quarta-feira, 27 de março de 2013

A REAL DEMOCRACIA VIRTUAL


Quem acredita que a “vida real” é APENAS aquela que acontece fora do computador perdeu a noção de realidade!!! Quem entende que uma rede social como o Facebook é APENAS um painel de compartilhamento de fofurices não saiu do mundo infantil. A internet transformou todos os conceitos que existiam antes de sua chegada. Eu disse todos. Nossas relações afetivas, econômicas, culturais, geográficas, linguísticas, psicológicas, extratosféricas, todas foram redimensionadas a partir da internet. E quanto mais ela cresce mais transformações somos obrigados a fazer. OBRIGADOS.

A internet não é somente um novo meio de comunicação, tipo um telefone expandido. Ela é um novo meio de comunicação que modificou nossa percepção da realidade.

Para quem insiste que a internet não é vida real e que a vida propriamente dita é a que acontece na rua, exclusivamente, vamos a exemplos.

1.  A mocinha tunisiana, Amina, expôs os seios no seu perfil de facebook, não na rua, nem numa mesquita, nem na festinha de aniversário do primo; apenas no facebook. No momento está foragida, escondida para não ser morta, e por morta quero dizer a perda das funções vitais do seu corpo físico e não a perda do seu perfil no facebook (isso já fizeram os hackers que se sentiram agredidos por suas fotos);

2.  A partir desse evento, ao invés de discutir o assuntos com minhas amigas na balada de sábado, eu passei a discutir o assunto diretamente, a qualquer momento,  com pessoas de todo o mundo: pude refletir sobre argumentos de mulheres e homens muçulmanos contrários a atitude da mocinha, que conversaram comigo, assim como dialogar com pessoas em outras línguas (árabe, basco, italiano, francês e inglês) sobre nossas semelhanças. Ampliei meu espectro de compartilhamento de reflexões do meu bairro pro mundo todo!!! Fui chamada de irmã por uma mulher que nem conheço, que usa véus, fala em árabe mas que traz no seu coração algo muito semelhante ao que trago no meu. Somos a Humanidade;

3.  A escolha do deputado Feliciano para a CDHM antes da internet teria sido uma noticia de jornal. Em casa ficaríamos revoltados com o absurdo, reclamaríamos nas rodas de amigos ou no trabalho. Qualquer movimentação conjunta de protesto dependeria da liderança de uma Ong, um diretório universitário ou um sindicato de qualquer coisa. Decidida a passeata a divulgação seria feita por folhetos impressos a serem distribuídos pessoa a pessoa, e obviamente só meia dúzia ficaria sabendo do evento e muitos dias depois. Pela internet a informação chega na mesma hora em que acontece e em dois dias uma passeata para 2 mil pessoas estava montada em São Paulo e outras tantas em várias capitais.  Essas passeatas deram força popular para que deputados (nossos representantes) gerassem uma frente parlamentar que sem o respaldo social seria uma piada. Essa movimentação pela rede social tornou o assunto internacional trazendo o apoio tanto de entidades ligadas ao tema quanto de cidadãos de outras nacionalidades, brasileiros residentes em outros países e etc. Teve resultado político? Alguns vão dizer que não porque o tal deputado eleito continua no cargo, mas essa visão é imediatista. O resultado é assustador, pois a manutenção do cidadão no cargo tornou-se uma afronta contra a vontade popular, ou seja, anti-democrática, e também ajustou a saia vermelha da Presidência da República; além disso mostrou para o cidadão como é fácil e proveitoso reinvindicar algum direito que antes parecia tão trabalhoso e que, aos poucos, vai ser comum em nossas vidas;

