É o pior Congresso nacional de todos os tempos! O mais fascista! Essas frases pipocam na rede. Mas, qual é o real problema? Será que todo mundo sabe a extensão do poder legislativo? Acho que não. Nossa vontade de paternalismo acha que o presidente da república é nosso salvador (e destruidor). Para um projeto de lei ser aprovado pelos deputados precisa de maioria. Depois precisa de outra maioria entre senadores. Beleza, digamos que algum projeto-desgraça, tipo redução da maioridade penal, passe por todo o legislativo. Aí a gente fica publicando #vetadilma, na maior esperança que tudo acabe bem. Supunhetemos que o executivo vete o projeto. Esse veto volta para Camara para ser votado. Sim, o voto do presidente é votado na Camara. Se perder, a lei é promulgada. Aí a gente pensa: mas, se ja teve maioria no Congresso pra propor o projeto, obviamente o Congresso vai repetir seu voto e derrubar o veto presidencial. Então, a gente descobre que "politica" não é lógica e muito menos bom senso. É aí que entram termos como mensalão, governabilidade, oferecimento de cargos (rabos), muuuuuito dinheiro e coisas afins. O projeto em si (qualquer projeto), que tem graves consequencias na sociedade, é apenas uma oportunidade para exercer essa "politica". Parece até que os legisladores inventam projetos bem cabeludos para essa máquina de fabricar moedas funcionar. Quanto mais o projeto for contrário ao governo, mais acordos vão rolar, mais promessas serão feitas, mais dinheiro vai circular, para efetivar ou não a proposta. "Bancadas evangélicas" por exemplo, são máquinas de fazer dinheiro através de projetos de moralidade radical!!!!!! Nosso conceito de "política" tem sido esse. Uma espécie de arranjo criado pós ditadura para manter privilégios. Quando a oposição chegou ao poder esse jogo se formalizou definitivamente, a polarização instituiu o processo, pois ou a esquerda fugia aos princípios democráticos ou........ Ou? Essa é a resposta que não conseguimos dar ainda. Uns dizem que não deveria ter entrado na dança; outros acham que é tudo farinha do mesmo saco; há quem pense que o poder corrompe; e, ainda, alguns defendem que viver é aprender a jogar. O que eu acho realmente importante, sempre, é a gente perceber que essa "política" não está lá no parlamento, e nós aqui alheios a essa conduta. Não. Barganhamos conquistas com nossos filhos, pagamos, penalizamos, com nossos parceiros afetivos, colegas de trabalho, funcionarios e inimigos..... Onde houver uma relação de poder surgirá essa dificuldade de estabelecer igualdade de forças em prol de um bem comum. Ficamos fascinados pela disputa pois temos necessidade de discórdia, impotentes que somos, e não de resolver as questões objetivamente. Afinal, o que importa é competir na meritocracia. Aprendendo a olhar para nosso microcosmo politico podemos atuar de outra forma na politica social. Óbvio que esse Congresso é o pior da história já que reflete o momento mais passivo que a sociedade já viveu. Dizemos amém pra tudo (bebemos refrigerante cancerigeno e comenos comida transgênica!!!), sim, nosso congresso nos representa. Aumentamos nossa consciência mas diminuimos nossa intervenção. Por que? Porque precisamos reinventar nossa participação. Voto e passeata não dão mais conta. Não funcionam. Precisamos descobrir ONDE está o NOSSO poder. Esse papo de que o poder está no voto é conversa manipulada. O voto é consequencia da ação e não a ação. Passeata até coxinha faz. Não. Temos um outro poder, claro e óbvio, mas que só não vemos porque ainda pensamos como oprimidos, como gado. E para enxergar, ou criar, as soluções precisamos parar de pensar/sentir/agir como gado falante proto-pensante. Desconstruir nosso papel de oprimido no âmbito coletivo, mas também de opressor no âmbito individual. Uma coisa depende da outra, porque uma coisa sustenta a outra. Quanto mais oprimida é sua potência pelo social, mais opressor vc se torna no individual (seja com os outros seja consigo que é um outro de si). Precisamos sair dessa visão de mundo, e não achar outras formas de atuar nela!! É diferente. Resumindo, colega, tem um Eduardo Cunha reinando dentro de vc!!! Mata, por favor?!?!
quinta-feira, 18 de junho de 2015
quarta-feira, 10 de junho de 2015
UMOJA, uma comunidade sem homens.
