não é uma especulação difícil. Se tem gente que consegue dormir depois de roubar dinheiro direcionado pra saúde e sobrevivência de outros tantos; se tem gente que consegue dormir depois de desviar dinheiro voltado para a alimentação de milhares de crianças carentes nas creches, e tantas outras milhares de corrupções que estamos acostumados (forçosamente) a descobrir, como é que não ia ter canalhice na CULTURA???? Cultura, essa inutilidade completa, esse artigo de elite, de quinta necessidade. Facílimo de engambelar. Se pra ser artista nem precisa de atestado, vira artista quem quiser, imagina se pra fazer evento cultural ia precisar de honestidade.

Evento cultural é a coisa mais fácil de fazer: pega uma meia dúzia de artista famoso que é pra ficar com cara de cultura, tipo 1/3 do evento; depois junta um monte de "animador cultural" (categoria substitutiva do artista para eventos culturais), ou gente que até tem currículo, mas tá passando muita necessidade pela falta de emprego, e completa os outros 2/3.

Na hora de calcular tudo, todo mundo hiper-inflaciona os preços, pois afinal quem vai pagar é o governo "bandido" mesmo. Esquece que o "governo" não tem dinheiro, quem paga é o público, nós. E aí uns desviam de cá, outros recebem de lá, notas falsas pra todo lado, e o evento tá montado.

O artista, ou o animador cultural, é que fica na saia justa: sabe que é uma roubada geral, mas ele espera o ano todo pra entrar nessa mamata e ganhar seu cachê, muito honesto por sinal. E só entra quem já ta na panelinha, e não quer sair claro.

E o público também, fica ultra feliz com 24 horas de cultura de graça. Bom, eu poderia discutir 24 horas sobre o que é CULTURA e se essa Roubada, digo, Virada Cultural tem alguma relação com o conceito.Mas é com certeza um grande evento de "culturalidades", e entretenimento, o que acho ótimo, pra quem gosta.

Só que com todas essas denúncias quero ver como os artistas vão se posicionar. Claro que sabemos que todo mundo vai se fingir de morto. Mas talvez alguém, algum artista do "estilo" antigo, daqueles que se consideravam antenas do sistema, sensibilidade da sociedade, talvez alguma raridade dessas, que não tenha ficado preguiçosa, se recuse a participar do evento e se posicione. Seria fundamental que os contratados se opusessem ao evento, sem falar, obviamente, que o público se ausentasse. Mas só com o manifesto dos contratados teríamos algum resultado pois o evento não aconteceria e os ladrões ficariam com as calças nas mãos.

Bom, sonhar ainda é de graça. Por agora deixo aqui o link da denúncia.



Divirta-se:  Esquema Fraudulento







quinta-feira, 19 de abril de 2012

o HUMOR brasileiro ao invés de refletir SOBRE a sociedade virou espelho dela


Se tem uma coisa que tá ficando insuportável na comunicação brasileira é o humorismo.

Uma nova geração de humoristas, engravatados, sem talento, descobriu uma fórmula pra “funcionar” através de um humor totalmente sustentado em preconceitos de todos os tipos. Além do desserviço social estão transformando a profissão de humorista em acúmulos de destrutividade, ao invés do papel sociológico que a comédia sempre abrigou de reflexão inteligente e irônica da sociedade/realidade. Quando não exploram largamente a imagem da mulher gostosa e burra ou do anão que paga mico, baseiam suas piadas sobre o racismo, a homofobia, o preconceito lingüístico e o social, ao invés do contrário que é criticar o comportamento separatista. Utilizam inclusive pessoas que em troca da fama se dispõem a servir como modelos desses esteriotipos.

Quando apontados, na sua arrogância se defendem reclamando do patrulhamento conservador e do comportamento politicamente correto. Colocam em questão a “liberdade de expressão” do artista e o fim da censura para o comediante. Liberdade se distingue de falta de respeito e limite, que não tem nada a ver com conservadorismo, tem? Por que essa cultura de rir denegrindo o outro? Compreenderam muito mal a função da crítica que faz piada denegrindo sim o comportamento humano porém na sua arrogância, incompetência, irresponsabilidade social, etc.

Com total incapacidade de fazer humor sobre a fragilidade humana como um mestre Chaplin, simples e profundo, trocam a inocência pela burrice, a poesia pelo escracho, a dificuldade pela humilhação. E desses programas infelizes, mais deprimentes do que engraçados (apesar da audiência), pipocaram esses Danilos Gentilis e Rafinhas Bastos, Calabresas da vida que na sua fórmula pobre e eficaz de sucesso, disfarçados de inteligentes e rebeldes, são totalmente preconceituosos e irresponsáveis, além de desprovidos de talento artístico.  Embora eu cite os nomes não tenho paciência para citar os casos de tão patético que seria explicar para comunicadores uma coerência de discurso, que eles parecem desconhecer ,como seu público que postou aos montes na internet a resposta que o Gentili deu para sua piada infame racista; resposta essa que seu público classificou como genial sendo que a linha de raciocínio só reafirma seu racismo quando tenta eliminá-lo. Além do desserviço social um desserviço lógico.

Apesar da incompetência artística fazem sucesso pelo caminho inverso da função do comediante, reafirmando para sociedade seus (os dela) preconceitos; seu público ri e lhes dá ibope porque suas piadas conservadoramente preconceituosas refletem a mentalidade social vigente. Quando são pegos nesse discurso confuso e contraditório, criam justificativas ainda mais infundadas dos seus julgamentos.

Usam artifícios básicos para construir uma falsa imagem de críticos sociais, fazendo piadas infantis de políticos, por exemplo, sem colaborar em nada com uma reflexão sustentável da realidade.


Democracia se faz com responsabilidade.

Mas sucesso se consegue manipulando discurso!!!


domingo, 8 de abril de 2012

A Grande Muralha da Vagina



O polêmico artista Jamie McCartney nos apresenta 400 moldes de genitálias femininas dispostas em dez painés que totalizam nove metros de comprimento. O trabalho não é apenas uma curiosidade provocadora e controversa, mas um chamado para importantes questões socioculturais envolvendo o corpo feminino.

Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2012/04/a_grande_muralha_da_vagina.html#ixzz1rVSdOIqB