4.  Outro caso marcante foi o movimento em prol da proteção dos índios Guarani-Kaiowás. Índios são mortos e exterminados a pelo menos 500 anos. Todos os governos até então fizeram muito pouco, ou nada, para modificar esse quadro de extermínio. Por causa da internet, os próprios índios tornaram sua causa internacional e passaram a conseguir algum apoio de ONGs especializadas e estrangeiras. No evento em que alguns poucos índios ficaram isolados e ameaçados de morte em defesa de sua terra, uma explosão de manifestações tomou conta do facebook. Nesse caso a passeata de rua nem teve a mesma importância do que a manifestação online pelas próprias características do evento. O mundo olhou para aquele pequeno alqueire de terra e prestou atenção ao que estava acontecendo ali. O mundo se questionou sobre qual é a relação entre o índio e a civilização atual, pois as informações dos livros de historia estavam desatualizadas. O Brasil pode conhecer em que condições os proprietários de terra vem crescendo seu patrimônio; descobrimos de quem são as terras do Brasil e o quanto dezenas de deputados vem investindo nessas terras colaborando para esse extermínio;

5.  Através da internet passamos a ter acesso (ou a possibilidade de) a todas as informações que antes ficavam escondidas do conhecimento público: quanto ganham e o que ganham nossos deputados, como é distribuída a renda do país, enfim todo o esquema que sustenta a sociedade de consumo, a política econômica e social, falcatruas, mensalões,  subornos de políticos e juízes, etc, etc, etc, todas essas informações são distribuídas como rastilho de pólvora entre cidadãos. Tornamo-nos jornalistas (assim como nos tornamos cantores, modelos, atores, produtores musicais, advogados, políticos...);

6.  Pelas redes sociais temos servido eficazmente para encontrar pessoas desaparecidas, animais desaparecidos, encontrar criminosos de vários tipos, a ponto de que todos os sistemas de investigação e policiamento já estarem presentes e atuantes nas redes. Se antes podíamos ler o caso do rapaz que saiu de casa para ir ao cursinho e desapareceu, nos jornais e lamentarmos em casa, hoje colaboramos na procura e, como nesse caso que terminou com o falecimento do menino, pudemos ir diretamente dar nossos pêsames à família. O irmão do rapaz (assim como tantos outros casos) deu um belíssimo depoimento no seu perfil de facebook dizendo o quanto estava sofrendo com a perda do seu irmão, mas o quanto a presença de tantos desconhecidos tinha sido reconfortante para sua dor: “perdi um pedaço de mim, mas ganhei muito amigos”.

Poderia lista centenas de fatos que vem acontecendo desde em proporções tão particulares como em extensões políticas como greves gerais ou rebeliões civis em outros países.

E para citar talvez o mais significativo exemplo do quanto a internet É A VIDA REAL, hoje se sabe que acontece (há décadas) uma guerra fria entre países, de proporções catastróficas. Se vivemos o século passado sob a ameaça das bombas atômicas, hoje elas estão obsoletas; a indústria bélica é menos uma necessidade bélica e mais um sistema econômico. A guerra mesmo, com alcances sem precedentes, é pela internet. Os principais países do mundo estão investindo trilhões no desenvolvimento de tecnologias de proteção e ataque informatizado. O poder de entrar em todo sistema informatizado de um país inimigo possibilita o desligamento (por exemplo) de equipamentos de vários setores que colocariam um pais num caos autodestrutivo. Toda nossa vida real está associada a maquinas, a softwares, que se hackeados conseguem causar autodestruição em minutos, sem afetar o país vizinho. É só refletir sobre tudo que está associado à tecnologia, a começar pela eletricidade!!! Os prejuízos financeiros e físicos são inestimáveis.

Pierre Levy há 20 anos demonstrou a importância e alcance da internet nos mostrando que a revolução provocada por esse evento não tem precedentes na historia humana e nem retorno. Contudo, mostrou também que é a internet que traz para a humanidade a possibilidade de conhecer a REAL democracia. A internet vai eliminando representantes e intermediários. Hoje não precisamos de sindicatos para promover passeatas, não precisamos de jornais para receber informações e aos poucos iremos eliminar outras mediações podendo expressar nossas opiniões diretamente como prevê a democracia. Levy imagina um momento em que possamos votar leis diretamente prescindindo do poder legislativo e gerando uma gestão mais participativa da comunidade toda. Eliminaremos empregos que podem ser substituídos por softwares e teremos mais tempo para passear nos parques sem precisar cumprir jornadas tão extensas de trabalho. O teórico entende que o desenvolvimento tecnológico não causa dependência, mas liberdade (que causa a dependência e escravidão é a ambição); a distribuição democrática da informação e do poder de decisão vai tornar nossa organização social mais igualitária e libertária. E mesmo que os donos do mundo, donos do poder atual não queiram e resistam fortemente como estão fazendo, a velocidade com que a informação está circulando e modificando mentes e comportamentos, está fora do controle de qualquer estrutura. Estamos pensando e agindo cada vez mais democraticamente, com uma visão globalizada e humana do mundo. Não tem volta.