Então, há mais de 20 anos, um grupo de mulheres no Quênia, cansou de ser estuprada, espancada, mutilada e submetida às normas patriarcais da sua comunidade. Fugiram, lideradas por Rebecca Lolosoli, uma das tantas mulheres mal tratadas. Fixaram-se num pedaço de terra desprezado pelas péssimas condições de sobrevivência e sobreviveram.
Criaram Umoja, uma comunidade onde homens são proibidos, a não ser os nascidos ali, e que respeitem as regras da comunidade. Sem hierarquias, apenas sob a liderança de Rebecca, construíram suas casas e um centro cultural onde vendem seu artesanato para sobreviver. Conseguiram replantar naquela terra e enviar seus filhos para escola, o que não era possivel na comunidade de origem.
Hoje lutam por direitos civis e tornaram-se referência para muitas outras mulheres da região e pelo mundo. Publico dois pequenos artigos e um belo video delas cantando. O possível nascendo do impossível.
video
Artigo na Revista Galileu
Artigo de Walter Passos
Criaram Umoja, uma comunidade onde homens são proibidos, a não ser os nascidos ali, e que respeitem as regras da comunidade. Sem hierarquias, apenas sob a liderança de Rebecca, construíram suas casas e um centro cultural onde vendem seu artesanato para sobreviver. Conseguiram replantar naquela terra e enviar seus filhos para escola, o que não era possivel na comunidade de origem.
Hoje lutam por direitos civis e tornaram-se referência para muitas outras mulheres da região e pelo mundo. Publico dois pequenos artigos e um belo video delas cantando. O possível nascendo do impossível.
video
Artigo na Revista Galileu
Artigo de Walter Passos
Dilma lava as mãos mais uma vez
A sra presidenta do Brasil vai acabar com uma doença de pele nas mãos se continuar nessa lavagem constante. Todo mundo sabe que excesso de limpeza tem consequências. Se não botar a mão na lama deixa de ser humano.
E é de humanidade que precisamos falar: mortes humanas. O problema das mortes de mulheres em decorrência de abortos não é um tema de ordem religiosa, não é de ordem criminal, não é um tema de ordem política (pelo menos não deveria ser); é um tema de saúde pública.
Todos sabemos que a maioria da população é contrária a legalização do aborto, porque a maioria da população não diferencia suas crenças religiosas dos interesses civis. Apesar de pretendermos um Estado democrático, onde a opinião da maioria deva ser atendida, estamos ainda no começo da transição entre uma robotização da ditadura e uma democracia de fato, de livre pensar.
O papel do Estado, nesse momento de transição, é mais difícil, delicado e necessário do que em qualquer outra fase. Para atingir a democracia de fato é fundamental dar vozes a todos os seguimentos da sociedade, dar direitos civis, dar condições de saúde, alimentação e educação. Antes disso, toda administração pública fica comprometida.
Filhos da ditadura que somos, a maioria de nós não quer dar vozes a todos os seguimentos da sociedade. Fazemos o que então? Esclarecemos a todos da importância da igualdade de direitos e, no próximo milênio, quando a maioria das mentalidades concordarem, daremos direitos às minorias excluídas? Até lá, continuamos a ver negros, homossexuais, trans e travestis, mulheres, pobres, umbandistas, etc, etc,etc, serem mortos, violentados, desrespeitados, submetidos ao poder normativo estabelecido???
Qual é o papel do Estado nesse momento?
Seria ótima essa discussão de qual é o papel do Estado nesse momento, mas, nesse momento, não estamos nem discutindo o papel do Estado, porque nosso Estado está por demais comprometido para ser um Estado.
Não sou a favor da nenhum tipo de centralização do poder pelo Estado, longe disso. Mas, há uma diferença entre ser um Estado centralizador e ser um Estado executivo. Quero dizer com isso que o Estado executivo não impõe leis ou normas a partir do seu próprio interesse, ou do grupo que o sustenta (como é na ditadura e como temos visto, inclusive). O que estou chamando de Estado executivo é um Estado de princípio democrático. Porém, confunde-se democracia com opinião da maioria. Democracia não é a opinião da maioria. Democracia é a igualdade de direitos, mesmo quando isso significa a opinião de uma minoria. A sra. presidenta sabe disso. A opinião da maioria só é interessante nos objetivos político-eleitoreiros, mesmo quando estes são contrários à democracia.
Uma lógica simples, e de tão simples, revela que a posição assumida por Dilma na seguinte entrevista:
Para Dilma, Estado não deve entrar na questão do aborto.
é um posicionamento bastante demonstrativo da sua total submissão às forças político-econômicas que estão atuando dentro e fora do Congresso. É em calcanhares de aquiles como a defesa da causa indígena ou a defesa do aborto livre que finalmente concluímos que o Governo de Dilma não é um governo que prima pela democracia. Está submetido à ditadura do capital.
Poderíamos argumentar que a tal governabilidade que caracteriza essa ginga sem fim da presidenta, é uma estratégia para atingir sim, um Estado democrático, porém dentro de condições mais propícias que as do momento. Ou seja, ela vai jogando de todos os lados para permanecer no poder e, aos poucos, conseguir estabelecer as mudanças necessárias. Temos que convir que o jogo não está nada fácil: o cenário político brasileiro é caótico, risível, ignorante e politicamente infantil. Temos hoje em cargos representativos anomalias humanas que não serviriam nem pra síndico. Nesse sentido, valorizo muitas conquistas do PT no governo esses anos todos.
Só que a Dilma está nessa fogueira porque está priorizando os grupos que vão derrubá-la. E enquanto tenta se manter no poder, outros poderes estão se consolidando e direcionando as decisões do país.
Que o jogo político é complexo ninguém tem dúvida. Minha dúvida é se as mortes de hoje valem à pena por supostas conquistas no futuro.
Na minha opinião, não. Na minha opinião, o futuro só existe enquanto suposição. Na minha opinião, a defesa de direitos é urgente e prioritária. Na minha opinião, a sra presidenta está sendo omissa e covarde; uma mulher sem peito e sem convicção.
Ou, talvez, eu esteja enganada e a convicção da sra presidenta seja exatamente essa que ela expressa na sua omissão.
De uma coisa eu não tenho dúvida: isentar o Estado dessa decisão quanto a legalização do aborto e jogar o abacaxi para as mãos desse Congresso conservador, que tende a extremar uma posição contrária, vai colocar nossa presidenta contra a parede. Então, no paredão, ou ela erguerá os braços pedindo clemência e baixando a cabeça ao poder vigente, ou ela romperá os botões da sua camisa de força, expondo seu coração valente, enfrentando uma bala contra o peito.
Hahahahahahaha, pena que o tempo do romantismo acabou faz tempo!!
E é de humanidade que precisamos falar: mortes humanas. O problema das mortes de mulheres em decorrência de abortos não é um tema de ordem religiosa, não é de ordem criminal, não é um tema de ordem política (pelo menos não deveria ser); é um tema de saúde pública.
Todos sabemos que a maioria da população é contrária a legalização do aborto, porque a maioria da população não diferencia suas crenças religiosas dos interesses civis. Apesar de pretendermos um Estado democrático, onde a opinião da maioria deva ser atendida, estamos ainda no começo da transição entre uma robotização da ditadura e uma democracia de fato, de livre pensar.
O papel do Estado, nesse momento de transição, é mais difícil, delicado e necessário do que em qualquer outra fase. Para atingir a democracia de fato é fundamental dar vozes a todos os seguimentos da sociedade, dar direitos civis, dar condições de saúde, alimentação e educação. Antes disso, toda administração pública fica comprometida.