quinta-feira, 14 de março de 2013

de PEIXES para o AQUÁRIO


Antes estávamos peixes. Agora seremos O aquário. Menos focados no que somos e mais onde estamos contidos. Mais Meio Ambiente. Menos focados NA PARTE, como se fosse à parte do todo; o todo se torna visível: a era da transparência.  Do ponto para a onda. Sem centro, plural. Do apreensível para o "experenciável". Menos controle e mais fluidez. Não mais a multiplicação dos peixes, a luta pela sobrevivência; e sim a multiplicação das consciências, sem luta, apenas fluência. Se peixes, ficamos presos às redes.... Quando aquários, oceanos, somos livres ainda que interligados. Quando não existe fundo sem superfície nem superfície sem fundo. Entre peixes importa o forte e o fraco; no oceano isso não faz diferença. Peixe fora d'água é peixe morto, portanto a convivência é obrigatória e a responsabilidade está distribuída: uma casa só para todos. Compartilhar é sinônimo de existir. Agora o foco é no conjunto. Com e junto. Antes peixes, remar contra a maré fazia sentido quando era individual o sentido do coletivo; agora aquários o sentido está NA maré e quem rema contra se perde do coletivo; impede o coletivo. Sempre cada um por si porque somos afinal peixes, mas visto agora a partir do aquário. O fluído transmuta a ação, trans forma, constante e infinito. Agora é sendo.



quinta-feira, 7 de março de 2013

Peça é proibida em São Paulo

Sobre a proibição do espetáculo LONDON, do grupo Satyros em São Paulo, devido a um pedido feito pela mãe da menina Isabella Nardoni, após várias manifestações que já publiquei no meu facebook, venho destacar essa; o texto abaixo é uma resposta a publicação de Paulo Santoro em seu blog onde coloca que toda questão é uma discussão juridica entre os direitos das partes.


Arte não se enquadra em "liberdade de expressão", a não ser para os juristas claro.

O direito à liberdade de expressão é aquele que qualquer cidadão tem de se manifestar, de manifestar suas opiniões. O que o artista faz numa obra não se limita a isso!!!

Não estamos apenas reclamando o direito de um se defender contra o do outro de se expressar, como querem os advogados, que seria um problema juridico, como se pretende apontar.

Não. A arte não se enquadra no âmbito juridico da livre expressão, por favor!!!! Isso a gente gritava no tempo da ditadura quando dizer "merda" já era uma conquista.

Não se pode relacionar juridicamente um direito pessoal (como o tem a mãe da Isabella, e isso ninguém nega) contra o âmbito da criatividade na qual a arte se insere.

Não podemos normatizar a criatividade sem consequências desastrosas para sociedade.

Sentados na platéia do teatro ninguém pode gritar "fogo" se o teatro não estiver se incendiando (como argumenta em seu blog Paulo Santoro justificando os limites da liberdade de expressão, ao qual estou respondendo com este texto).

NO PALCO PODE!!!!!! Dentro do mesmo teatro onde a sociedade tem que restringir sua "liberdade de expressão" em prol da coletividade, no palco o artista pode gritar fogo desesperadamente e se descabelar. Pode esfaquear uma bonequinha chamada Isabella sem ir pro sanatório, pode ter uma personagem que diga que a raça negra é imunda, sem ir preso por dar esse texto. OU NÃO????? qual é a diferença entre a arte e a liberdade de expressão de um cidadão???? Vamos normatizar as obras??? A partir de quais conceitos??? DAS LEIS???? Essa diferença fundamental muitas pessoas estão negando!! É o fim do conceito de arte!!!!








SE ISSO NÃO É CENSURA ENTÃO TEATRO TAMBÉM MUDOU DE NOME!!!