Filhos da ditadura que somos, a maioria de nós não quer dar vozes a todos os seguimentos da sociedade. Fazemos o que então? Esclarecemos a todos da importância da igualdade de direitos e, no próximo milênio, quando a maioria das mentalidades concordarem, daremos direitos às minorias excluídas? Até lá, continuamos a ver negros, homossexuais, trans e travestis, mulheres, pobres, umbandistas, etc, etc,etc, serem mortos, violentados, desrespeitados, submetidos ao poder normativo estabelecido???
Qual é o papel do Estado nesse momento?
Seria ótima essa discussão de qual é o papel do Estado nesse momento, mas, nesse momento, não estamos nem discutindo o papel do Estado, porque nosso Estado está por demais comprometido para ser um Estado.
Não sou a favor da nenhum tipo de centralização do poder pelo Estado, longe disso. Mas, há uma diferença entre ser um Estado centralizador e ser um Estado executivo. Quero dizer com isso que o Estado executivo não impõe leis ou normas a partir do seu próprio interesse, ou do grupo que o sustenta (como é na ditadura e como temos visto, inclusive). O que estou chamando de Estado executivo é um Estado de princípio democrático. Porém, confunde-se democracia com opinião da maioria. Democracia não é a opinião da maioria. Democracia é a igualdade de direitos, mesmo quando isso significa a opinião de uma minoria. A sra. presidenta sabe disso. A opinião da maioria só é interessante nos objetivos político-eleitoreiros, mesmo quando estes são contrários à democracia.
Uma lógica simples, e de tão simples, revela que a posição assumida por Dilma na seguinte entrevista:
Para Dilma, Estado não deve entrar na questão do aborto.
é um posicionamento bastante demonstrativo da sua total submissão às forças político-econômicas que estão atuando dentro e fora do Congresso. É em calcanhares de aquiles como a defesa da causa indígena ou a defesa do aborto livre que finalmente concluímos que o Governo de Dilma não é um governo que prima pela democracia. Está submetido à ditadura do capital.
Poderíamos argumentar que a tal governabilidade que caracteriza essa ginga sem fim da presidenta, é uma estratégia para atingir sim, um Estado democrático, porém dentro de condições mais propícias que as do momento. Ou seja, ela vai jogando de todos os lados para permanecer no poder e, aos poucos, conseguir estabelecer as mudanças necessárias. Temos que convir que o jogo não está nada fácil: o cenário político brasileiro é caótico, risível, ignorante e politicamente infantil. Temos hoje em cargos representativos anomalias humanas que não serviriam nem pra síndico. Nesse sentido, valorizo muitas conquistas do PT no governo esses anos todos.
Só que a Dilma está nessa fogueira porque está priorizando os grupos que vão derrubá-la. E enquanto tenta se manter no poder, outros poderes estão se consolidando e direcionando as decisões do país.
Que o jogo político é complexo ninguém tem dúvida. Minha dúvida é se as mortes de hoje valem à pena por supostas conquistas no futuro.
Na minha opinião, não. Na minha opinião, o futuro só existe enquanto suposição. Na minha opinião, a defesa de direitos é urgente e prioritária. Na minha opinião, a sra presidenta está sendo omissa e covarde; uma mulher sem peito e sem convicção.
Ou, talvez, eu esteja enganada e a convicção da sra presidenta seja exatamente essa que ela expressa na sua omissão.
De uma coisa eu não tenho dúvida: isentar o Estado dessa decisão quanto a legalização do aborto e jogar o abacaxi para as mãos desse Congresso conservador, que tende a extremar uma posição contrária, vai colocar nossa presidenta contra a parede. Então, no paredão, ou ela erguerá os braços pedindo clemência e baixando a cabeça ao poder vigente, ou ela romperá os botões da sua camisa de força, expondo seu coração valente, enfrentando uma bala contra o peito.
Hahahahahahaha, pena que o tempo do romantismo acabou faz tempo!!
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